14 de setembro de 2016

Motivos que explicam a queda de rendimento do Remo na Série C

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ABC, Salgueiro e Fortaleza. Nestes três últimos jogos o Remo teve uma nítida queda no rendimento, culminando na sua saída do G4 do grupo A. Alguns motivos extracampo vêm sendo veiculados como motivadores desse declínio, mas analisando campo e bola, percebe-se que alguns princípios deixaram de ser executados, bem como as poucas peças de reposição não deram conta do recado quando entraram.



Assistindo às três últimas partidas, logo nota-se que o time tem ficado muito espaçado em campo, dispondo-se muitas vezes em mais de 50 metros longitudinais. Essa postura gera espaços entrelinhas e expõe os setores, não havendo coberturas defensivas e propiciando ao ataque adversário que utilizem esse espaço de mais de 20 metros entre as linhas para gerarem jogo e criarem chances de gol.

Esses espaços entrelinhas estão sendo proporcionados pela má recomposição dos extremos, que não estão acompanhando os laterais e permitindo que os adversários criem superioridade numérica nos corredores laterais. Com isso, os volantes têm que cobrir uma área maior no setor médio-defensivo, prejudicando o balanceamento e deixando espaços no corredor central que são densamente ocupados por extremos e meia central adversários.


Outro aspecto que tem descompactado a equipe é o sistema de marcação. O Remo marca com encaixes individuais com perseguições curtas. Porém, nos últimos jogos o tamanho dessas perseguições têm ficado maiores, também pela busca dos resultados (a equipe não ficou à frente do placar em nenhum momento nos últimos 3 jogos), que tem precipitado as jogadas e desgarrado os encaixes.

Os adversários têm atraído os volantes para que desocupem o setor e espacem o time. Como a recomposição pelos lados não tem sido eficiente, novamente um buraco se abre no corredor central, permitindo a diagonal para o centro dos extremos e liberando os laterais para o 1 x 1 e buscando a amplitude. Mais ainda os zagueiros não tem subido a última linha defensiva para ocupar o setor e evitar a desordem.

Em momento defensivo também não tem sido organizado sob a intensidade exigida atualmente. As contenções, coberturas, balanceamento, trocas de posições, etc., têm sido prejudicadas porque a intensidade diminuiu muito, seja por abatimento dos resultados, falta de confiança ou até mesmo por atraso de salários. Fato é que há sempre uma demora na reação aos lances e com péssimas tomadas de decisões.


Já em momento ofensivo, o time busca praticar o jogo apoiado para chegar ao gol. Entretanto, para esse tipo de jogo ser eficiente, é preciso intensa movimentação para a criação de apoios e triângulos de passes. Aí reside mais um problema, pois há pouca mobilidade dos jogadores em todos os setores. Os extremos não têm buscado o corredor central às costas dos volantes, ficando sempre abertos e na mesma linha vertical dos laterais, impedindo o avanço dos mesmos e cortando a fluência da circulação da bola.

Na primeira fase de construção, os volantes também têm deixado a desejar neste sentido. Ficam estáticos, posicionados à frente dos zagueiros e não na diagonal para receber os passes e iniciarem a segunda fase. Assim, cada jogador têm ficado por quase 3 segundos com a bola, o que é muito considerando a dinâmica que o modelo de jogo exige. Por causa disso, o número de ligações diretas aumentou, aliada à descompactação, fazendo com que a segunda bola sempre seja do adversário.


Por fim, as transições defensivas vêm sendo executadas com pouca agilidade. Apenas um jogador tem pressionado o portador da bola após a perda da posse. Deste modo, a pressão pós-perda é inútil, pois assim que o primeiro passe lateral retirando a bola dessa zona de pressão é realizado, a equipe adversária consegue avançar terreno com facilidade, pois os jogadores do lado oposto demoram a reagir e mudar a concepção de ataque para defesa.

Assim, com a realização de passes agudos em diagonal para extremos, juntamente com a movimentação do centroavante às costas do lateral do lado da bola permitem que 4 ou 5 jogadores adversários cheguem em velocidade contra apenas 3 defensores no equilíbrio defensivo. Inúmeros gols foram tomados de contra-ataque nesse período, evidenciando a demora que a equipe tem em reagir às demandas dos jogos.


Fora todos esses problemas, as lesões e suspensões têm acometido à equipe, e as recomposições não têm rendido o que podem. Principalmente zagueiros e volantes. Ítalo, Ciro Sena, Lucas Garcia, Cirom entre outros, quando entram não solucionam os problemas coletivos e ainda têm pecado individualmente com tomadas de decisões ruins, mal posicionados e pouco intensos. 

Essas questões fizeram com que o Remo marcasse apenas 1 pontos dos últimos 9 disputados. Queda de rendimento decisiva que pode custar caro ao final da última rodada de classificação. Há margem de melhora e os resultados dos adversários ajudaram de certa forma. Porém, o último jogo se aproxima e Waldemar Lemos precisa corrigir esses problemas o mais rápido possível para que a equipe possa render tudo que pode. 


Caíque Silva
@remotatico

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