26 de setembro de 2016

Reativo e aplicado: o Grêmio que bateu a Chapecoense

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O gremista se acostumou a torcer por uma equipe que procurava ser dominante no jogo. Ter a posse de bola e a partir daí propor um futebol de construção ofensiva através de passes curtos, tabelas, triangulações e boa técnica. O Grêmio que venceu a Chapecoense na tarde deste domingo, na Arena, foi diferente. Na maior parte do tempo um time reativo e muito aplicado na marcação. Óbvio que as circunstâncias ajudaram neste cenário – marcou com Pedro Rocha aos 10 minutos -, mas antes de tirar o zero do placar já dava mostras que sofreria caso adotasse outra postura. A vitória leva o Imortal à oitava colocação e o deixa a cinco pontos do G4.
Grêmio resolveu o jogo e foi perigoso em contra-ataques

Escalado por Renato Gaúcho no 4-2-3-1 com a bola, o Grêmio teve Jailson e Walace como volantes, além de Ramiro na lateral, na vaga do suspenso Edilson. No quarteto ofensivo: Douglas centralizado, Henrique Almeida avançado, Luan pela direita e Pedro Rocha pela esquerda. Já a Chape de Caio Junior, montada no 4-1-4-1, exerceu forte bloqueio a partir do meio-campo nos primeiros minutos. A base de jogo da equipe catarinense é a reatividade. A opção era retomar a bola e rapidamente tentar criar uma chance. Até os dez minutos conseguiu travar o time da casa e criou uma chance com Matheus Biteco.
Disposição Inicial das equipes
Chapecoense com sua linha de meio montada, postura agressiva na marcação não deixou o Grêmio construir o jogo partindo de trás

A equipe do oeste de Santa Catarina não esperava, porém, que feitiço virasse contra o feiticeiro. Após cobrança de escanteio afastada pela zaga gremista, o Tricolor encaixou belo contra-ataque e Walace rolou para Pedro Rocha, em ótima atuação individual, fazer 1x0. A partir daí a chave do jogo virou. Era a Chapecoense que tinha a bola e chegou a alcançar 60% de posse, mas sem criar muito. A jogada de perigo dos visitantes surgiu em bola roubada por Lourency na saída gremista. O próprio Lourency furou na altura da marca do pênalti.

O time verde tinha muitos problemas para propor o jogo. Até rodava a bola de um lado a outro com qualidade e velocidade, mas não conseguia penetrar na defesa do Grêmio. Muito pela aplicação do time da casa na marcação feita por encaixes e curtas perseguições, mas também pela falta de mais infiltração de um dos volantes e de aproximação pelos lados do campo. O Imortal se fechava em duas linhas de quatro, com Douglas e Henrique Almeida à frente delas. A avaliação defensiva é positiva, mas ajustes precisam ser feitos na coordenação da linha de meio, ás vezes espaçada.
Neste frame vemos bem dois pontos do jogo. O primeiro é a estruturação tática do Grêmio para defender. A linha pontilhada vermelha demonstra que o agrupamento no meio-campo não é o ideal. O segundo(circulado em amarelo) é Matheus Biteco em um dos raros momentos que buscou as costas dos volantes gremistas. Faltou isso para a Chape ser mais criativa

Nos contra-ataques o Grêmio era perigoso e teve muitas vezes um dos volantes fazendo ultrapassagem pelos lados do campo, com Douglas sendo o responsável por municiá-los. Não faltou movimentação no terço final. Na segunda etapa, Caio Junior sacou Arthur Maia e colocou Ailton Canela, mais rápido e driblador. Não fez efeito! A marcação alviverde não era mais tão intensa e o Grêmio aproveitou os espaços que tinha nos contragolpes. Chegou perto de marcar com Henrique Almeida, Luan e Guilherme, mas a pontaria não estava em dia.

A Chape só assustou nas poucas vezes em que conseguiu chegar a linha de fundo pela esquerda. Rafael Lima e Kempes quase empataram, mas o resultado final fez justiça rendimento das equipes. Na reta final do jogo, Luan foi jogar como referência e demonstrou toda a sua qualidade, aproveitando os espaços de forma mais satisfatória que Henrique Almeida.
Equipes já na parte final do jogo

Resta saber como se comportará o Grêmio de Renato Gaúcho. Será um time que apostará em transições rápidas para chegar ás vitórias, como foi neste domingo, ou tentará ter mais posse de bola e propor o jogo. A Chapecoense, que faz mais uma campanha digna e segura no Brasileirão, perdeu pontos que não agridem o seu planejamento inicial. Tem o time que é possível para a sua realidade.


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Edited by Douglas Menezes