29 de agosto de 2016

Conheça o Equador! Saiba o que o Brasil de Tite vai encarar

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A próxima quinta-feira, dia 01º de setembro, reserva a estreia do técnico Tite como treinador da Seleção Brasileira. Diante do futebol pobre e dos péssimos resultados obtidos pelo time principal nos últimos anos, o ex-comandante corintiano chega ao cargo trazendo um sopro de esperança e justiça. A efetivação do gaúcho representa enfim um treinador que chega à Seleção baseado no mérito de seus trabalhos recentes e que está alinhado aos padrões de comportamento do futebol mundial. O adversário é o Equador, vice-líder das Eliminatórias. Páreo duro, principalmente atuando em seus domínios.
Time equatoriano é muito forte dentro de casa. Joga um futebol de muita velocidade e intensidade, principalmente nos primeiros minutos

O Linha Alta analisou alguns dos últimos dez jogos da seleção equatoriana e traz pra você os principais aspectos táticos da ‘’Tricolor’’. Comandado pelo argentino naturalizado boliviano Gustavo Quinteros, o Equador tem como principais características a velocidade e a verticalidade do seu jogo. Não costuma trabalhar tanto a bola de forma curta. Progride no campo com muitos passes em profundidade e viradas de jogo que buscam o 1x1 do extremo oposto ao lado que se inicia a jogada.

A base da estruturação tática equatoriana é o 4-4-2 com variação para o 4-2-3-1 em alguns momentos do jogo e de acordo com o uso de determinados jogadores. Cazares, meia do Atlético Mineiro, é um dos que são utilizados quando a opção é o 4-2-3-1. Mena e Miller Bolaños também cumprem a função de meia central na Tricolor ás vezes. O mais utilizado, porém, é o 4-4-2, com os extremos bem abertos e os homens de frente atacando bastante a última linha em diagonais que buscam aproveitar espaços entre os zagueiros e laterais adversários. Para esta partida, o time da casa tem quatro desfalques importantes. Antônio Valencia e Pedro Quiñonez estão suspensos, e Erazo e Cazares lesionados
Provável escalação para pegar o Brasil. Fídel Martinez deve ganhar chance na vaga de Antõnio Valencia. Arroyo fez boa Copa América e deve ser titular ao lado de Enner Valencia no ataque. Felipe Caicedo voltou a ser convocado, mas pode ficar como opção.
Miller Bolaños ainda não recuperou a melhor fase, mas se ganhar uma chance o Equador tem mais opções de construção curta pela faixa central


Momento Ofensivo

O Equador inicia a sua construção ofensiva preferencialmente pelas laterais. Busca fazer o jogo fluir com associações entre os laterais, extremos e o apoio dos volantes para virar a bola de lado ou dar o passe em profundidade. Há pouca movimentação dos volantes para gerar linhas de passe aos zagueiros. A saída com os volantes só costuma acontecer contra equipes que usam uma linha de marcação bem recuada. De resto, o talentoso Noboa e o seu parceiro de função, contra o Brasil provavelmente Gruezo, servem como opção de retorno ou dão apoio às triangulações pelas laterais. Noboa tem também um potente chute de média distância.

Perceba no alto do vídeo que Antônio Valencia(círculo azul), atrai a atenção do lateral adversário e o distancia da última linha defensiva, abrindo o espaço (retângulo amarelo) para a infiltração do atacante.

É interessante observar que um princípio claro de jogo equatoriano é abrir a defesa adversária. Isso fica claro pelo comportamento dos extremos. Dificilmente buscam o centro do campo. A intenção é atrair os laterais adversários para longe da última linha defensiva e abrir espaços para a infiltração dos velozes homens de frente em diagonal. Quando o time consegue executar de forma satisfatória o movimento, o portador da bola, muitas vezes o lateral, não pensa duas vezes antes de executar o passe em profundidade.

Aqui percebemos os dois extremos bem abertos. No alto da imagem, o traço vermelho demonstra Valencia rente a linha lateral. Na parte de baixo, Jeferson Montero recebe a bola igualmente aberto. As setas amarelas indicam os possíveis espaços de infiltração dos atacantes ou até mesmo dos volantes.
Aqui um exemplo claro de como a articulação na faixa central não é prioridade no jogo equatoriano. Jogando como lateral, Antônio Valencia tem a bola, mas o volante Alex Bolaño, ao invés de se oferecer para receber a bola no espaço vazio (círculo vermelho), se projeta buscando a profundidade. Desta forma, Valencia inverte o jogo buscando Jeferson Montero para a jogada de '1x1'

Quando Cazares, Miller Bolaños ou Mena atuam, o Equador fortalece o seu jogo pela faixa central. O trio tem característica de flutuar entre as linhas do adversário e se oferecer para uma construção de jogo mais curta. Desta forma, Noboa costuma crescer de rendimento e mostrar todo o seu potencial de articulação e arremate. Apesar de ser uma arma interessante, não é uma constante no plano de jogo idealizado por Quinteros.

O antídoto

Tite no Corinthians montou uma equipe que marcava muito bem por zona. Negando espaços ao adversário e possibilitando poucas opções de infiltração em passes em profundidade dos adversários. Na Seleção isso não será realidade de forma tão rápida. É preciso tempo de trabalho para que esse ajuste ocorra. Talvez a melhor opção seja escalar Fagner e Filipe Luis como laterais. O corintiano conhece o sistema pois foi atleta de Tite em mais de uma temporada. E o jogador do Atlético de Madrid, mesmo menos talentoso que Marcelo, sai na frente pois joga no clube que melhor executa a marcação zonal no futebol mundial.

Outra chave do jogo para o Brasil é não marcar tão atrás. Sabe-se que isto não é tão fácil de fazer atuando na altitude, mas se Tite conseguir organizar o posicionamento e o balanço das linhas, os atletas brasileiros terão mais possibilidade de encurtar a marcação e pressionar o adversário que detém a bola. O goleiro Domínguez tem péssima reposição e jogando com os pés não é confiável. Forçar um recuo pode ser um ótimo início para recuperar a posse mais rápido.

Momento Defensivo

O Equador usa o sistema zonal para marcar. A compactação é bem eficaz, mas a equipe peca em alguns momentos na pressão do homem da bola adversário. Isso faz com que o time oponente encontre espaços em várias ocasiões entre as linhas de marcação, pois o portador tem espaço e tempo para executar o passe. Jogando em casa, esse princípio é mais bem executado pela Tricolor, inclusive com forte pressão na saída de bola adversária. O Brasil sofrerá com isso principalmente nos primeiros minutos.

Aqui o Equador com suas linhas de quatro montadas e os dois atacantes á frente dando o primeiro combate ao adversário. Boa compactação.

A última linha defesa equatoriana joga de forma bem adiantada. Com a lesão de Erazo, a zaga titular deve ser formada por Achilier e Mina. São zagueiros firmes e de bom posicionamento, mas pesados e lentos. A transição defensiva não é tão bem organizada. O conceito de pressionar assim que se perde a bola não é executado de forma regular e a equipe costuma ceder muitos contra-ataques jogando em Quito. Falta mais velocidade na mudança de postura entre atacar e defender, principalmente aos quatro jogadores mais ofensivos.

No mesmo jogo, porém, a pouca pressão ao homem da bola(círculo vermelho) e o espaço entre os volantes proporcionam liberdade para encontrar um companheiro entre as linhas(círculo azul). Desta forma saiu o primeiro gol norte-americano nas quartas de final da Copa América


O antídoto

Se a pressão no homem da bola seguir o padrão irregular que costuma apresentar, é algo que pode ser explorado pelo Brasil. Principalmente pela dupla de zaga não possuir velocidade para acompanhar uma infiltração de Neymar, Coutinho e Gabriel Jesus, em um passe em profundidade, por exemplo. Renato Augusto, Lucas Lima e Giuliano possuem bom aproveitamento nesse tipo de assistência.

A Seleção Brasileira deve ter cuidado com a pressão inicial feita pelos donos da casa. Ela ocorre também sem a bola. Sobem a marcação de forma agressiva principalmente nos primeiros 20 minutos. Buscar estratégias para minimizá-la é primordial para ter sucesso. Seja utilizando a ‘’saída de três’’, intensa movimentação de meio-campistas ou a ligação direta com critérios, a chave para vencer o jogo e sofrer menos passa por aí.

Início do jogo contra o Paraguai em Quito pelas Eliminatórias: sete jogadores marcando pressão no campo adversário. Início é sempre com muita intensidade, negando espaços e fazendo com o que o ponente sofra os primeiros efeitos da altitude.


Destaque Tático

Jeferson Montero


Jeferson Montero é importante arma no plano de jogo da seleção equatoriana


Dono de um futebol que alia velocidade, habilidade e força física, Jeferson Montero é um dos símbolos do modelo de jogo equatoriano. O atleta do Swansea tem o ‘’1x1’’ como principal característica. Costuma levar vantagem e produz muitos lances de perigo pela faixa esquerda, onde atua preferencialmente mesmo sendo destro. Tem 60 jogos e 10 gols pela Tricolor. Se destacou ainda jovem e foi jogar no futebol europeu com apenas 20 anos, passou por Villareal, Betis e Levante, além de duas temporadas pelo Morelia do México. Disputou as duas últimas Copas América e também a Copa do Mundo de 2014.

Por @RodrigoCout

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