27 de outubro de 2016

A maturidade que coloca a Chapecoense na semifinal da Sul-Americana

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E a história continua sendo escrita! A Chapecoense alcançou a fase semifinal de um torneio continental pela primeira vez em sua história. Classificou-se com todos os méritos, mostrando sua força na Arena Condá e impondo um ritmo veloz que inibiu o Junior Barranquilla. A forte chuva que caiu durante a partida foi o ingrediente principal de um verdadeiro banho de bola da Chape que vem cada vez mais disposta a acrescentar outros capítulos à sua belíssima história na Copa Sul-Americana.

Sabendo que precisaria reverter o resultado adverso da Colômbia, Caio Júnior escalou a Chapecoense com muita força pelos lados do campo, com Ananias e Thiaguinho como extremos, juntamente com Cleber Santana e Gil como interiores para aumentar a força física, melhorar a qualidade no passe e ter aproximação para triangulações. Foi uma estratégia muito útil para conectar Bruno Rangel à frente a partir de cruzamentos e paredes. Tudo isso baseado em um 4-3-3/4-1-4-1.


Procurando atacar pelos lados, principalmente o direito, os catarinenses sempre buscavam associações para desestruturar os encaixes individuais dos colombianos. Gimenez, Gil e Ananias aproximavam-se com desmarques de apoios para garantir superioridade numérica no setor da bola. O extremo do lado oposto (Thiaguinho) infiltrava na área, enquanto Cleber Santana ocupava a entrelinha adversária.

Assim a Chape conseguiu criar diversas oportunidades de gol. Quando não triangulava, o ataque provocava com bola, tendo Cleber Santana como principal nome deste aspecto, conduzindo, atraindo a marcação e acionando os alas em seguida para gerarem cruzamentos para Bruno Rangel. Todas essas dinâmicas em alta velocidade, aproveitando a basculação ruim do adversário, que permitia espaços no setor médio-ofensivo, permitindo e oportunizando infiltrações e desmarques de ruptura, notadamente de Thiaguinho e Ananias.


Essa mobilidade constante na intermediária e no terço final do campo também foram constantes pela descompactação entre os setores do Junior Barranquilla. Os atacantes estavam isolados, sem aproximação dos meias e não ofereciam resistência na saída de bola da Chape. Matheus Biteco, Cleber Santana, Gil e os dois laterais tinham liberdade na linha de meio-campo para tomarem as melhores decisões e condicionarem o jogo como bem entendessem.

Linhas de passe horizontais e verticais eram formadas para garantir a circulação, bem como a profundidade segurando os zagueiros para evitar que estes fizessem campo pequeno no corredor central aproximando-se dos volantes. Há de se destacar a clarividência com que a Chape soube usufruir dos espaços que sua constante movimentação propiciou, sempre tendo espaço e tempo para escolher as ações antes que a marcação chegasse.


Ao defender-se, a Chapecoense fazia o balanço defensivo com 3 jogadores (Neto, Willian Thiego e Matheus Biteco). A ordem eram "sujar" o lado da bola fazendo contenções agressivas no portador da bola, oferecendo constantes coberturas defensivas, cortando as linhas de passe próximas e basculando corretamente. Os extremos Thiaguinho e Ananias voltavam apenas se o lateral a qual estavam incumbidos de marcar subisse ao ataque.

O time catarinense buscava a marcação alta, impedindo qualquer tentativa de circulação de bola dos colombianos, forçando-os a rifarem a bola sem qualquer intenção prévia, facilitando a retomada da posse e não deixando que o adversário avançasse suas linhas no terreno de jogo. A mobilidade da trinca de base invertida da Chape anulou Narváez e Sánchez, que não conseguiam acionar os alas por estarem sempre sufocados e em inferioridade posicional no setor médio-defensivo.


A classificação veio à base de muita chuva e muito futebol. Apesar do campo encharcado, a Chape Querida conseguiu envolver o adversário buscando sempre o jogo pelo chão prioritariamente. Quando o campo ficou pesado demais, a força nas bolas paradas se fez presente, proporcionando dois dos três gols a partir de lances desse tipo. Isso mostra repertório na estratégia que se mostrou fundamental na remontada rumo à semifinal.

Os comandados de Caio Júnior demonstram muita maturidade na Sul-Americana, não se abatendo em nenhum momento, independente das situações. Psicológico forte é de suma importância para a prática de um bom futebol em torneios mata-mata. Maturidade num momento importantíssimo da temporada e que pode vir a ser a grande arma da Chape para enfrentar os grandes rivais que virão na próxima fase. Tudo para continuar acrescentando inéditos capítulos à sua história.

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Edited by Douglas Menezes