4 de julho de 2016

Grenal 410 reafirma características de Internacional e Grêmio

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Em um Grenal de dois tempos completamente diferentes e de domínios bem definidos, os azuis de Roger Machado sofreram mais do que deveriam, mas venceram Argel Fucks e seus comandados no Beira-Rio. Gremistas comemoram a vitória, mas ambas as torcidas devem festejar outro clássico sem incidentes lamentáveis dentro ou fora de campo. 

O melhor duelo individual da manhã de domingo: William e Éverton. O gremista se deu melhor (Foto: Lucas Uebel/Grêmio Oficial)

O clássico colocou frente a frente os opostos Argel Fucks e Roger Machado novamente. Nos dois primeiros embates: uma vitória de Argel e um empate. 

Argel e Roger são treinadores completamente diferentes. Com seus gostos, seus acertos e seus erros, comprovaram muito de suas qualidades, no sentido adjetival, na partida de domingo. Argel iniciou a partida com o trio de volantes Fernando Bob, Rodrigo Dourado e Fabinho atrás do solitário e subutilizado Luis Seijas, buscando fortalecer o meio-campo. O Grêmio foi a campo no seu habitual 4-2-3-1. 

O primeiro tempo foi de disputa pela posse de bola, diferentemente do que seria o segundo. O Grêmio, nesse contexto, foi melhor. Jailson e Walace conseguiam roubos e avançavam contra a defesa colorada em vários momentos. Foi em um lance assim que saiu o gol gremista, que marca algumas características do time em geral. 


Na origem do lance que viria a se tornar o gol gremista, Walace rouba a bola e percebe Luan ao seu lado. Luan, o falso 9 da equipe, está recuado e abre um grande espaço entre as linhas rivais. Além disso, recebe a bola de frente para a meta rival, o que facilita para o passe ou a finalização. 

Luan recebe, carrega a bola e passa para Éverton, que realiza a movimentação vertical às costas do lateral (o reconhecido facão) e fica com condições de finalizar. A falha de Muriel não impactaria se Douglas, o meia central, não tivesse acompanhado o lance até o final e entrado na área, como Roger tanto pede para que seus meias façam. 

Com o resultado adverso e precisando agora propor, Argel sacou um dos três volantes e colocou Gustavo Ferrareis em campo. O jovem entrou muito bem na partida, criando algumas jogadas à base do talento e gerando algum perigo ao gol de Grohe, que pouco foi incomodado na primeira etapa. 

No segundo tempo, já com outro contexto, o Inter foi extremamente dominante. Sufocou, não deixou o Grêmio respirar um segundo sequer e não empatou a partida pela sua própria incompetência em gerar futebol. Anderson melhorou a circulação da bola, assim como Seijas melhorou seu nível. Vitinho foi desequilibrante como sempre é. Mas, coletivamente, o Inter parecia, em alguns momentos, mais preocupado em cavar escanteios ou faltas do que buscar uma jogada para o gol. O número de cruzamentos - 36 entre certos e errados - assusta. Ainda mais com a pouca presença de área de Sasha e Vitinho. 

(Fonte: Footstats) 

A estratégia gremista de recuar e explorar os contra-ataques é recorrente. Assim venceu e convenceu contra o Atlético Mineiro em Minas nos dois últimos confrontos, por exemplo. Mas a execução disso foi precária no último domingo. Sofreu demasiadamente, foi engolido pela intensidade colorada e não conseguiu conectar nenhum ataque por um bom período do segundo tempo. Douglas e Luan, com funções de reter a bola e fazer o time respirar, falharam miseravelmente e cansaram. Roger demorou para substituir e teve mais sorte do que juízo ao final do jogo. Ainda deu tempo para o Grêmio equilibrar um pouco no final, mas a segunda etapa da partida foi totalmente controlada pelos vermelhos, que esbarraram na própria limitação. 

O futuro da Dupla no campeonato começa a ser traçado. O Grêmio, após duas derrotas doloridas, venceu dois adversários diretos em sequência e retomou a confiança. É um dos times mais completos do Brasil e o segundo tempo no Beira-Rio não apaga isso. Já o Internacional precisa se reencontrar no certame nacional. O jogo reativo e a ultra-exploração de cruzamentos não tem mais surtido efeito e o outrora forte sistema defensivo tem vazado frequentemente. É hora de Argel dar um passo adiante na concepção desse time ou rezar para que Ariel Nahuelpán se torne Robert Lewandowski. Ou não terá um futuro tão promissor no campeonato como se previa pelo começo. 

@_nicolasmuller

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