20 de setembro de 2016

Chelsea 'camaleão' elimina o Leicester e vê Fabregas pedir passagem

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Em jogo válido pela terceira rodada da Copa da Liga Inglesa, o Chelsea venceu e eliminou o Leicester City no King Power Stadium. A partida, vencida pelos Blues por 4x2, teve de tudo: confronto de estratégias, alternância de domínios, virada no placar, expulsão e prorrogação. Desfecho importante para o Chelsea, que mantém mais uma chance de título nesta temporada. Já o Leicester, disputando a Champions League, desafoga um pouco o seu calendário. Como destaque tático do confronto, as muitas formações diferentes utilizadas por Antonio Conte no time de Londres ao longo dos 120 minutos. A última e decisiva delas o posicionamento de Fabregas como meia central no 4-2-3-1 na parte final do jogo.
Foto: Chelsea FC - Fabregas comemora com Cahill o gol da virada em cima do Leicester

Com muitos jogadores considerados reservas atuando desde o início, Chelsea e Leicester fizeram um princípio de partida bem truncado. Aos poucos, porém, o time da casa foi fazendo sua estratégia baseada na reatividade se sobressair. Era o campeão inglês da última temporada em sua mais pura essência: posse inferior, marcação zonal organizada, pressão apoiada no homem da bola, além de muita velocidade na mudança de atitude e nas transições.
Disposições táticas iniciais do jogo de hoje. Leicester em seu 4-4-2 reativo e o Chelsea num 4-2-3-1 bem deficitário para criar

O estilo surtiu efeito aos 16 minutos, quando Marcos Alonso errou passe na saída de bola e, em poucos segundos, o Leicester já tinha três jogadores atacando a área no momento do cruzamento de Schlupp. Azpilicueta errou o recuo, Begovic hesitou, e Okazaki tocou por cobertura inaugurando o placar. O segundo dos mandantes veio aos 33’. Mais uma vez a mudança rápida de atitude foi o destaque. Simpson pressionou Pedro na linha de fundo assim que o atleta do Chelsea dominou um cruzamento errado de Gray e o forçou a se livrar da bola. Mostrando compactação em todas as fases do jogo, o Leicester tinha King logo na entrada da área para pegar a bola e servir Okazaki: mais um gol do japonês.
Momento do cruzamento para o primeiro gol: perceba três jogadores já atacando a área, mesmo poucos segundos após a retomada da bola. Mudança rápida de atitude muito bem assimilada pelos atletas. Time preparado para contra-atacar
Flagrante das linhas de marcação do Leicester. Neste frame em bloco médio. Muito ataque ao portador da bola e apoio dos demais atletas para fechar as linhas de passe. Chelsea teve sua saída de bola anulada no 1º tempo

O Chelsea não fez um bom primeiro tempo. Montado no 4-2-3-1 com Loftus-Cheek centralizado na linha de meias, viu sua equipe se espaçar demais. O jovem jogador se adiantava na última linha defesa adversária e se distanciava de Matic e Fabregas. A opção era a bola direta para Batshuayi e o próprio Loftus. Reflexo da boa marcação do Leicester e também do pouco repertório demonstrado para vencê-la. Poucas foram as vezes em que os extremos Pedro e Moses receberam em condições da jogada individual. Quando tiveram essa oportunidade levaram perigo, principalmente o nigeriano.

O final da primeira etapa ainda reservaria um lance que recolocaria os londrinos no jogo. Cahill venceu a marcação de Morgan e diminuiu o placar finalizando após um escanteio. Na volta do intervalo o Leicester deixou a organização de suas linhas defensivas no vestiário e sofreu o empate logo aos três minutos. Azpilicueta pegou de primeira um rebote e marcou um lindo gol. O início da jogada mostrou algo que seria decisivo para o jogo: uma participação mais efetiva de Fabregas, se infiltrando no ataque, buscando os lados do campo e tirando o Chelsea da inércia criativa.
Origem da jogada que resultou no segundo gol. Fabregas se desgarrando da região central e se movimentando por outras áreas. Neste lance recebe livre e faz o cruzamento que vai originar o rebote para Azpilicueta. Leicester voltou desorganizado
Leicester bem mais atrás no segundo tempo e com mais espaço entre os atletas da linha. Veja o espaço entre os volantes. Faltou mais intensidade e organização defensiva na segunda etapa.

O jogo retomou o caráter inicial e Antonio Conte começou a mostrar mais interesse em vencer. Colocou Diego Costa na vaga de Loftus-Cheek e assumiu de vez o jogo direto com dois atacantes de referência e muitas bolas em profundidade. David Luiz se destacou com belos lançamentos para o camisa 19, mas ao mesmo tempo mostrou toda a sua irregularidade ao falhar feio e quase proporcionar um gol para Ahmed Musa. Mesmo assim o Chelsea passou a dominar e enfileirar boas chances desperdiçadas.
Diego Costa e Batshuayi lado a lado. Duas referências para a bola em profundidade, como ocorreu neste caso. Perceba David Luiz lançando no alto da imagem (círculo laranja)
Aqui a representação tática deste momento do jogo

Claudio Ranieri respondeu com as entradas de Vardy e Ulloa, viu sua equipe voltar a ser perigosa nos contra-ataques, mas a marcação não era mais tão eficaz. E ficou menos ainda com a expulsão de Wasilewski nos minutos finais do tempo normal. Em superioridade numérica e melhor distribuído após as entradas de Chalobah e Hazard, o Chelsea virou o jogo no primeiro minuto da prorrogação. Em jogada construída de forma rara no jogo, os Blues tiveram aproximação, troca de posições e infiltração na combinação que terminou com belo gol de Fabregas.
Imagem congelada no lance do terceiro gol para detalharmos a construção. Diego Costa(círculo azul) sai para fazer o pivô e tabela com Hazard, entrada em diagonal(seta vermelha). Fabregas(seta amarela) se aproxima para receber o passe de calcanhar do belga e fuzilar a meta do Leicester

Na luta para ganhar espaço na equipe, o espanhol ainda faria o quarto gol do Chelsea dois minutos depois. No ‘’abafa’’, a bola sobrou para o camisa 4 estufar as redes do bom goleiro Zieler. Com o placar resolvido, as equipes apenas cumpriram os minutos restantes da prorrogação. Vitória merecida de um Chelsea que teve várias caras, mas uma certeza: Fabregas precisa ganhar mais minutos.


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