19 de maio de 2016

Kévin Gameiro, o estandarte sevillista finalmente reconhecido

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O terceiro título consecutivo da Europa League por parte do Sevilla tem várias facetas. O trabalho de Unai Emery no Ramon Sánchez-Pizjuán é uma delas. Construindo, reconstruindo e continuando competitivo temporada atrás de temporada. O Sevilla 2015/2016 está longe de ser um exemplo de regularidade, mas continua sendo exemplo de força coletiva e organização tática. E contou com um Kévin Gameiro em chamas para conquistar sua terceira Europa League em três anos. 


O Sevilla venceu o Liverpool na Basileia por 3-1 e contou novamente com Kévin Gameiro para isso. O francês fez o gol de empate sevillista no início do segundo tempo e recolocou o aparentemente abatido Sevilla de volta ao jogo. Após isso, domínio total dos espanhóis e vitória unânime sobre os ingleses.

Kévin Gameiro não conseguiu a artilharia da competição (fez 8 gols, 2 a menos que o artilheiro Aritz Aduriz), mas deixou sua contribuição no placar em TODAS as fases eliminatórias da competição. “Decisivo” é um dos tantos bons adjetivos que se encaixam no perfil do francês, um dos nove jogadores presentes nos três títulos seguidos da Europa League.

O começo de Kévin Gameiro

Gameiro percorreu uma estrada esburacada para chegar ao topo e finalmente ser reconhecido como um grande atacante. O início foi no pequeno Strasbourg, lá em 2005, onde deixou a base do próprio clube para tentar ajudar o profissional a escapar do rebaixamento. O início foi animador. E na própria Europa League.

Na fase de grupos da competição, em 2005/2006, o Strasbourg enfrentou o Crvena Zvezda na última rodada. Já classificado, o time francês lutava pelo posto de primeiro colocado, enquanto os sérvios ainda buscavam a classificação para a fase seguinte. O Crvena Zvezda contava com vários jogadores que viriam a se tornar reconhecidos internacionalmente depois, como Nikola Zigic, Bosko Jankovic, Dusan Basta, Vladimir Stojkovic e Milan Bisevac.

Os sérvios abriram o placar aos 34 minutos do primeiro tempo, com Dusan Basta. No segundo tempo, o montenegrino Ardian Dokaj ampliou o marcador aos 19 minutos. Estava morta a coruja, eles disseram. Mas no lado francês havia Kévin Gameiro. O então jovem de 20 anos diminuiu o placar aos 34’ e, nos acréscimos, empatou a partida que deu a primeira colocação ao Strasbourg. Foi o primeiro brilho do jogador na competição continental.

O início promissor, porém, foi pausado por uma grave lesão que o deixou de fora dos gramados por seis meses. Além disso, seu Strasbourg foi eliminado nas quartas de final da Copa da Uefa pelo Basel e rebaixado para a Ligue 2.

Na temporada posterior, Gameiro ajudou o Strasbourg a subir novamente para a elite. Foi mais participativo e fez 6 gols, um a mais que na temporada anterior. Gameiro não tinha números impressionantes, mas chamou a atenção das equipes da elite. A sua terceira temporada no profissional do Strasbourg trouxe mais um rebaixamento, mas dessa vez o jogador ficaria na Ligue 1.

A explosão no Lorient

O Lorient resolveu apostar no jovem atacante de 21 anos. Pagou cerca de 3 milhões de euros para contar com os serviços do jogador. E com certeza não se arrependeu. Foi no Lorient onde Gameiro realmente explodiu. Chegou e logo caiu nas graças do treinador Christian Gourcuff, que o tornou titular absoluto da equipe. Em duas temporadas consecutivas (2009/2010 e 2010/2011), Kévin foi o vice-artilheiro do Campeonato Francês e marcou ao todo 56 gols em 120 jogos com a camisa do clube da Bretanha, em três temporadas.

A passagem pelo milionário Paris Saint-Germain

Gameiro foi jogador do PSG por duas temporadas e não se destacou.

Tais participações ficaram em evidência e chamaram a atenção do continente inteiro. Valencia e PSG disputaram o jogador, que optou pelo clube de Paris (seu clube do coração). No PSG, porém, Gameiro não obteve o mesmo sucesso dos tempos de Lorient. Contratado como o grande reforço para o ataque, mas não correspondeu à altura. Foi muitas vezes preterido por Guillaume Hoarau e, mesmo assim, marcou 14 gols na sua primeira temporada em Paris.

Gameiro decepcionou, mas todos ainda acreditavam numa virada. Até que o Paris Saint-Germain anunciou nada mais nada menos que Zlatan Ibrahimovic. Kévin ficou ainda mais fora de cena. Os 45 jogos da temporada anterior se tornaram 32 e o jogador sabia que, com Zlatan, não seria titular. Pelo clube parisiense foram 77 jogos e 23 gols.

A sombra de Carlos Bacca e a tão esperada afirmação

Gameiro sendo apresentado no Sevilla, ao lado de José Maria del Nido e Monchi (Foto: Raul Caro/EFE)

Gameiro precisava jogar. E o Sevilla precisava de alguém para substituir Álvaro Negredo. O PSG não faria muita força para segurar o atacante em Paris, então: Gameiro no Sevilla, por 7,6 milhões de euros.

Kévin não chegou sozinho em Sevilla. Com ele, Carlos Bacca. Um até então desconhecido colombiano com destaque no futebol belga. Era a hora de Kévin finalmente brilhar em um grande clube. Mas não foi. Sofreu com lesões no início da sua jornada pela Espanha e viu Carlitos Bacca se tornar um dos centroavantes mais aclamados do continente. O banco de reservas era uma realidade, de novo.

Mas Gameiro não foi um reserva acomodado. Muito longe disso. Era o décimo segundo jogador de Unai Emery. As 93 atuações nas duas primeiras temporadas em Sevilla mostram como foi importante para a equipe. Em 2012/2013, Gameiro foi o artilheiro sevillista na Europa League (com 5 gols) e empatou com Bacca na liga (ambos com 14 gols), mesmo sendo reserva. Provava ali sua importância para o conjunto.

Sua segunda temporada em Sevilla não foi tão completa como a primeira, sua média de gols diminuiu e a de Carlos Bacca aumentou. Foi titular em apenas sete jogos em La Liga e fez 8 gols. Gameiro continuou útil, mesmo com uma queda. E outra vez foi importante no título da Europa League. Foi vital no duelo contra o Zenit, nas quartas de final, onde marcou um gol no final do jogo e impediu que a eliminatória fosse decidida nas penalidades.

Na temporada 2015/2016, com a venda de Carlos Bacca ao Milan, o Sevilla contratou dois atacantes para repor a perda. Uma amostra de que Gameiro era visto como um bom reserva, mas nada além disso. Fernando Llorente, um dos melhores centroavantes espanhóis dos últimos anos, e Ciro Immobile, artilheiro do Italiano duas temporadas atrás, foram contratados. Gameiro, ao que tudo indicava, perderia espaço no elenco.

Mas tudo mudou. Gameiro tornou-se titular e não deixou brechas para Fernando Llorente e Ciro Immobile. O italiano, aliás, foi até devolvido ao Borussia Dortmund. O Sevilla tinha um ‘’novo velho grande centroavante’’. Após quatro temporadas sendo um reserva útil, Gameiro finalmente retomou o protagonismo dos tempos de Lorient. A camisa 9, que pertencia a Carlos Bacca nas duas últimas temporadas, agora tinha um novo dono: Kévin Gameiro, mais letal do que nunca.

Sua conhecida mobilidade, o bom posicionamento, a boa finalização e muita dedicação o fizeram alcançar um novo patamar na carreira. Kévin passou um recado a todos na temporada que chega ao fim: Gameiro não é mais um reserva útil, Gameiro agora é um diferencial. E, com outra Europa League no bolso, ele pensa em voos mais altos. De galho em galho, aos 29 anos, Gameiro atingiu o auge da sua carreira, marcada por paciência, determinação e perseverança.
@_nicolasmuller

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