9 de maio de 2016

Guia Tático do Brasileirão - Santos

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Bicampeão paulista e dono do time mais bonito de se ver jogar atualmente no Brasil, o Santos inicia o Campeonato Brasileiro com os olhos voltados para duas coisas distintas. Um deles mira o título da competição. A equipe rende muito bem ofensivamente, é tecnicamente acima da média e tem o DNA santista da bola. O outro olho foca no temor da janela de transferências do meio do ano, que pode tirar tanto os talentosos e jovens Lucas Lima e Gabriel, quanto o experiente artilheiro Ricardo Oliveira da Vila Belmiro.

Artilheiro do Brasileirão no ano passado, Ricardo Oliveira comanda mais uma vez o potente ataque santista. Foto: Santos FC


Baseado nisso é difícil cravar o alvinegro praiano lutando pelo título rodada a rodada até o final da competição, mas o trabalho feito por Dorival Junior e o rendimento da equipe durante os primeiros meses do ano projetam um Campeonato Brasileiro brigando na parte de cima da tabela. Mesmo em situação financeira e política não muito favorável, o clube conseguiu manter a base que venceu o Paulistão do ano passado, foi vice da Copa do Brasil e jogou o futebol mais vistoso da última edição da Série A.

Do time que foi derrotado pelo Palmeiras na final de dezembro de 2015, por exemplo, apenas Marquinhos Gabriel não integra mais o plantel. Para a vaga do meia que hoje veste a camisa do Corinthians, Dorival descobriu o jovem Vitor Bueno, que vem dando conta do recado e manteve o alto nível técnico da linha ofensiva santista. Ataque este que é capaz de produzir contragolpes mortais e destruir as defesas adversárias em questão de segundos, baseando seu jogo em muita técnica, velocidade, movimentação e qualidade na definição das jogadas.

Outro jogador bastante utilizado no ano passado que não está mais na Vila Belmiro é o atacante Geuvânio, mas o clube trouxe por empréstimo o veloz Paulinho, ex-Flamengo, e possui ótimos valores técnicos entre os reservas. Rafael Longuine, Ronaldo Mendes, Serginho, Léo Cittadini, Leandrinho, Fernando Medeiros e Daniel Guedes são alguns deles. O camaronês Joel também foi adquirido e entra constantemente nas partidas. Um elenco montado para produzir um futebol ofensivo e rápido.

ESTRUTURA TÁTICA 

No desenho tático não há diferença com relação ao ano passado. No modelo de jogo sim. Neste percebe-se a evolução do ótimo sistema ofensivo. É um 4-2-3-1 com muita movimentação e conceitos que iremos detalhar logo abaixo. Laterais e volantes que apoiam constantemente o ataque. Quarteto ofensivo que abusa da troca de posições.
4-2-3-1 santista é muito móvel e ofensivo


TRANSIÇÃO OFENSIVA

Atualmente é a melhor transição ofensiva do futebol brasileiro. Alia velocidade, técnica e princípios de jogo claros e bem executados. Para garantir opções de passe e a projeção em velocidade, Gabriel pouco participa da fase defensiva e fica bem aberto esperando a hora de partir em profundidade ou dar a opção do passe curto. A mudança de atitude dos atletas é muito rápida. Partem com muita voracidade para atacar.

A movimentação é intensa e não obedece padrões pragmáticos. É possível ver Ricardo Oliveira atacando pelas pontas, Vitor Bueno ou Gabriel se infiltrando pelo centro, e até mesmo cada um na sua faixa de campo original. A ordem é confundir a defesa adversária, ter aproximação e troca rápida de passes para que a individualidade resolva no terço final do campo.

Quando começa a construir o jogo mais de trás, a equipe apresenta movimentações não muito comuns em solo brasileiro, mas que mostram toda a particularidade do trabalho de Dorival. Na saída de bola é possível perceber os zagueiros bem abertos, os volantes pelo centro e os laterais buscando o meio do campo já na linha média. A técnica de Victor Ferraz e Zeca, laterais titulares, possibilita que esse conceito seja muito bem executado.

Veja o flagra de Victor Ferraz buscando o meio em uma das saídas de bola do Santos. Movimentação é uma constante e incomum no futebol brasileiro. Criativo o time dirigido por Dorival


Fase Ofensiva

A imprevisibilidade prossegue à medida que a equipe vai avançando no campo de jogo. Os volantes participam ativamente. Encostam nas laterais para a produção de triângulos de passe, servem como apoio e infiltram na defesa adversária. Os laterais alternam o apoio por dentro ou pelas pontas. No caso de entrarem pelo centro, os extremos garantem a amplitude necessária.

Vejam o exemplo claro de participação ativa dos volantes. Renato abre e Thiago Maia encosta. Também vemos a passagem de Victor Ferraz por dentro e Gabriel aberto com a bola.

Mais um frame que mostra claramente os conceitos santistas. Ricardo Oliveira puxa a marcação pra fora da área e Vitor Bueno entra em diagonal. Do outro lado, Gabriel dá amplitude junto a linha lateral e Victor Ferraz busca o centro do campo. Lucas Lima lança, mas Renato e Thiago Maia estão prontos para oferecer opções de passe caso seja necessário.

Lucas Lima circula por toda a intermediária e abre bastante pelas pontas atraindo a atenção dos adversários. Ricardo Oliveira não se restringe somente ao centro do campo. Abre para a entrada em diagonal de Vitor Bueno e Gabriel ou puxa a marcação para longe da área. A ótima condição física do camisa 9 permite que ele chegue na área constantemente já na parte final das jogadas, mesmo tendo que sair dela em diversos momentos de articulação.

Lateral cobrado, Oliveira puxa a marcação e deixa espaço para Gabriel e Vitor Bueno 'atacarem' a área
E aqui mais uma vez Ricardo Oliveira fora da referência e arrastando consigo um zagueiro. Renato e Gabriel ocupam o espaço. Movimentação ofensiva é intensa no Santos


TRANSIÇÃO DEFENSIVA

A parte defensiva santista ainda requer ajustes e o momento de transição é um exemplo claro. O time é irregular neste ponto. Varia entre a agressividade correta no momento de mudança de atitude ou a liberdade excessiva para o homem da bola adversário. A proposta parece ser uma pressão ao adversário assim que se perde a bola e a posterior recomposição em caso de insucesso, mas a execução não é tão regular e satisfatória.

Aqui um exemplo de como o Santos dá liberdade ao portador da bola em alguns momentos do jogo. O atleta do Palmeiras tem total liberdade para olhar e executar o lançamento. No meio-campo ainda tem uma opção clara de passe.


FASE DEFENSIVA

O time tenta se compactar bem e utiliza um posicionamento com a última linha defensiva atuando de forma bem adiantada. Assim como na transição, o time ainda precisa de ajustes. Mais uma vez a pressão no homem da bola adversário não costuma ser a ideal e a compactação também. O sistema de marcação obedece aos encaixes por setor, quando cada jogador marca o oponente que cai em sua região do campo e o acompanha até determinado espaço. Esse conceito parece bem assimilado pelos atletas. Dificilmente é possível perceber os santistas deixando espaços em seus setores por perseguições mais longas.
Aqui o time montado no 4-2-3-1, mas sem a compactação devida acaba dando espaços para o adversário.
Nesta imagem vemos a equipe compacta. São sete jogadores no terço mais defensivo do campo e apenas quatro do Palmeiras, mas mesmo assim o cruzamento vai encontrar Rafael Marques na pequena área. Fruto da pouca agressividade na abordagem de marcação.


DESTAQUE TÁTICO 

Um dos jogadores brasileiros mais cobiçados pelos clubes europeus, Lucas Lima é o destaque não somente técnico, mas também tático do time santista. O jogador da Seleção consegue aliar características necessárias para os meias do futebol moderno: técnica, velocidade, habilidade, visão de jogo e boa finalização. Além disso, se movimenta intensamente no plano de jogo santista, puxando a marcação para os lados do campo e dando velocidade a rotação da bola. É importante demais no terço final para dar assistências e finalizar as jogadas, além de bater muito bem faltas e escanteios.

Candidato a craque do campeonato, Lucas Lima é alvo de clubes europeus e isso pode atrapalhar planos do Santos na competição

Rodrigo Coutinho - @RodrigoCout


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