9 de maio de 2016

Guia Tático do Brasileirão - Santa Cruz

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A Cobra Coral entra no Brasileirão com um enorme sentimento de alma lavada. Após um começo de ano turbulento, Marcelo Martelotte deu lugar a Milton Mendes no comando técnico e o Tricolor de Pernambuco estabilizou-se futebolisticamente. Os títulos da Copa do Nordeste e do Campeonato Pernambucano só alicerçam o bom e precoce trabalho de Milton Mendes à frente do Santa Cruz.

O grande jogador do conjunto Tricolor (Foto: Aldo Carneiro/Pernambuco Press)

Milton Mendes, que dirigiu o Atlético Paranaense no ano passado, assumiu o Santa Cruz dois dias antes do duelo contra o Ceará pelas quartas de final da Copa do Nordeste. De lá até o início do Campeonato Brasileiro são sete vitórias, cinco empates e zero derrotas. Invicto e com duas conquistas embaixo do braço, Milton obteve resultados significativos, ainda aumentando o nível do seu time. Entra no Brasileirão como uma das incógnitas mesmo assim. O trabalho é muito bom, mas o elenco continua muito carente de qualidade. 

ESTRUTURA TÁTICA



Milton Mendes é um dos melhores treinadores do país no que diz respeito à tática. Possui conceitos modernos e faz seus times entenderem e executarem o que é proposto com maestria. Foi assim no Atlético, vai sendo assim no Santa Cruz.

O Santa Cruz utiliza prioritariamente o esquema 4-2-3-1, mas o 4-4-2 e o 4-1-4-1 também aparecem durante os jogos. Sem grandes expoentes técnicos, o Santa Cruz baseia seu jogo no coletivo. O destaque é o centroavante Grafite, longe dos melhores anos, mas ainda bastante útil.

FASE OFENSIVA

Grafite faz tudo girar ao seu redor. Não é um mero fazedor de gols, também faz o sistema ofensivo funcionar. Dá profundidade, opção de passe longo, faz o pivô para os meias, recebe ligações diretas e está sempre presente na área para uma ou outra jogada dos pontas/extremos. Arthur ou Wallyson e Keno são velozes e bons no um-contra-um ofensivo. 

No lance, Grafite se movimenta para criar uma linha de passe, recebe na entrelinha, gira e passa para a diagonal de Wallyson. Na sequência, gol de Keno.


O Santa Cruz ainda enfrenta muitas dificuldades quando precisa propor o jogo. O ainda curto trabalho do treinador pesa muito nesse sentido e com toda a certeza veremos mudanças no decorrer do campeonato nacional. 

TRANSIÇÃO OFENSIVA 

Passes curtos e aproximação dos jogadores até chegar ao campo rival. Normalmente é assim que funciona a saída de bola dos times de Milton Mendes. No Santa, continua assim, mas tem um outro fator: Grafite. O ótimo receptor de jogo direto dá aos zagueiros liberdade para fazer a ligação diretamente com o setor de ataque, diminuindo os riscos de uma possível perda de bola no seu próprio campo.

Com João Paulo e Uillian Correia fazendo a dupla de volantes, facilita bastante para sair no chão. São dois bons passadores e participam da criação de jogadas também. 

FASE DEFENSIVA

O Santa Cruz se defende em formatos diferentes. Utiliza tanto o 4-4-2 variante do 4-2-3-1 quanto o 4-1-4-1. João Paulo é um coringa para as mudanças de esquema. O meio-campista de 26 anos atua como volante, extremo ou meia central.



Na imagem acima, o Santa Cruz utiliza o esquema 4-4-2 sem a bola. Lelê, o meia central do 4-2-3-1, avança e forma uma dupla com Grafite, enquanto os extremos Arthur e Keno retornam para formar uma linha de 4.


No segundo tempo do mesmo jogo, o Santa Cruz mudou o posicionamento. Lelê saiu machucado e quem assumiu sua vaga foi Wallyson, que entrou como interior no 4-1-4-1. Importante notar que o Santa Cruz de Mendes é muito mutante.

Milton Mendes utiliza marcação por zona buscando limitar os espaços da equipe rival e interceptar passes. Se fecha com compactação e impede o avanço do time adversário,

TRANSIÇÃO DEFENSIVA 

Sem pressão na saída de bola, o Santa Cruz se posiciona com um bloco de marcação médio-baixo rapidamente após a perda da posse de bola. 

DESTAQUE TÁTICO 

João Paulo, um autêntico meio-campista (Foto: Aldo Carneiro/Pernambuco Press)

Volante, extremo e meia. A polivalência por si só já chama a atenção, mas João Paulo apresenta qualidade e inteligência também. Cria do Inter, o jogador se encontrou mesmo foi no Nordeste. Virou peça-chave já em 2015 e agora, com Milton, almeja o próximo passo. Com o futebol brasileiro passando por um processo de ''modernização'', que já deveria ter ocorrido, João Paulo torna-se um jogador bastante interessante para muitas equipes do futebol brasileiro. 

Nicolas Muller - @_nicolasmuller

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