11 de agosto de 2016

Micale, Seleção Olímpica e ponderação

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O Brasil goleou a Dinamarca por 4-0 e se classificou para as quartas do futebol masculino nas Olimpíadas. O resultado expressivo e o bom desempenho ''apagaram'' os tropeços e o mau futebol dos dois primeiros jogos, contra África do Sul e Iraque, respectivamente.

(Foto: Lucas Figueiredo)

A Seleção Olímpica, planejada e preparada para estes Jogos, finalmente entrou em campo da forma como jogava. Foi, de fato, a equipe de Micale. Com jogo de apoio, velocidade e muita movimentação. O ''caos organizado'' proposto foi executado de forma inteligente e o placar diz o que foi o jogo.

Walace e Luan foram ótimas novidades no time titular. Os gremistas foram mais intensos do que vinham sendo Thiago Maia e Felipe Anderson. Participaram mais. Estiveram sempre aptos a receber um passe, uma virada de jogo ou um lançamento. Principalmente o atacante, que se movimentou de forma incessante para fazer o time funcionar ofensivamente. 

Mas eu gostaria de voltar um pouquinho no tempo para comentar a repercussão das duas primeiras partidas brasileiras na competição. Dois empates, zero gols marcados. Atuações abaixo do que foi visto durante o período preparatório. O Brasil realmente não demonstrou um bom futebol. Mas por quê? 

Ponderar é um verbo que deveria ser mais usado no Brasil. Em todos os aspectos possíveis. Micale usou durante o tempo inteiro no comando da Sel. Olímpica o esquema 4-2-3-1. E mudou justamente na estreia, tentando acomodar Renato Augusto em um 4-1-4-1 com Felipe Anderson ao seu lado. Não deu certo. E Micale tem culpa aí. Em mudar seu esquema de jogo desnecessariamente. Ainda mais com pouco tempo para adaptar os jogadores a outro. 

O Brasil nos dois primeiros jogos careceu muito de ligação entre o meio e o ataque. Ficou dividido e acelerou muito o jogo para os três atacantes tentarem algo no um-contra-um. Usar a qualidade individual dos jogadores no último terço do campo nunca foi a base do time de Micale. 

A Seleção Brasileira, extremamente pressionada por nunca ter ganho o ouro e jogando em casa, foi mal. Por alguns erros do treinador, pelos, VEJAM SÓ, méritos dos adversários que fizeram partidas gigantescas e também pela pressão enorme em cima de cada um. O torcedor (e uma grande parte da imprensa esportiva) não buscou explicações para o desempenho aquém. Buscou culpados, como tradicionalmente faz. E encontrou em Micale, em Neymar, em Gabriel Jesus e Renato Augusto. 

O brasileiro não pondera, ele julga. Ele não quer entender como um time funciona, ele quer chamar Neymar de pipoqueiro. ''O Brasil segue sem ter treinadores capacitados, Rogério Micale é mais do mesmo. Neymar? Imenso pipoqueiro. Gabigol que de gol não tem nada. Gabriel Jesus seria reserva no Kaiserslautern''. Às vezes nos falta um pouco mais de ponderação. Bonita palavra, aliás. Vamos usar mais?

@_nicolasmuller

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