9 de julho de 2016

O que esperar do novo United?

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Três temporadas, uma Community Shield, uma FA Cup e campanhas inconstantes na Premier League. Esse é o retrospecto que o Manchester United possui desde a saída (depois de 27 anos) de sir Alex Ferguson do comando técnico da equipe, ao fim da temporada 2012-2013. Muito pouco para um clube que ostenta altas cifras de investimento e que está (ou estava) acostumado a figurar no escalão de protagonistas do futebol mundial. Depois de Ferguson, David Moyes, Louis Van Gaal e Ryan Giggs (este, interinamente por poucos jogos) foram treinadores do time de Old Trafford. Van Gaal e, principalmente Moyes, fracassaram e não conseguiram encaixar e temporizar um trabalho.

Grandes jogadores também desembarcaram em Manchester. Alguns ainda permanecem e tentam fazer sucesso na Inglaterra, caso de Bastian Schweinsteiger e Memphis Depay. Outros chegaram, não brilharam e já rumaram para novos desafios. Caso de Ángel Di María, que chegou ao clube no começo da temporada 2014-2015 pelo valor de 76 milhões de euros (!) e, ao final da mesma temporada, arrumou suas malas e foi para Paris defender as cores do Paris Saint-Germain. Não importa se foram jogadores ou treinadores. Nos últimos três anos, quem passou pelo Manchester United encontrou um clube que não condizia com sua história e, consequentemente, não conseguiram se agrupar e mudar essa incômoda situação. Então, quem são os próximos a tentar levar os red devils as mesmas glórias da "era Ferguson"? Bom, um deles se intitula como alguém "especial".

Mourinho será o treinador do United em 2016-2017 (Foto: Divulgação 101greatgoals).


Chegou a vez do "Special One" José Mourinho assumir o Manchester United. Após passar pouco mais de dois anos à frente do Chelsea, o português foi demitido do clube londrino em dezembro do ano passado, após se envolver em polêmicas no ambiente extra-campo e por comandar uma campanha muito ruim na Premier League onde, naquele momento, os blues ocupavam a 16ª colocação na liga nacional. Nessa última passagem pelo Chelsea, Mourinho conquistou um Campeonato Inglês e uma Copa da Liga Inglesa. Agora, além de ter a missão de reerguer o United, o técnico mais polêmico do mundo também busca restabelecer sua carreira. E para alcançar tais objetivos ele tem a seu lado o seu grande amigo, Zlatan Ibrahimović.



Taticamente falando, pode ser conveniente a montagem de um time parecido com o último bom Chelsea de Mourinho, até porque o elenco atual do United sugere e permite isso. Na defesa, temos o goleiro De Gea afirmado em um nível muito alto, tanto que nos últimos tempos o mesmo acabou sendo, talvez, o jogador mais regular do time. Na zaga central, o inglês Chris Smalling, que terminou a temporada muito bem, recebe a companhia do recém chegado Eric Bailly (22), um dos destaques do Villarreal semifinalista da última Europa League. É um zagueiro de boa velocidade e imposição física. 

Com a aquisição do marfinense, pode-se deslocar Daley Blind para a lateral-esquerda, já que o holandês atuou na zaga em boa parte da última temporada. Blind rende mais na lateral, inclusive. Na direita, o italiano Darmian pode receber uma sequência maior. Na suplência dessas posições, há o experiente Antonio Valencia e o uruguaio Varela para a ala direita, Luke Shaw, Marcos Rojo e o jovem Cameron Borthwick-Jackson para a ala esquerda e Phil Jones e o próprio Rojo para a defesa central. Também há a opção de aquisição de mais jogadores para o compor o sistema defensivo. Aliás, nas últimas temporadas houve um desequilíbrio de contratações no clube: muitos atletas foram comprados para o ataque e poucos para a defesa. Portanto, não seria exagero se Mourinho recebesse mais matéria-prima para esse setor.

No meio-campo, sabemos que o "Special One" gosta de utilizar um volante mais voltado para a combatividade. Esse jogador pode ser Morgan Schneiderlin, que ainda não mostrou o mesmo nível dos seus tempos de Southampton. O francês tem essa capacidade de proteger a primeira linha de marcação, como Matic fazia com Mourinho no Chelsea. Ao lado de Schneiderlin, aparece o jogador com a função de "ida e volta", que é ativo tanto na saída de bola e transição como na ideia de presença ofensiva e complemento de construção de jogo. O que Fábregas fazia. Para essas ações, há o experiente Schweinsteiger, acostumado com essa posição. Se Mourinho preferir um jogador mais novo e explosivo, tem o espanhol Ander Herrera. Para essas duas posições, também há as opções de Michael Carrick, Marouane Fellaini e Daley Blind, que pode jogar por ali. Também não pode se descartar uma contratação. A imprensa européia fala em Paul Pogba, que já jogou pelo United e foi dispensado por Ferguson, quando era muito novo. Hoje, é um dos melhores jogadores do planeta. Seria uma contratação luxuosa, de elevar patamares.

Mais à frente, Rooney pode ser o enganche da linha três, já que Ibra será o centroavante. Na última temporada, o "shrek" atuou justamente como atacante e seu desempenho caiu muito por causa disso. Apesar de goleador, Wayne sempre rendeu quando lhe dão a possibilidade de ter um deslocamento livre pelo campo, com a liberdade para auxiliar em outra funções do coletivo. E por toda a sua qualidade técnica, ele tem capacidade para realizar tudo isso. Ou seja, a chegada de Ibrahimović traz um benefício em dobro.

Nos lados do campo, temos Anthony Martial e Henrikh Mkhitaryan - mais uma contratação. Mkhitaryan deve atuar pela direita e pode simular bem o brasileiro Willian, um dos jogadores que Mourinho mais gostava no Chelsea. O armênio é um meia-direita que consegue alternar dois perfis: extremo construtor e extremo mais agudo. Logo, é muito útil. Já Martial veio ao United como atacante, mas foi como extremo que se tornou o principal nome ofensivo da equipe em 2015-2016, sendo muito veloz, incisivo e driblador. Esse status deve o colocar como titular nesse começo de temporada. Para fazer sombra a esses dois, Memphis Depay, que ainda não deslanchou, nunca pode ser esquecido. Ashley Young, Jesse Lingard e Januzaj também buscarão espaço. Juan Mata, ao que tudo indica, deve ir para Liverpool defender o Everton.

Ibrahimović é a principal contratação do United, até agora (Foto: Divulgação/Manchester United).


Na referência, a grande contratação para a temporada: Zlatan Ibrahimović. O sueco aterriza na Premier League para acabar com o problema do ataque do United, que persiste desde a saída de Robin Van Persie. Sobre Zlatan, não temos muito o que falar. Todos sabemos o seu potencial e o que pode fazer dentro do campo. É um craque. 

O jovem Marcus Rashford deve fazer opção a ele. O inglês subiu ao profissional em uma situação de necessidade na última temporada e se destacou bastante com seus gols. Agora, com mais opções, o nível de exigência sobre ele será menor e seu futebol deve crescer num processo mais regular e cadenciado.

No geral, é um time com muitos jogadores construtores. O próprio Ibrahimović é um jogador que sai muito da área para criar. Então, em alguns momentos, pode ser mais interessante deixar o sueco mais fixado perto do gol, afinal, opções para gerar jogo não devem faltar. Também mantém-se a curiosidade para ver como Mourinho vai encaixar suas ideias de concepção de sistema defensivo, onde terá que "estacionar seu ônibus" com um conjunto bastante propício a ter a bola. Sem dúvidas, é um time que teremos o dever de acompanhar.

José Mourinho nunca escondeu que queria ser o sucessor de sir Alex Ferguson. Em livros sobre o português isso fica bem claro. Agora, com três temporadas de atraso, ele chega para ser esse substituto a altura. "Mou" desembarcou em Manchester e trouxe junto uma onda de grandes expectativas. Mas expectativas diferentes. Expectativas que parecem ser certezas. Mourinho é um vencedor e sabe que esse rótulo só se mantém com triunfos e mais triunfos. E, nesse momento, José chega a um clube que também tem essa sede insaciável por sucesso. Ah, e mais uma vez, Guardiola (novo treinador do Manchester City) aparece para rivalizar com o técnico mais polêmico de todos. Isso tudo só aumenta a motivação e a ansiedade para acompanhar a próxima Premier League. No lado vermelho de Manchester, não faltam motivos para prender a nossa atenção.












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