2 de junho de 2016

A vez do 'english team'?

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No próximo dia 10 de junho, começa a Eurocopa de 2016 - o maior torneio continental de seleções. Nesse ano, a 15ª edição ocorrerá na França e reunirá 24 equipes na disputa, oito a mais do tradicional número de 16 participantes. Mais seleções, mais jogos de qualidade, mais postulantes ao título. Com isso, o torneio promete ser um dos mais equilibrados dos últimos tempos e merece a atenção de todo o amante do bom futebol.

E dentre essas 24 seleções, uma me chama a atenção: a seleção inglesa, pela questão de nomenclatura e pela atuação nos últimos jogos, parece ter um potencial interessante para surpreender na competição. Mas por que acreditar na Inglaterra? Apesar do país ter a liga mais competitiva e atraente do mundo (Premier League), a sua seleção acumula uma série de decepções recentemente. Nas três últimas copas do mundo, por exemplo, foram uma eliminação na fase de grupos, uma nas oitavas de final e uma nas quartas.

Dele Alli (esquerda) e Harry Kane (direita) são dois dos principais nomes da "nova Inglaterra" (Divulgação: ESPN).


Em 2006, uma geração de grandes jogadores e, automaticamente, de grandes expectativas. Nomes como Gary Neville, Rio Ferdinand, John Terry, Jamie Carragher, Sol Campbell, Ashley Cole, Frank Lampard (segundo melhor jogador do mundo, segundo a eleição da FIFA de 2005), Steven Gerrard, Joe Cole, David Beckham, Michael Owen e Wayne Rooney faziam parte do elenco. Uma grupo absurdo, mas que ficou só no "papel". Uma eliminação melancólica, nos pênaltis, para Portugal de Felipão nas quartas de final acabou com o sonho do bicampeonato mundial.

Quatro anos depois, na Copa da África do Sul, a seleção inglesa não era tão badalada. O treinador do time na época, Fabio Capello, teve que chamar nomes como Peter Crouch, Jermain Defoe e Emile Heskey, por exemplo, para compor o ataque daquela seleção, já que havia carência de peças no setor. Resultado: um segundo lugar em um grupo com EUA, Eslovênia e Argélia. Na fase seguinte, uma goleada sofrida frente à Alemanha por 4-1, com o histórico gol de Lampard anulado pela arbitragem. Mais uma eliminação.

Em 2014 no Brasil, a Inglaterra enfrentaria o grupo da morte. No caminho dos ingleses, havia o Uruguai, Itália, Costa Rica e uma transição de jogadores. Era a última participação de nomes como Frank Lampard e Steven Gerrard representando o seu país em competições oficiais. Em compensação, jovens como Alex Oxlade-Chamberlain, Ross Barkley, Luke Shaw, Raheem Sterling e Daniel Sturridge apareceram na lista da disputa do torneio. O treinador inglês naquela copa, Roy Hodgson, também permanece até hoje. Bom, e se tratando de Inglaterra, já sabemos o que aconteceu: eliminação na fase grupos, sem nenhuma vitória.

E nas Eurocopas recentes? Algo diferente? Não mesmo! Na verdade, os desempenhos se assemelham com os das últimas copas mundiais. Em 2008, não houve nem classificação para a fase final da Euro. Dessa vez, a derrocada veio na última partida da fase de qualificação, onde bastava uma vitória sobre a Croácia para a passagem à fase final do Europeu, porém os ingleses acabaram derrotados por 3-2 pelos croatas, em pleno Wembley. Já na Eurocopa de 2012, o fracasso ocorreu nas quartas de final da fase decisiva. Mais uma derrota nos pênaltis, dessa vez para a Itália de Andrea Pirlo e Mario Balotelli - finalista da competição naquele ano.

Agora para o Europeu desse ano, vinda de uma sequência de grandes resultados negativos e com o fim de uma geração emblemática, a Inglaterra parece se remontar e mostrar força com uma nova safra de jogadores, que aparece com muito potencial. Nathaniel Clyne (Liverpool) e Danny Rose (Tottenham) são dois atletas que demonstram muito vigor para atuar nas laterais direita e esquerda, respectivamente, assim como o promissor e disputado por vários clubes de ponta da Europa, John Stones (Everton) se torna uma ótima opção para o miolo de zaga. No meio-campo, a dupla Eric Dier e Dele Alli traz a consistência do excelente Tottenham desta temporada. O segundo, inclusive, aparece entre as maiores (talvez seja até a maior) promessas sub-21 do planeta, já que conta com uma capacidade única de dominação de meia-cancha. Ainda há como opção o cada vez mais evoluído Ross Barkley (Everton). 

E se o ataque foi problema anteriormente, agora há um grande "poder de fogo". Marcus Rashford (18 anos) soma 18 aparições pelo Manchester United na temporada, marcando oito gols e dando duas assistências. Um tento a cada 136 minutos. O jovem inglês é a grata surpresa dessa lista. Entretanto, o grande nome do ataque da Inglaterra é Harry Kane, mais um jogador do Tottenham. O atacante inglês de 22 anos ostenta o posto de artilheiro da última Premier League com 25 gols em 38 jogos. E não para por aí. Jamie Vardy é mais uma opção do potente ataque inglês. Embora já tenha 29 anos, Vardy só despontou agora para o futebol sendo um dos principais condutores do surpreendente Leicester, vencedor do último campeonato inglês. Jamie marcou 24 gols na última Premier League, só perdendo a artilharia justamente para seu compatriota Kane. E ressaltando: todos esses jogadores citados, exceto Vardy, possuem 25 anos ou menos. O futuro do futebol inglês está debaixo dos nossos olhos e precisa estar pronto para a ação.

Vardy marcou, "de letra", um dos gols da vitória inglesa sobre a Alemanha em amistoso recente (Divulgação: ESPN).


Além da juventude, há na convocação inglesa para a Euro jogadores que terminaram a temporada em ótimo nível. Do Liverpool finalista da Europa League, temos Adam Lallana, James Milner (14 assistências na temporada) e Daniel Sturridge - este que é mais um atacante qualificadíssimo e que parece estar afastado das lesões, que tanto o prejudicaram. Outro nome é o zagueiro Chris Smalling do Manchester United, que foi um dos melhores defensores centrais da última liga inglesa.

Para dar experiência e rodagem ao time, aparece o zagueiro Gary Cahill (Chelsea), o goleiro Joe Hart (cada vez mais consolidado entre os melhores do mundo na posição) do Manchester City e, por fim, o homem de três copas do mundo e capitão do time, Wayne Rooney (Manchester United). Rooney, aliás, passa longe de viver seu auge (muito por ter atuado como centroavante na última temporada, ou seja, fora de onde rende mais), mas toda a vivência internacional que ele possui precisa ser transmitida para esse novo grupo. O "Shrek" ainda tem muita importância.

Completando a convocação, aparecem os goleiros Fraser Forster (Southampton) e Tom Heaton (Burnley), os laterais Kyle Walker (Tottenham) e Ryan Bertrand (Southampton), os meias Jordan Henderson (Liverpool) e Jack Wilshere (Arsenal) e o extremo Raheem Sterling (Manchester City). São jogadores que não se destacam tanto quanto os outros citados, alguns nem vivem o seu melhor momento (Henderson, Wilshere e Sterling são exemplos), mas podem contribuir e serem úteis em determinadas circunstâncias de jogo.

Claro, é difícil de cravar qualquer coisa em relação a essa seleção, quando se tem na briga uma França anfitriã e com uma geração espetacular liderada por Griezmann e Pogba, uma Alemanha atual campeã mundial e com uma identidade definida e uma sempre pragmática e eficiente Espanha, além de inúmeras seleções boas querendo surpreender, como Bélgica, Portugal, Croácia, Suiça, Aústria, Polônia, Itália, entre outras.

Contudo, a seleção inglesa tem nomes. Tem matéria-prima. Basta Roy Hodgson armar um coletivo ajustado e tirar o máximo de cada jogador - e para conquistar a Euro isso é totalmente necessário. A vitória por 3-2 sobre a Alemanha, na Alemanha, em um amistoso recente mostrou o que essa nova Inglaterra pode almejar e buscar. Só o tempo dirá se tudo isso era uma certeza ou mais uma ilusão. E para trazer o primeiro título de Eurocopa para o país inventor do futebol, o 'english team' precisará vencer, além de grandes adversários, a "mística" de fracassos e decepções entranhada na sua belíssima camiseta.



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