6 de maio de 2016

Um Grêmio sem caráter

Compartilhe nas redes sociais

O Grêmio não foi somente eliminado pelo Rosario Central na Copa Libertadores, foi humilhado, execrado, esfacelado. A sensação de esperança, o fugaz ''Eu acredito!'' e a realidade desoladora veio à tona: este Grêmio não tem caráter.

Walace foi apagado pela intensidade Canalla (Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA)

O torcedor gremista lidou por dez anos com times horripilantes que esbanjavam caráter e coração, mas que continuavam sendo medíocres tecnicamente. Isso jamais foi o suficiente para tirar o clube da lama dos fracassos, até porque as coisas andam juntas no futebol. Não adianta brigar (no bom sentido, é claro) horrores se a qualidade dos jogadores for muito baixa ou o time for mal organizado taticamente. Assim como o oposto é verdadeiro.

O Grêmio tem um ótimo time de futebol, mas que carrega consigo uma apatia proporcional. Falta peso na consciência e indignação. O Rosario Central é muito bom, mas a distância real entre os dois times não foi a vista nas oitavas de final. O Grêmio, outrora copeiro, entra numa realidade paralela quando se trata de mata-mata. Em uma realidade onde tudo acaba depois de um gol rival e a única esperança é para que o jogo termine logo.

Quem torce para um clube nem sempre vê o sucesso perto, mas espera dignidade ao menos. O Grêmio não conseguiu nem dar o gosto de uma eliminatória brigada a cada centímetro para a orgulhosa e sempre presente torcida gremista. Foi passivo, foi morno, foi engolido pelo sangue nos olhos canalla.

Além do fator anímico, a eliminação gremista passa por questões técnicas-táticas. Entrou em uma Libertadores com apenas um zagueiro confiável no elenco e sem laterais absolutos, enquanto ostenta peças ofensivas. Com tão pouco, Roger sucumbiu. Sim, ele erra. O sistema defensivo gremista em 2016 é pavoroso, longe do ótimo desempenho do ano anterior. E isso não passa somente pelas mudanças de peças, mas também por alguns aspectos que deveriam ser revisados.

O Rosario impôs seu estilo aos jogos. Colocou intensidade em cada ação e dominou. Coudet parecia saber muito mais que Roger dos onze adversários. Tratou de prender a saída de bola gremista e fez uma marcação bastante segura e agressiva. Quando tinha a posse, abusou dos cruzamentos para o ótimo Marco Rubén. No segundo jogo, nem precisou tanto da participação ofensiva de Franco Cervi e Montoya, já que a equipe tricolor se afundou nos próprios erros.

O torcedor espera por respostas. E não é Marcelo Hermes, o único a dar entrevista pós-jogo, quem as tem. O Grêmio precisa juntar os cacos e reforçar-se para o Campeonato Brasileiro. É onde erros esporádicos por falta de concentração não pesam tanto. O caminho menos difícil para este elenco alcançar a gloria. Vamos ver até onde o Grêmio chega. Se antes era copeiro, agora é ligueiro. 

@_nicolasmuller



Deixe um comentário

Todos os comentários postados são de responsabilidade de seus autores. É necessário estar logado no facebook para comentar.

 

Bem-vindo ao Linha Alta. Site com conteúdo futebolístico.

© Linha Alta 2016

Edited by Douglas Menezes