9 de maio de 2016

Guia Tático do Brasileirão - Ponte Preta

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A Ponte Preta começa o Campeonato Brasileiro com a perspectiva de iniciar um novo trabalho com o recém contratado Eduardo Baptista. Os primeiros meses do ano tiveram Alexandre Gallo comandando o time de Campinas, entretanto, não houve sucesso na empreitada. O começo de Campeonato Paulista teve resultados ruins, onde chegou-se a cogitar risco de rebaixamento para a Macaca. Aos poucos, porém, vitórias foram aparecendo, mas nada que impedisse a precoce eliminação na primeira fase do regional. Na Copa do Brasil um êxito na eliminatória contra a Caldense, mas nada convincente. E foi aí que o desempenho irregular fez com a direção da Ponte opta-se pela demissão de Gallo e pela contratação do ex-treinador do Fluminense.

Eduardo Baptista começará o Brasileirão comandando a macaca.
(Foto: Jorge William/ Agência O Globo)

Agora, Eduardo inicia o Brasileirão com a ideia de um novo projeto. Ajustar os defeitos no time, manter a tradicional equipe paulista na primeira divisão e, quem sabe, superar as expectativas alçando voos maiores e inesperados na temporada.

ESTRUTURA TÁTICA




Com Alexandre Gallo, a Ponte Preta desenhava um 4-2-3-1/4-3-3. A defesa era formada, basicamente, por Jeferson, Douglas Grolli, Fábio Ferreira e Reinaldo. Dois laterais ofensivos e dois zagueiros fortes e altos. Na abertura de meio, aparecia Jonas e João Vitor, dois volantes com características de “passadores”. Élton e Renato, dois volantes mais físicos e de movimentação, também recebiam chances. A meia-central era por conta do jovem Ravanelli (18 anos), um jogador técnico e bem móvel. Na ponta-esquerda, um jogador mais circular: Felipe Azevedo, um extremo que “corta pra dentro” buscando chute ou construção, sempre com a liberdade para aparecer no meio ou na área. Na direita, um jogador mais veloz e agudo: Clayson, mas também poderia ser Taiberson ou Rhayner. Todos com ferramentas parecidas. A referência era do experiente Wellington Paulista, um centroavante definidor, mas que não deixa de se movimentar. O esquema respeitava as características das peças, geralmente, usadas (isso não quer dizer sucesso na execução, deve-se ressaltar). Estrutura  que pode ser mantida por Baptista.

FASE OFENSIVA

Com Alexandre Gallo, Ponte jogava no 4-3-3.

O jogo da Ponte Preta era feito bastante pelos lados com presença assídua dos laterais, principalmente de Reinaldo. Desde a saída de bola sempre havia procura pela extremidade. Essa ideia era facilitada pela característica leve e de capacidade de aceleração do time, que favorece essa procura por profundidade.

Com os lados do campo tomados, o próximo passo era a chegada na área adversária. Muitas vezes, esse tipo de infiltração externa já acontecia em perspectiva de invasão na grande área. Tanto que, dos quatro pênaltis sofridos pela equipe no Paulistão 2016, todos foram cometidos em cima de jogadores que atuam pelos lados (Felipe Azevedo, Reinaldo, Clayson e Nino Paraíba). A outra possibilidade, era o cruzamento na área, procurando o centroavante ou a aparição de um dos volantes ou de Felipe Azevedo. Só o lateral-esquerdo Reinaldo, proferiu 65 cruzamentos no último regional de São Paulo, por exemplo. Tudo isso a partir das constantes inversões de jogo, passes e aparições de Ravanelli ou da movimentação de Wellington Paulista.

Na flagrante abaixo, repare a ação da macaca. Sabendo que o companheiro vai mandar a bola na área, já há o movimento de dois jogadores para ocupação de espaço na meia-lua. Resultado: houve o cruzamento buscando o centroavante (já posicionado), a zaga afastou errado, e Felipe Azevedo apareceu livre para chutar e marcar o gol. Típica jogada de exercer superioridade numérica do time de Alexandre Gallo.

Típica jogada da Ponte que resultou em gol contra o Rio Claro.

Outra jogada forte era a bola parada, também aérea. Seja de escanteio, falta ou, até mesmo, de lateral. O zagueiro Douglas Grolli, por exemplo, já soma quatro gols na temporada nesse tipo de reprodução.

O desafogo do time é justamente Felipe Azevedo. Ele se move muito e com isso consegue criar jogadas com efeito para surpreender o adversário, além de possuir muito controle de bola e retenção. E parte daí, um dos desafios de Eduardo Baptista: preparar o time para saber lidar com situações onde é necessário “pegar de surpresa” o oponente e não depender apenas de Felipe para isso. A Ponte precisa de mais cartas na manga.

FASE DEFENSIVA

Exemplo da estruturação defensiva promovida por Alexandre Gallo.

A estrutura defensiva da equipe de Campinas consistia na formação de duas linhas de quatro convencionais, podendo variar para um 4-2-4 a partir do movimento dos pontas. Quando eles avançavam (frame abaixo), formavam um linha de bloqueio que visava impedir a transição adversária, seja lateral ou central. Já o 4-4-2 em linha era desenhado quando a ideia era “se segurar mais” para esperar o adversário e ter a possibilidade de ativar contra-ataques. Gallo também promovia alguns engates individuais, principalmente com os volantes. Mesmo com tudo isso nunca foi difícil encontrar espaços nas entrelinhas da Ponte. Havia distanciamentos.


No exemplo abaixo, fica à mostra essa ideia de espaçamento. A equipe tenta exercer uma marcação pressão sobre as triangulações do Corinthians, mas não consegue ter êxito, pois deixa muitos buracos às costas de Reinaldo. Com isso, os jogadores ofensivos corintianos conseguem tabelar e achar um grande espaço livre para atacar. Aliás, como ofensivamente era usado muito os alas, a conta era paga na defesa. Era comum achar muito espaço por trás dos laterais. Mais trabalho para Eduardo Baptista.

Sistema defensivo da Ponte deixava muito espaço às costas dos laterais, principalmente, no lado esquerdo.

TRANSIÇÃO

Em questões de passes certos, Reinaldo e Jeferson ocupam a segunda e terceira posição, respectivamente, no ranking da equipe no Paulistão. Em passes errados, os dois lideram. Mais uma prova do quão eram participativos no jogo. E na transição, isso não era diferente. O conceito começava pelos volantes. Ravanelli e Felipe Azevedo participavam, mas não era frequente. Geralmente, era saída pelo lado ou ligação direta, já que invariavelmente o time jogava com pelo menos um volante “passador”.

O frame abaixo mostra muito disso. Jonas recebe a bola e tem alinhado consigo João Vitor, mais à frente Ravanelli, e Jeferson posicionado na direita. Ele inclina o corpo e lança a bola verticalmente para Reinaldo que já está quase na linha de fundo do campo de ataque. Basicamente, era isso que acontecia. E muitas vezes, o “long ball” era feito pelos zagueiros também, sempre procurando o ala ou ponta.

Formato de transição da Ponte. Modelo, nessa situação do jogo, também é propício à inversão de bola e procura por amplitude nos flancos.


DESTAQUE TÁTICO

Felipe Azevedo é o melhor jogador da Ponte Preta (Foto: Carlos Velardi).

O destaque tático da Ponte Preta é também o seu jogador com maior qualidade técnica. Felipe Azevedo é o homem que tira o time da mesmice. Chuta de fora área, aparece na marca do pênalti, se movimenta, inverte, flutua. Se mostrou um nome indispensável no começo do ano e se for bem utilizado pelo novo treinador continuará sendo uma peça de grande importância no elenco da macaca.


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Edited by Douglas Menezes