10 de agosto de 2016

[Resumo do 1º Turno do Brasileirão] - Pelotão da Frente

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Passado um turno, longas dezenove rodadas, o Campeonato Brasileiro pode ser visto por vários olhares diferentes, positivos e negativos, mas o que não se pode negar é a competitividade do certame. E talvez até seja coisa de quem vos escreve, mas uma prazerosa sensação de estar assistindo bom futebol. Sem comparações com outros lugares, vamos deixar claro, mas o Brasileirão de 2016 agrada por suas histórias, seus bons jogadores, seus bons times e, acima de tudo, pela sua imprevisibilidade. 

PELOTÃO DA FRENTE

Embora em constante mutação pelas sequências de vitórias/derrotas que os times vivem, acho que é consensual que há um grupo de cima bem definido no campeonato. Palmeiras, Atlético Mineiro, Corinthians, Flamengo, Santos e Grêmio. No limite territorial do bloco, há o surpreendente, mas nem tanto Atlético Paranaense de Paulo Autuori. Seis pontos separam o primeiro do sétimo colorado. São pelo menos sete clubes muito competentes em um país acostumado à mediocridade.

PALMEIRAS (1º LUGAR)

Gabriel Jesus, o MVP do Brasileirão até o momento. (Foto: Marcos Ribolli)

O Palmeiras de Cuca encantou por várias rodadas, oscilou no final do turno e busca voltar a render o seu melhor. Dos grandes trunfos da campanha palmeirense (que fecha o turno como líder) é a mobilidade encontrada em Tchê Tchê e Moisés como dupla de meio-campistas. São jogadores extremamente dinâmicos, com ótima leitura de jogo e boa técnica. Conseguem ligar a defesa ao ataque com facilidade e participam ativamente na construção das jogadas. Uma equipe lisa, que funciona bem. E com a qualidade de Róger Guedes, Gabriel Jesus e Dudu à frente.

Gabriel Jesus é, para a grande maioria dos opinadores, inclusive o redator, o grande destaque do Brasileirão até agora. Dez gols (artilheiro) e três assistências em 14 jogos para a joia palmeirense. Além de Jesus, Guedes e Dudu são outros dois destaques da campanha. Róger foi vital na sequência de vitórias e impressionou tanto quanto Gabriel Jesus. Dudu é o líder de assistências do campeonato, mesmo alternando momentos na titularidade e na reserva. 

Cuca deu uma cara ao time. Jogo de apoio, laterais subindo, volantes fazendo a saída, muita movimentação vertical no terço final. O Palmeiras mostrou um futebol de altíssimo nível durante várias rodadas. Se retomar o nível de desempenho, é o principal candidato ao título. Ainda mais por seu potente e numeroso elenco. 

ATLÉTICO MINEIRO (2º LUGAR) 

O Galo deixou o começo ruim para trás e embalou com Pratto, Fred e Robinho juntos (Foto; Douglas Magno)

Fred, Pratto, Robinho no mesmo time? Sim. O Galo de Marcelo Oliveira vai fazendo ser possível. Após um início bem ruim e a saída de Diego Aguirre, o Atlético se encontrou de vez (nove vitórias nos últimos onze jogos). Possui um dos melhores elencos do Brasil e um poder de fogo completamente absurdo para os padrões do futebol tupiniquim. Com organização e confiança, que Marcelo Oliveira conseguiu dar, o Galo saiu da zona da degola para a disputa pelo título. Robinho é um dos nomes da campanha atleticana. 

Com Donizete e Rafael Carioca fazendo um papel quase brilhante, o Atlético encontrou equilíbrio necessário para acomodar tantos nomes ofensivos ao mesmo tempo. Ademais, Fred, Robinho e Lucas Pratto têm contribuído mais defensivamente do que o normal, o que é vital para o esquema ser plausível. O Atlético perdeu Juanito Cazares, mas o elenco é profundo a ponto de não sofrer sem o equatoriano. 

CORINTHIANS (3º LUGAR)

Bruno Henrique é o destaque do Timão no Brasileirão (Foto: Mauro Horita)

Golpeado pela saída de Tite, o Corinthians conseguiu se manter no topo da tabela mesmo sem um grande rendimento com Cristóvão Borges no comando. Podemos perceber um Corinthians mais rígido, com dificuldades que não encontrava com Tite. De todo modo, o Timão segue extremamente competitivo. Bruno Henrique foi o melhor jogador corintiano no turno. E, lamentavelmente, ainda pode deixar o clube. 

Com mudanças no esquema e nas peças, Cristóvão ainda busca seu Corinthians ideal. Já andou pelo 4-1-4-1 de Tite, utilizou o 4-2-3-1 e mais recentemente adotou o 4-4-2. A falta que fazem Renato Augusto, Gil e Jadson é enorme e a fase de Elias é péssima. O nível técnico caiu muito, mas a competitividade segue. Deve continuar no topo. 

FLAMENGO (4º LUGAR)

O Flamengo empolga a sempre presente torcida rubro-negra (Foto: Gilson Borba)

O Flamengo já foi alvo de análise aqui no blog. Após um primeiro semestre bem aquém das expectativas e com a saída de Muricy Ramalho, o Fla parece finalmente ter encontrado um rumo sob a batuta do ex-interino Zé Ricardo. Organizado, equilibrado e confiante, o Flamengo, agora, consegue fazer aflorar suas grandes individualidades. Guerrero terminou o turno em alta. A ver como serão as entradas de Donatti e Diego Ribas e o aproveitamento de Mancuello para o restante da competição. O Flamengo, de qualquer forma, empolga o torcedor rubro-negro pelo nível de futebol apresentado e as adições de qualidade que o elenco recebeu. 

Zé foi lapidando seu time nas últimas rodadas. Colocou Mancuello no banco, depois Alan Patrick. Alterna entre 4-1-4-1 e 4-2-3-1, tenta encontrar o posicionamento ideal do argentino citado e busca os resultados que o colocam no topo da tabela. Se há um hype justamente elevado em torno de Diego, Guerrero e Mancuello, quem toma as rédeas deste Fla, até o momento, é o volante Willian Arão. Um dos destaques do campeonato. Volante moderno. Bom físico, boa técnica e boa capacidade de leitura. Confirmado o ótimo desempenho do primeiro semestre. 

SANTOS (5º LUGAR) 

O veterano Renato é um dos pilares da campanha santista (Foto: Ricardo Saibun)

O Santos iniciou a última rodada do primeiro turno como líder. Terminou em quinto lugar, após a derrota para o lanterna América Mineiro. Das coisas que evidenciam o equilíbrio e imprevisibilidade do campeonato. Dorival, aliás, até foi além do que era esperado no tempo sem Zeca, Thiago Maia e Gabriel Barbosa. O ótimo trabalho que o treinador faz torna os desfalques menos pesados. A facilidade com que o treinador encontra soluções no elenco santista é magistral. 

Com a ausência do trio e o pouco futebol de Lucas Lima na temporada, Vitor Bueno e Jonathan Copete têm dividido o protagonismo, já que Ricardo Oliveira voltou de lesão recentemente. Inteiro, o Santos é um candidato fortíssimo a tudo que disputa. Futebol ofensivo, moderno e equilibrado. É um prazer ver o Santos de Dorival Júnior atuar.

GRÊMIO (6º LUGAR)

Miller Bolaños ainda enfrenta dificuldades na adaptação ao Grêmio (Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA)

O time que não se pode entender. O Grêmio, desde a contratação do treinador Roger Machado, é um dos times de ponta do Brasil. Veloz, intenso, inteligente e com ótimos valores individuais, a equipe gremista é uma das que mais impressionam no Brasil. A fluidez do jogo gremista é algo admirável. Mas só em algumas noites/tardes/manhãs. O time que fazia grandes jogos e perdia por causa da péssima bola parada defensiva deu lugar a um time inconstante, que varia grandes e péssimas atuações. O problema na bola aérea já não é tão grande, mas a incrível irregularidade ocupou esse espaço. 

A venda de Giuliano e as ausências de Luan e Walace agravam os problemas gremistas certamente, já que possui um elenco limitado. Miller Bolaños ainda sofre para se adaptar e teve o azar de perder seus dois melhores companheiros no ataque (Éverton, lesionado e Luan) na reta final do turno. Seu posicionamento, como 9 móvel, é contestado justamente. Tem se limitado a finalizar e explorar a entrelinha rival. Pode e deveria ser mais importante na construção das jogadas. Se não vender Luan ou Walace, Grêmio pode disputar o título. Precisa parar de se auto prejudicar.

ATLÉTICO PARANAENSE (7º LUGAR)

O Atlético de Otávio sorri pela boa campanha (Foto: Giuliano Gomes)

Por fim, fechando o pelotão da frente, o Atlético Paranaense de Paulo Autuori. Acompanhando seus rivais, o Atlético é um time extremamente organizado e intenso. Amplitude, pressão pós-perda, uso constante da entrelinha, jogo no chão, volantes organizando. Autuori consegue fazer seu time jogar um futebol moderno e aproveita muito o fator local para pontuar. O elenco é bom e o trabalho ressalta isso, mas talvez não seja o suficiente para brigar diretamente pelo título ou pela vaga na Libertadores. Mas, diga-se de passagem, em outros anos esse Atlético estaria ainda mais acima na tabela.

Comandado por Otávio, o rubro-negro teve vários bons destaques individuais durante o primeiro turno do campeonato: Wéverton, Thiago Heleno, Walter e Pablo são bons exemplos. Se continuar regular e com o nível de confiança alto, pode beliscar uma vaga na Libertadores. Tem um elenco inferior aos concorrentes, porém. 


@_nicolasmuller

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