9 de maio de 2016

Guia Tático do Brasileirão - Vitória

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De volta à primeira divisão do Campeonato Brasileiro o Vitória entra na competição motivado pelo título estadual conquistado em cima do arquirrival Bahia. A equipe é comandada pelo técnico Vágner Mancini, que assumiu a direção do rubro-negro na sétima rodada da Série B de 2015 e conseguiu o acesso. Apesar de estar há quase um ano com o mesmo comando técnico, o time baiano ainda busca o melhor ajuste e tem a vocação ofensiva como principal característica. Pode-se dizer que o Vitória tem totais condições de permanecer na Série A caso as coisas sigam o fluxo normal, mas uma campanha como a de 2013, quando foi quinto lugar, não parece ser a realidade desta vez.

Vitória é uma equipe muito ofensiva. Foto: Francisco Galvão


Após um início irregular de Campeonato Estadual, o Vitória conseguiu melhorar o seu rendimento ao longo da competição e mostrou-se superior ao Bahia, vencendo a disputa regional. Como foi mal no campeonato de 2015, não conseguiu se classificar para a Copa do Nordeste de 2016. Desta forma foi pouco testado em um nível de jogo mais próximo do Campeonato Brasileiro, fato que deixa uma pequena dúvida sobre o verdadeiro potencial da equipe. Na Copa do Brasil passou para a segunda fase sem sustos.

Do time que terminou a última Série B na terceira colocação, Mancini manteve metade na equipe-base até o momento. O elenco perdeu alguns nomes, mas manteve outros, entre eles muitos garotos oriundos da ótima divisão de base do Leão. O zagueiro Kanu, destaque no acesso do ano passado, foi repatriado pelo clube após alguns meses fora e deve ser titular. Entre os reforços contratados destacam-se os retornos de alguns atletas que foram revelados pelo próprio clube. O zagueiro Victor Ramos e os meias Leandro Domingues e Arthur Maia são eles. O volante Willian Farias, os atacantes Marinho e Kieza, e o meia Tiago Real também chegaram para qualificar o grupo. Dagoberto ainda busca o seu espaço e a melhor condição física.

Há 11 anos como treinador no futebol profissional, o ex-volante Vagner Mancini acabou não tendo a projeção imaginada em seu começo de carreira, quando foi campeão da Copa do Brasil de 2005 com o Paulista. Passou por Grêmio, Santos, Guarani, Ceará, Cruzeiro, Atlético/PR, Sport e Botafogo oscilando bastante nos resultados e no rendimento. Em alguns clubes conseguia boas sequências e em outros ficou pouco tempo. No próprio Vitória está em sua terceira passagem e foi campeão baiano também em 2008. O técnico costuma armar suas equipes de forma insinuante no ataque, regra que vemos repetir-se no Leão desta vez.

ESTRUTURA TÁTICA

Desde que passou a jogar com um jogador com características de centroavante, o Vitória atua no 4-2-3-1. Uma das principais características é o apoio constante dos volantes e laterais, assim como a intensa movimentação dos extremos, seja buscando a área ou dando a amplitude necessária para abrir a defesa adversária.

Vitória no 4-2-3-1. Time com chegada forte de volantes e laterais



FASE OFENSIVA


A velocidade é a principal característica nessa fase do jogo do Leão. A movimentação dos ‘’meias-extremos’’ é a base da criação de jogadas. Marinho e Vander alternam bastante de lado e se comportam de acordo com algumas combinações. Quando os dois laterais apoiam simultaneamente, eles buscam o centro do campo e se oferecem como opções de passe para as tabelas. Atacam a área quando a bola está no lado contrário e entram em diagonal quando Kieza sai da referência.

Vitória com nove jogadores dentro da intermediária adversária contra o Náutico/RR. Vander e Marinho, os extremos, buscando o centro do campo enquanto laterais avançam simultaneamente
Percebam o flagra de Kieza abrindo para a esquerda enquanto Marinho e Leandro Domingues entram pelo centro.
Kieza puxa a marcação e Leandro Domingues infiltra no espaço vazio. Atacante costuma fazer esse tipo de movimentação em determinados momentos do jogo.

A movimentação de Kieza, aliás, é outra arma. Como é um ‘’9’’ com mobilidade, busca bastante os lados do campo e a intermediária com o objetivo de arrastar a marcação. Os volantes se infiltram frequentemente e é comum vê-los entrando na área e marcando gols. Prova disso é o titular Amaral, que não tem tanta qualidade técnica, mas chega forte no ataque e já marcou dois gols na temporada. O meia central, hoje Leandro Domingues, fica mais restrito ao centro do campo e encosta para oferecer opções aos laterais, meias e extremos.

Diego Renan se projeta e Dagoberto troca de posição com ele para confundir a marcação. Pelo centro do campo Amaral chega com força e Willian Farias fica como opção de retorno. Do outro lado, Marinho dá amplitude.
Willian Farias buscando a última linha de defesa do adversário. Subida dos volantes é uma constante no sistema ofensivo do Vitória


TRANSIÇÃO OFENSIVA

Também executada de forma muito veloz, seja curta ou longa. Na saída de bola há a movimentação dos volantes para gerar opções de passe, mas por vezes a equipe se precipita e acaba forçando a jogada, usando a bola longa, mesmo sem ter jogadores de estatura tão alta no ataque para ganhar as jogadas por cima. Os extremos abrem bastante para dar a amplitude necessária e Leandro Domingues encosta nos volantes para começar a articulação.
Vander bem aberto do lado oposto do campo em que se inicia a jogada. Transição é sempre rápida, seja curta ou longa, como é o caso da imagem

É comum também o uso constante dos laterais na saída de bola. Diego Renan vive boa fase e tem passe qualificado. Do outro lado o volante José Welison é o atual titular e também tem técnica para iniciar a construção ofensiva.

TRANSIÇÃO DEFENSIVA 

Um princípio de jogo claro do Vitória é a tentativa de sufocar o adversário assim que o time perde a posse de bola. A linha ofensiva faz isso muito bem em virtude da velocidade dos jogadores, mas nem sempre a execução é perfeita se levado em conta todo o conjunto. Falta mais coordenação dos atletas que estão longe da bola para fechar os espaços necessários e impedir a formação de linhas de passe para o adversário. A intensidade também varia bastante. Como citado, o Vitória foi testado em jogos de nível próximo a Série A em poucas ocasiões nesta temporada. Somente os clássicos contra o Bahia tiveram esse caráter, três dos 14 jogos de 2016.

FASE DEFENSIVA

Alinhado aos conceitos mais modernos, Mancini pede que sua equipe se compacte bem e a última linha de defesa se poste de forma mais adiantada. A marcação varia bastante ao longo do jogo. Em certos momentos a pressão ao adversário já na saída de bola é uma constante e bem executada. Quando marca mais a partir do meio-campo costuma pecar na agressividade ao homem da bola do oponente. Falta mais regularidade nesse ponto. O sistema obedece aos encaixes por setor e ás vezes isso não é bem executado. Não é raro ver os atletas do Leão saindo demais do seu setor para acompanhar os adversários e alguns espaços aparecem.

Contra o Bahia um flagra de falha de posicionamento/compactação. Linhas próximas, mas Vander não fecha o espaço que deveria(círculo amarelo) porque está encaixado no lateral do arquirrival. Percebam o espaço no meio-campo.
Aqui outro exemplo dos encaixes por setor que atrapalham o posicionamento defensivo. Vejam o espaço entre os dois volantes. Isso acontece porque Willian, no alto do vídeo, encaixa a marcação em jogador do Bahia, e Amaral encaixa em outro meio-campista adversário.


DESTAQUE TÁTICO

Marinho vem sendo o diferencial técnico e tático do Vitória até o momento. Escalado sempre à direita da linha de meias, possui liberdade para se movimentar também pelo flanco esquerdo e tem a jogada individual como destaque. É muito veloz, habilidoso e forte fisicamente. Vem evoluindo na finalização e é o artilheiro do rubro-negro baiano na temporada. Tem batido bem os escanteios e faltas laterais próximas da área. Defensivamente se destaca quando o Vitória marca de forma mais adiantada.

Marinho é o destaque da equipe até o momento. Funcionando muito bem como extremo pelo lado direito. Foto: Francisco Galvão

Rodrigo Coutinho - @RodrigoCout


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