16 de julho de 2016

Sevilla é a escolha ideal para Ganso

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Recentemente, o presidente do São Paulo, Leco, declarou que Paulo Henrique Ganso não fazia mais parte dos planos do tricolor paulista para o restante da temporada. O jogador, que estava no clube desde 2012, acabava por ser negociado com o Sevilla, da Espanha, por valores que giravam em torno dos nove milhões de euros. Depois de estar cercado de grandes expectativas durante muito tempo, Ganso finalmente, está indo para o seu primeiro desafio no futebol europeu, aos 26 anos. E a escolha de clube não poderia ser melhor.

Ganso é um dos reforços do Sevilla para a temporada 2016-2017 (Foto: Djalma Vassão/Gazeta Press).


O Sevilla é uma equipe que vem demonstrando altos níveis de competitividade e muitas qualidades administrativas nos últimos anos. Aposta na política de contratações de jogadores baratos, emergentes, ou até mesmo em baixa, mas com potencial de recuperação. Somado a isso, fez um trabalho contínuo de três anos com o técnico espanhol Unai Emery. O resultado: três títulos seguidos de Europa League e a fixação no grupo principal de equipes do futebol espanhol. Uma estruturação concreta e elogiável.

Para 2016-2017, Emery assinou com o Paris Saint-Germain. Como reposição, veio a contratação do argentino campeão da Copa América de 2015 e eleito o terceiro melhor treinador do mundo, pela FIFA, no mesmo ano, Jorge Sampaoli. A substituição foi à altura. Sampaoli, assim como Emery, é um treinador atualizado, de ideias frescas e representante do futebol moderno. Mais uma escolha cirúrgica e correta de um clube que pouco erra. Cenário perfeito para Ganso, que tem na figura do próprio Jorge Sampaoli a chance crescer como há muito tempo se espera.

Paulo Henrique tem um talento primoroso com a bola. Visão de jogo diferenciada, muita habilidade, controle e precisão no passe. O problema é que "só ter talento" não é suficiente no futebol atual. É preciso movimentação, leitura tática, intensidade. E é isso que Ganso precisa desenvolver e, com certeza, é o que Sampaoli deve trabalhar nesse jogador.

Na seleção chilena, Jorge trabalhava com um jogador parecido com Ganso e que é bem conhecido do povo brasileiro. Trata-se do ex-palmeirense Valdívia, que atuava na famosa função de "falso 9". Alexis Sánchez e Eduardo Vargas, ora eram extremos ora eram atacantes no time, fazendo muito bem um papel de afunilamento e expansão. Isso deixava Valdívia livre para ocupar a faixa central do campo, onde ás vezes tinha que infiltrar e marcar presença na área ou, em outras oportunidades, apenas se preocupar com a organização do jogo. Essa ideia rendia muito bem. 

Com Bauza no São Paulo, Ganso evoluiu bastante tanto na questão de dinamização de jogo quanto na ideia de infiltração na área. Paulo Henrique fez sete gols na temporada, sendo alguns de dentro da área e, até mesmo, de cabeça. No Sevilla, é difícil de imaginar ele atuando nessa ideia de "9", já que para o centro de ataque há o francês Kévin Gameiro, um estandarte sevillista. Contudo, implementar em Ganso essas vertentes e funções que Valdívia cumpria é muito válido para torná-lo um bom enganche, como Éver Banega (novo jogador da Inter de Milão) era no clube espanhol. O brasileiro tem mais qualidade técnica que o argentino, mas não é tão movediço quanto. Não é tão tático. Ganso precisa ser Banega. É uma boa referência para um começo. 

Para ser firmar no Sevilla, Ganso precisará se tornar um enganche mais intenso do que é.

Se Sampaoli quiser ousar mais, pode tentar transformar Ganso em um "box-to-box" ou "regista". Muitas pessoas sempre quiseram ver o ex-são-paulino em uma dessas duas posições. Uma comparação entre ele e Pirlo sempre é feita pelo estilo cadenciado de ambos. Na verdade, ao longo da sua carreira, Pirlo sempre foi um jogador muito ativo no campo com participações em muitas partes da partida. Apesar de parecer lento, o italiano sempre foi muito intenso, afinal, essas posições exigem isso.

Ser um volante de ida e volta ou um primeiro construtor de jogo pede muita explosão. São duas das posições mais desgastantes do futebol. O nível de importância é muito alto, tanto na fase ofensiva quanto na defensiva. Habituar Ganso a isso demoraria muito mais, certamente. E também precisaria se ter noção se o jogador tem potencialidade física para aguentar tanta velocidade. Em compensação, se desse certo, o futebol brasileiro ganharia um jogador com características que a atual geração não oferece: um volante criador. Sampaoli vai fazer um laboratório, com toda a certeza. Não se pode descartar nada.

Ganso já foi comparado muito a Pirlo. Testá-lo como "regista", como o italiano já atuou muito, pode ser uma das intenções do novo treinador do Sevilla.


Sampaoli pode tentar escalar Ganso em uma função de volante transicional, o chamado "box-to-box".

A única certeza disso tudo é que o Sevilla foi a escolha ideal de Ganso. Deve ter um protagonismo interessante em um clube que é onipresente nos principais cenários do futebol europeu. O contexto é todo favorável para uma evolução e um bom salto de carreira. Chegou a hora de Paulo Henrique de Chagas Lima deixar de ser uma promessa adormecida do futebol brasileiro. É o momento de maturar, crescer, se firmar. Essa não será a última chance para ele, mas será uma das mais importantes e cruciais. Que a agarre e usufrua. O futebol agradece desde já!





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