3 de outubro de 2016

A banalização da Libertadores e a falta de visão da CBF

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A Conmebol definiu neste domingo a divisão das novas vagas disponíveis para a Libertadores 2017. Como de praxe, a instituição máxima do futebol sulamericano mostra-se perdida em suas decisões. ‘’Noves fora’’ o acerto (com atraso, diga-se de passagem) de tornar a Libertadores uma competição que dura o ano todo, a nova formatação da competição banaliza o acesso a algo que deveria ser o ‘’supra-sumo’’ para os times do continente.

Foto: Conmebol.com
Falando sobre o Campeonato Brasileiro, há a possibilidade de se classificar para a Libertadores sendo o oitavo colocado. Para que isso aconteça, basta que dois dos seis primeiros colocados vençam a Copa do Brasil e a Copa Sulamericana. É improvável que isto aconteça este ano, mas mesmo no caso de classificar os seis primeiros do Brasileirão temos a surreal qualificação de 33% dos times para a principal competição do continente. Para citar uma frase na moda: ‘’Libertadores virou lixo’’.

Veja o comparativo com as principais ligas ao redor do mundo e a porcentagem de vagas na maior competição de clubes do continente. Brasileirão perde em competitividade
O cenário como péssimo para o futebol nacional. Teremos clubes que falharam gravemente em seus planejamentos sendo premiados com uma vaga na Libertadores. Isso é ruim também para a competitividade e o nível técnico do Brasileirão. A exigência dos torcedores e da opinião pública cai, e os dirigentes ganham um álibi para justificar suas más gestões. Difícil vislumbrar um cenário de mudança em médio prazo e um futebol brasileiro mais forte coletivamente. São medidas que atendem aos comodistas de plantão! Como reguladora do futebol no Brasil, a CBF deveria ter mais zelo pela evolução do aspecto competitivo.

Ainda sobre a distribuição de vagas, temos algumas situações que beiram o inacreditável. O Uruguai, dono de oito títulos e oito vices na história da Libertadores, tem o mesmo número de vagas que a Venezuela. É ou não algo absurdo? Chile e Colômbia, com mais campanhas recentes de qualidade que os uruguaios, mas ainda distantes da representatividade ‘’charrua’’, têm quatro vagas cada. A Argentina tem 24 títulos e nove vices, o Brasil 17 conquistas e 15 vices, mas mesmo assim os argentinos têm uma vaga a menos. Situações que distorcem a história da competição e desafiam a lógica.

Como ficou a divisão das vagas
Participação dos Mexicanos

Entendo a representatividade econômica e social, além do acréscimo de qualidade que dão a competição, mas continua sendo incompreensível a participação dos times mexicanos a partir do momento em que eles não podem disputar o Mundial como campeões da Libertadores. A bizarra situação chegou perto de acontecer em alguns momentos, mas felizmente ainda não ocorreu. Ainda é tempo de mudar e evitar um mico mundial!

Comparação com a Uefa

Há nas decisões da Conmebol uma inevitável tentativa de se assemelhar à Uefa Champions League, maior competição de clubes do mundo. Como já citado, é louvável a extensão da Libertadores por toda a temporada, mas a grosso modo podemos comparar também a proporção da oferta de vagas levando em consideração a relação do número de clubes e de países. Enquanto na Europa se oferece 78 vagas para 53 países, média de 1,4 por país, aqui na Libertadores será de 4 vagas em média por país, 44 para 11(contando com o México). Como se aproximar do alto nível de competitividade que é realidade por lá com critérios tão desiguais?

Final Única

Para encerrar vamos abordar a final única idealizada pela Conmebol. Libertadores e Uefa Champions League são competições com históricos sociais muito diferentes. Os torcedores da Europa e da América do Sul têm suas peculiaridades na forma de torcer e na relação com a competição maior de seus continentes. Não se pode comparar uma com a outra.

Além disso, são continentes com situação socioeconômica muito distinta. O poderio financeiro do torcedor comum na América do Sul não possibilita viagens internacionais para acompanhar o seu clube em uma final. Isto sem contar a dificuldade de locomoção. A distância entre Madri e Berlim é praticamente a mesma da existente entre São Paulo e Buenos Aires, mas a quantidade de opções para fazer esse trajeto na Europa é infinitamente maior e mais barata.

Utilizando dados da União Europeia e da ONU referentes a 2015, veja a diferença no salário mínimo médio na Europa e na América do Sul + México. Isto sem contar as passagens aéreas, mais caras e mais escassas por aqui.
Ainda há a possibilidade da final ser nos Estados Unidos, o que inviabilizaria ainda mais a questão. Antes de se preocupar em alterar o contexto histórico positivo da competição, a Conmebol poderia se concentrar em melhorar a parte negativa. Desta forma poderíamos ver menos manifestações racistas e pedras voando na direção dos atletas que se aproximam da linha lateral em alguns estádios.

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Edited by Douglas Menezes