6 de outubro de 2016

Estratégia diferente e eficaz deu a vitória ao Paysandu contra o Vasco

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Buscando se afastar de vez da disputa contra o rebaixamento, o Paysandu enfrentou o Vasco no Mangueirão buscando a reabilitação, já que vinha de derrota ante o Avaí. Conseguiu e, mais do que isso, soube interpretar corretamente as circunstâncias que o adversário impôs e teve capacidade de reagir não só ao gol tomado, mas igualmente à pressão natural pelo resultado adverso até então.

Para a conquista da vitória, Dado Cavalcanti partiu de um 4-3-1-2, com Augusto Recife à frente da zaga, Rodrigo Andrade e Jonathan como interiores e Tiago Luís como "enganche" acionando a dupla de ataque, formada por Leandro Cearense e Jobinho. Com isso, buscou encaixar a marcação em Andrezinho e Yago Pikachu para bloquear as linhas de passe e transições vascaínas, além de negar a saída de bola de Diguinho, com Leandro Cearense e Tiago Luís revezando-se na contenção ao volante adversário.



Partindo com uma postura mais reativa, os bicolores utilizaram bloco médio/baixo para negar espaços nos setores médio-ofensivo e ofensivo do Vasco. Assim, a última linha defensiva ficou bem postada, sendo protegida por Augusto Recife, que retrocedia para fechar os espaços entrelinhas e marcar o jogador que flutuasse do flanco para o corredor central. Movimentação correta também para haver sempre a criação de coberturas defensivas, já que o ataque cruzmaltino era mais veloz e ficar em 1 x 1 seria um enorme risco.

Além dessa movimentação, outra disposição planejada foi a execução de duas linhas de quatro compactas para reduzir espaço e tempo ao portador da bola. Jonathan fechava o lado esquerdo e Jobinho fechava o direito da segunda linha, com Recife e Rodrigo Andrade como interiores. Porém, pelas características dos que fechavam a linha em amplitude, a dinâmica ofensiva a que estão acostumados permitiu certos espaços laterais, pois a recomposição não era feita corretamente e sempre que o lateral adversário avançava, conseguiam gerar superioridade posicional, já que os jogadores de maior poder de marcação estavam mais centralizados.

Outro ponto destacado a ser destacado é a pequena distância entre as linhas quando estas contavam com boa recomposição lateral. A marcação ativa se iniciava a partir da intermediária ofensiva com pressão ao portador da bola e basculações para fechar o centro de jogo. Quando bem feita, essa pressão induziu o Vasco a erros e não permitiu que a equipe saísse limpamente para o outro extremo do campo, sempre parando nas linhas de passe próximas fechadas. Há de se destacar aqui o trabalho de Leandro Cearense e Tiago Luís, tapando as opções de retorno a Luan e Diguinho.



Quando em momento ofensivo, a primeira fase de construção visava buscar Augusto Recife, já que os zagueiros não são hábeis o suficiente para saírem com a bola dominada. A partir da chegada da posse ao volante, os dois interiores formavam um triângulo de passes no meio-campo para receberem e darem continuidade e fluidez ao ataque. Como ambos são verticalizadores, a dinâmica é boa, proporcionando desequilíbrios na estrutura defensiva adversária.

Para o balanço defensivo, ficavam os dois zagueiros mais o volante. Os interiores ganhavam a ajuda dos laterais, que posicionavam-se em linha dando amplitude e alargando a defesa. Jobinho e Tiago Luís rodavam confundindo a marcação, buscando a entrelinha e ocupando corretamente os espaços criados a partir dessa mobilidade. Leandro Cearense gerava profundidade e prendia os dois zagueiros, fazendo com que Diguinho ficasse em inferioridade numérica e contando com as infiltrações de Jonathan que não eram acompanhadas por Pikachu.

Normalmente busca condicionar o jogo a partir da posse e circulação, mas a estratégia circunstancial para a partida contra o Vasco mostrou-se eficaz. O Paysandu atraía os cariocas induzindo-os a jogarem pelas bandas, onde não há tanto espaço efetivo para aproveitarem a saída em velocidade nas transições e a lenta recomposição dos laterais, principalmente Júlio César.


Já na transição ofensiva, a equipe bicolor tinha como princípio retirar a bola da zona de pressão e em seguida verticalizar o jogo em direção aos atacantes. Augusto Recife era o responsável por aliviar a saída e acionar Tiago Luís imediatamente, que recuava até a intermediária defensiva para assistir os atacantes, que sempre corriam em diagonal às costas dos laterais para alargar o campo e ficar de mano com os zagueiros. A ação era realizada em até 5 segundos e utilizava quatro jogadores.

Na transição defensiva, a ordem era que o jogador que perdesse a bola, pressionasse o novo portador imediatamente, enquanto que o restante da equipe procurava compor as linhas o mais rápido possível. Pela postura ser mais de espera, o Paysandu não propiciou tantos momentos de transição ao Vasco, não correndo riscos nestas situações.


O Paysandu soube ganhar porque soube utilizar a melhor estratégia da partida. Os princípios contemplados pelo modelo de jogo estavam nítidos e foram operacionalizados pela equipe, mesmo com uma postura diferente em relação à maneira habitual de se jogar em casa. Isso tudo, aliado às boas tomadas de decisão e a intensidade sem a bola, fez com que o Vasco não tivesse poder de igualar o jogo animicamente e fossem engolidos no segundo tempo.

Essa vitória mostra que em um campeonato longo como a Série B, é importante ter variações de peças e estratégias, sabendo utilizá-las nos momentos certos e nas partidas certas. A dinâmica que Rodrigo Andrade e Jonathan, juntamente com Tiago Luís, deram ao time foi a grande chave da vitória, encurralando o Vasco nas transições ofensivas. O Paysandu não marcou por marcar, marcou para criar espaços e explorá-los de maneira eficiente e eficaz.

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Edited by Douglas Menezes