17 de agosto de 2016

Brasil supera críticas com fidelidade a modelo de jogo

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Honduras é frágil tecnicamente, não tem tradição no futebol, mas quantas vezes você viu o Brasil decepcionar diante do mesmo cenário? Contra a própria Honduras, na Copa América de 2001, a seleção brasileira sucumbiu. Desta vez a história foi diferente por causa do próprio Brasil. Colocou em prática desde os primeiros segundos um futebol baseado em conceitos modernos e que vem evoluindo jogo após jogo. Méritos dos atletas e da comissão técnica comandada pelo ótimo Rogério Micale, que não abortou o plano de jogo diante das primeiras dificuldades e da exagerada pressão dos ‘’profetas do apocalipse’’.

Neymar  rendeu muito bem atuando pela faixa central

Quem chegou atrasado ao Maracanã não viu a seleção brasileira executar a primeira subida forte de marcação que resultou no gol que inaugurou o placar. A Seleção repetiria este movimento em outros momentos da partida e deixaria a seleção hondurenha em apuros, mas este foi apenas um traço da atuação. A atitude do time de Micale fez a estratégia adversária ruir. Honduras chegou à semifinal com uma proposta reativa e muita velocidade nos contra-ataques. Sem a bola, um 5-4-1, com marcação muito forte por encaixes e longas perseguições. Não conseguiu impor seu jogo em nenhum momento.

Com dez segundos de jogo a pressão deu resultado. Veja na imagem Luan e Neymar pressionando Johnny Palacios. Gabriel tirando o espaço do passe. Gabriel Jesus fechando o lado oposto e Walace subindo a marcação. Cinco atletas no campo adversário.

Brasil manteve estrutura tática e funcionamento da equipe dos últimos dois jogos

O Brasil teve paciência para rodar a bola e saber o momento certo de acelerar com Walace e Renato Augusto, amplitude necessária com Gabriel Jesus e Gabriel Barbosa, velocidade e leitura correta da dupla de zaga, laterais subindo no momento oportuno e fechando a última linha de marcação, além do principal: Neymar e Luan destruindo pela faixa central, aproveitando de forma muito inteligente o espaço entrelinhas gerado pelos hondurenhos.

A combinação de Neymar e Luan por dentro e a projeção em diagonal de Gabriel Jesus produziu o segundo e o terceiro gol da Seleção. Princípio bem executado e fiel às características dos jogadores. Neymar rende muito bem quando atua nesta região do campo. Na Seleção precisa ser o protagonista e, ‘’por dentro’’, participa muito mais do jogo. Coloca sua habilidade e a visão de jogo a serviço do time. Luan é a representação perfeita do ‘’falso nove’’. Conceito trazido de volta por Guardiola e novamente eternizado com Lionel Messi. O gremista tem a leitura perfeita de quando deve se desgarrar da última linha adversária e se colocar para receber o passe ou puxar a marcação. Já Gabriel Jesus é rápido e muito oportunista.
Luan tem a bola aproveitando espaço entrelinhas. Ele atrai a atenção dos três zagueiros e abre espaço nas costas da linha de defesa para a projeção de Gabriel Jesus, que marcaria o segundo gol
Outro exemplo: circulados em amarelo, Neymar e Luan se posicionam entre as linhas hondurenhas. O zagueiro sai da última linha para acompanhar Neymar e abre espaço para o passe em profundidade que vai achar mais uma vez Gabriel Jesus. Princípio idêntico do segundo gol, execução perfeita.


Outro ponto que vem dando certo na equipe é a dupla Walace e Renato Augusto como volantes. Os dois têm ótimo passe, capacidade de organização e fizeram nesta quarta-feira uma partida perfeita com relação à distribuição do jogo e a velocidade com o que deve ser feito. Só ‘’verticalizaram’’ o passe quando havia espaço e oportunidade para isso. Thiago Maia também é ótimo volante, muito técnico, mas ainda precisa amadurecer no quesito citado.

Na segunda etapa a equipe brasileira ainda marcou mais três gols – Marquinhos, Luan e Neymar, de pênalti - e administrou o resultado debaixo do sol forte que fez no Maracanã. Vaga na final garantida, o trabalho agora deve se voltar para a manutenção da evolução da equipe e o preparo psicológico para buscar o inédito ouro neste sábado.

@RodrigoCout

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Edited by Douglas Menezes