2 de setembro de 2016

Bom teste para o jogo coletivo brasileiro: saiba como joga a Colômbia

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A torcida brasileira está esperançosa. Depois de alguns anos convivendo com escolhas duvidosas para o comando técnico da Seleção, o Brasil assistiu a uma equipe bem dirigida contra o Equador. Por mais que o tempo de treinamento seja bem escasso e o trabalho engatinhe, já foi possível ver um time jogando sob conceitos de jogo claros. O triunfo quebrou um tabu de 33 anos sem vencer os equatorianos em Quito, mas a competição continua e o time canarinho precisa evoluir, além de somar pontos para buscar a vaga na Copa de 2018. O próximo adversário é a Colômbia. E como é de praxe no Linha Alta, você ficará sabendo tudo sobre a equipe treinada pelo argentino José Pekerman.

Time colombiano é forte candidato a ficar com uma das quatro vagas diretas para a Russia-2018

Tricampeão mundial na categoria Sub-20, Pekerman é um treinador consagrado no mercado sul-americano. Já dirigiu a seleção principal da Argentina e está há quatro anos no comando da seleção colombiana. Conseguiu levar o selecionado de volta a uma Copa do Mundo depois de 16 anos e de quebra obteve a melhor colocação da história do país - 5º lugar. Além disso foi semifinalista da última Copa América e venceu os Estados Unidos na disputa de terceiro lugar.

Pekerman conta com uma geração de jogadores que atuam do meio pra frente muito talentosa. Por vezes deixa de fora da convocação atletas como Ádrian Ramos e Radamel Falcão. O material humano de qualidade somado a um trabalho tático sólido transformam o jogo de terça-feira num ótimo teste para o Brasil de Tite. A Colômbia é a atual terceira colocada nas Eliminatórias e venceu os últimos três jogos na competição.

Pekerman completa 67 anos neste sábado. Treinador muito vitorioso

O Time

A base da equipe dirigida por Pekerman é o 4-2-3-1 como estrutura tática. O treinador mexe bastante no posicionamento de James Rodriguez e Cardona, sempre de acordo com o adversário. Quando precisa de um primeiro combate mais forte, Cardona é escalado como meia central e James Rodriguez ocupa um dos lados do campo. A lógica se inverte quando os colombianos precisam propor mais o jogo. Contra o Brasil é provável a escalação de Cardona mais centralizado. Lesionado, Falcão Garcia está fora.

Macnelly Torres recuperou seu futebol no Atletico Nacional campeão da Libertadores e teve boa atuação na última partida, mas foi convocado pela primeira vez depois de muito tempo e é provável que não seja titular novamente. Principalmente por não poder oferecer o mesmo que Cardona quando a Colômbia é atacada.

A dúvida é a utilização de Arias e Cuadrado. Ambos não foram utilizados contra a Venezuela, mas são titulares da equipe. Assim como alguns atletas, não estão com ritmo de jogo em virtude do início da temporada europeia, mas a tendência é que retornem. Caso prefira escalar Muriel, que foi muito bem contra a Venezuela, James passa para o lado direito, mas a atitude tática do camisa 10 não muda. Suspenso no jogo passado, o zagueiro Zapata não foi convocado.

Quem está suspenso é o volante Torres, jogador importante no sistema de Pekerman. Sanchez retorna a equipe e a outra vaga da ''volância'' será disputada por Pérez e Celis. O primeiro tem mais qualidade com a bola nos pés e muita visão de jogo. O segundo é mais eficiente na hora de pressionar o adversário que tem a bola dominada, mas também possui característica de infiltração na defesa oponente.
Opção mais provável tem os retornos de Cuadrado e Arias. Cardona como meia central e James Rodriguez saindo da esquerda e buscando o centro do campo. Perez é o mais cotado para substituir o suspenso Torres
Celis é uma opção de maior agressividade na marcação se comparado com Perez. Time, porém, perderia qualidade no passe e habilidade
Se quiser manter Muriel, Pekerman deve alterar o lado de partida de James, passando o camisa 10 para a direita.


Momento Ofensivo

Um time que explora bem a qualidade técnica de seus jogadores para articular jogadas e acelera o ritmo no terço final. Esta é a síntese da Colômbia de José Pekerman quando ataca. A construção ofensiva é feita na base da aproximação dos atletas, seja pelo centro(na maioria das vezes) ou pelos lados(geralmente já no terço final). Dificilmente a Colômbia se utiliza de bolas longas, quando o faz, o alvo é a velocidade de Cuadrado pelo flanco direito ou as diagonais em velocidade de Carlos Bacca.

O que se vê constantemente é a dupla de zagueiros abrindo para receber um passe do goleiro Ospina e contando com a aproximação de um dos volantes. Não chega a ser uma ''saída de três'', mas há essa aproximação e apoio. Enquanto isso, o outro volante se adianta na linha do meia central, os laterais se projetam simultaneamente e os extremos buscam o centro do campo para gerar superioridade numérica e mais opções de passe entrelinhas. Conceitos em alta no futebol mundial!
Zagueiros abrem no tiro de meta para dar opção de passe a Ospina. Essa é a tendência colombiana no início da construção ofensiva.
O jogo prossegue e podemos ver um dos volantes(traço azul) bem próximo aos zagueiros. O outro(círculo vermelho) se projeta(seta vermelha) na mesma linha(amarela) do meia central
A bola vai se aproximando do gol adversário e podemos perceber os extremos(círculos amarelos) buscando o centro do campo, enquanto os laterais(círculos vermelhos) estão projetados simultaneamente. Este tipo de princípio tem sido bastante utilizado no futebol mundial 

O ritmo da troca de passes é lento e paciente até a entrada no terço final. A partir dali a opção é por uma definição mais rápida, quase sempre pelo lado direito, com Arias e Cuadrado. James e Cardona possuem muita qualidade em arremates de média distância, além de técnica para enfiadas de bola buscando Carlos Bacca, uma referência bem móvel, oportunista e forte fisicamente.

Quando retoma a bola próximo ao campo adversário, o time colombiano aposta na verticalidade. Mais uma vez a velocidade de Cuadrado e a potência física de Bacca são os alvos preferidos.

O Antídoto

Jogando em casa e contando com uma torcida empolgada, o Brasil precisa adiantar a marcação e não permitir uma saída fácil para os colombianos. O time mostra aproximação para ir progredindo com passes curtos, mas a movimentação dos meio-campistas deixa a desejar. Se apertar o portador da bola o Brasil diminui consideravelmente as linhas de passes disponíveis para os zagueiros colombianos e pode sufocar o adversário.

Ter atenção a infiltração de um dos volantes para fazer companhia ao meia central é um ponto chave. No mais, se repetir a compactação e organização do jogo contra o Equador, tem muitas chances de conseguir anular a Colômbia.

Momento Defensivo

Já havíamos alertado aqui que o Equador não tinha uma pressão na bola tão eficaz e o Brasil poderia se beneficiar disso, principalmente nas bolas enfiadas por trás da defesa. Contra a Colômbia a situação muda de figura. É uma seleção que marca bem melhor que o último adversário. A pressão no portador da bola é mais eficaz e agressiva.

O sistema de marcação obedece a encaixes de curta perseguição. Dificilmente os colombianos erram nesse princípio. Conseguem se compactar bem e contam com muita disciplina tática de todos os atletas para não se afastarem demais de suas zonas de atuação. O time se fecha em duas linhas de quatro e deixa o meia central ao lado de Carlos Bacca dando o primeiro combate.

O bloco de marcação não é tão ''alto''. Geralmente a Colômbia posiciona o atleta mais avançado no momento defensivo no círculo central. O sistema de coberturas costuma funcionar muito também.
Aqui um flagra do posicionamento defensivo colombiano. Linhas juntas e muita pressão no homem que detém a bola pelo lado adversário.
Vejam a Pressão na bola e os atletas bem próximos, prontos para fazerem as coberturas.

O Antídoto

A maneira mais fácil de se chegar ao gol colombiano é retomando a bola e saindo em velocidade, mas como o Brasil deverá ter a proposição do jogo e poderá ter poucas oportunidades de pegar a defesa adversária exposta, não há outra solução a não ser usar bastante as ferramentas de jogo já executadas contra o Equador. A busca do jogo apoiado, superioridade numérica entrelinhas, trocas de posicionamento e paciência para rodar a bola com velocidade de um lado a outro.

O jogo coletivo brasileiro terá uma boa prova! Enfrentará um sistema defensivo organizado e que não permite o uso excessivo de individualidades no momento errado. A ordem é envolver os colombianos e deixar o talento pessoal decidir no momento derradeiro das jogadas.

Destaque Tático

James Rodriguez


Questionado no Real, James continua em alta na Colômbia

Pode estar em baixa no Real Madrid, mas na seleção colombiana segue sendo o ''dono do time'' e símbolo de uma geração talentosa. Deve atuar aberto pela esquerda contra o Brasil, mas sai do flanco e busca o centro do campo para participar mais ativamente das jogadas. Sabe o momento correto de fazer isso e dá muita qualidade na rotação da bola. É ótima opção de chutes de média distância e enfiadas de bola para Bacca e Cuadrado. Já tem três gols na competição. Defensivamente consegue contribuir com bom posicionamento.










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Edited by Douglas Menezes