15 de setembro de 2016

O legado (positivo e negativo) de Roger Machado no Grêmio

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Sem respaldo e principal foco em uma crise geral, Roger Machado pediu demissão no Grêmio. O treinador ficou um pouco mais de um ano no comando gremista. Nesse período, foram 48 vitórias, 22 empates e 24 derrotas, aproveitamento de 59%.



Roger foi contratado no final de maio do ano passado, após a demissão do ídolo gremista Luiz Felipe Scolari. Roger chegava ao Tricolor após trabalhos razoáveis em Juventude e Novo Hamburgo. Na equipe metropolitana, aliás, ficou a minutos de eliminar o próprio Grêmio no Gauchão. O conhecido perfil estudioso e a boa campanha pelo Novo Hamburgo fizeram Romildo Bolzan contratar o prodígio e ídolo do clube.

Roger trouxe ao Grêmio um ar novo. Conceitos e métodos de treinamento dos mais modernos. Conseguiu tirar muito de jogadores que não tinham tanto assim para dar. Tornou o coletivo gremista exemplar no Brasil. Virou febre em pouco tempo. Nada mais justo. A eliminação precoce na Copa do Brasil e o 3º lugar no Brasileirão não foram tão ruins assim. Agora o Grêmio tinha esperança de verdade. Tinha algo concreto para acreditar.

O Grêmio de 2015 era pura intensidade, coletividade e inteligência. Sabia jogar com a bola e sem ela. Fez jogos históricos propondo e contra-atacando. Foi um camaleão, um time completo. Um coletivo tão forte que ressaltava praticamente todas as individualidades. A nova função do agora sim craque do time Luan fez o Grêmio trocar de patamar. Tornou-se imprevisível na fase ofensiva. A boa fase do meia Douglas, o equilíbrio que Giuliano gerava, a qualidade defensiva de Pedro Geromel e Marcelo Grohe e a enorme dupla de volantes Maicon-Walace. O Grêmio de 2015 dava à torcida uma esperança que jamais foi vista na Arena em outros tempos.

A equipe gremista continua com seus conceitos de jogo conhecidos, ademais. Porém a execução piorou de uma forma abismal. O sucessor de Roger terá, ao menos, uma bela base para iniciar um novo trabalho. Os jogadores do elenco gremista estão adequados às diferentes funções táticas, porque Roger treinava isso no cotidiano.

Em 2016, porém, o Grêmio contratou muito mal para as novas exigências. Trouxe muitos jogadores que não agregaram praticamente nada e ainda perdeu peças importantes, principalmente Giuliano. Os erros de 2015 tornaram-se mais evidentes, a bola aérea defensiva virou um problema sem solução e as individualidades caíram de produção. Miller Bolaños foi contratado para auxiliar Luan no setor ofensivo, mas pouco pode contribuir até agora. Escalado de forma a limitar seu jogo (um erro de Roger), o equatoriano afundou com o resto do time. Sem confiança, jogando em uma posição e com uma função que não rende o seu melhor e com o time definhando ao seu lado, não há como segurar as pontas.

O Grêmio de 2016 tornou-se desequilibrado de todas as formas possíveis. Emocionalmente, técnico-taticamente e quantitativamente. Iniciou o ano cheio de peças ofensivas e poucas peças defensivas, o que virou no momento atual. O fraco poder psicológico da equipe foi vital para a queda precoce na Libertadores e o pouquíssimo futebol demonstrado. O Grêmio de 2016 não era confiável.

Dos maiores problemas desde o início do ano estão a bola aérea defensiva incorrigível, a exposição exagerada da dupla de zaga no momento ofensivo (que tem outros fatores incumbidos) e a pressão sobre a bola algumas vezes completamente descoordenadas. Isso gera inúmeras debilidades e acarretam outras consequências. A circulação da bola é, atualmente, uma tarefa árdua para os jogadores. Outrora era tão fluente a ponto de se tornar natural.

Os problemas, em todos os âmbitos, viraram uma bola de neve. Roger sai para que o Grêmio consiga, na base da motivação e do ‘’fato novo’’, uma melhora no rendimento à curto prazo. Difícil de imaginar que as coisas se encaixem logo de início novamente e a equipe volte a ser competitiva já em 2016. O objetivo volta a ser o famigerado ano que vem. Mas agora, diferentemente do que foi a troca de 2015 por 2016, sem base. Sem nada. O Grêmio, no momento, é pura terra arrasada. 

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Edited by Douglas Menezes