9 de maio de 2016

Guia Tático do Brasileirão - Palmeiras

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Depois de um primeiro semestre extremamente irregular, o Palmeiras entra no Campeonato Brasileiro sob nova direção. O técnico Cuca, campeão da Libertadores de 2013 pelo Atlético/MG, é o comandante do elenco mais caro e mais homogêneo do futebol brasileiro. Até pelos requisitos citados, se espera muito do Palmeiras. Mesmo sendo campeão da Copa do Brasil do ano passado, o Verdão não conseguiu sob o comando de Marcelo Oliveira apresentar um plano de jogo eficaz e organizado. Desafio que Cuca terá que vencer.

Cuca foi contratado para que o Palmeiras passe a ter enfim um time confiável, o que é diferente de um elenco de qualidade


Em virtude da recente troca de comando, é complicado afirmar os conceitos de jogo que o Palmeiras apresentará. Foram 11 jogos sob a direção do treinador, mas a equipe teve desfalques e a obrigação de vencer determinadas partidas, além de pouco tempo para treinamento. No período foi possível perceber alguns indicativos que iremos expor logo abaixo.

Um dos pedidos feitos pelo treinador foi a troca envolvendo o meia Robinho e o lateral Lucas por Fabiano e Fabrício do Cruzeiro. A transação gerou polêmica. Principalmente pela qualidade técnica e capacidade de cumprir diferentes funções táticas apresentada por Robinho. Lucas era titular ano passado, reserva em 2016, mas é considerado superior a Fabiano, jogador com características mais defensivas. Fabrício não tinha conseguido se firmar na Toca da Raposa. É talentoso, mas extremamente temperamental e irregular. Cuca deve utilizá-lo na extrema esquerda.

O Palmeiras tem um dos maiores orçamentos do futebol nacional, um elenco estrelar, um estádio novinho em folha e com ótima média de público, além de ter de conviver com os sucessos recentes do arquirrival Corinthians. Pressão não vai faltar. Resta saber se Cuca e seus comandados vão suportá-la e conseguir apresentar um rendimento condizente com o nível técnico do plantel.

ESTRUTURA TÁTICA

Cuca variou bastante a forma com que dispunha a equipe em campo. Não chegou a utilizar uma formação com três homens atrás, como já fez várias vezes em sua carreira, mas é uma possibilidade em aberto para a competição. Principalmente após a chegada de Fabiano, lateral que também pode jogar na zaga.

Entre as principais alterações estão a escalação de Gabriel Jesus mais centralizado no ataque. O recuo de Alecsandro e a reaparição de Cleiton Xavier recuperado de lesão também merecem destaque. Gabriel parece com vaga cativa entre os volantes e o jovem Thiago Martins é o titular ao lado de Victor Hugo. O ótimo zagueiro Mina, do Independente Santa Fé, chegará e a briga vai ficar acirrada. Allione e Dudu deverão ser os titulares nas extremidades do campo.

Uma das possibilidades é a equipe no 4-2-3-1 com Cleiton Xavier como meia central e completando a linha com Dudu e Allione. Gabriel Jesus mais avançado, como referência móvel, deve ser uma constante. Assim como Jean na lateral direita
Esta opção com Alecsandro mais recuado, mas jogando como atacante, deixando a profundidade com Gabriel Jesus na maioria dos lances. Cleiton Xavier como volante.


FASE OFENSIVA

O Palmeiras tinha um grave problema com Marcelo Oliveira. Dependia demais da individualidade de seus jogadores para criar jogadas. Não havia muitas jogadas combinadas e conceitos efetivos de jogo. Na maioria das vezes as bolas levantadas a esmo na área eram a grande arma.

Com Cuca o time passou a ter mais jogadores chegando dentro da área. Ainda não há uma gama de jogadas que flua de forma satisfatória. Ainda vemos muitos cruzamentos para a área, mas com parâmetros mais bem definidos. A presença de Gabriel Jesus mais perto do gol eleva a qualidade técnica da equipe no momento de definição. Cleiton Xavier no meio melhora a articulação e Dudu vai retornar para preencher com ainda mais qualidade o setor ofensivo.

Aqui um dos exemplos do maior número de jogadores chegando ao último terço do campo. Neste momento o Palmeiras buscava o gol de empate na semifinal contra o Santos, mas anteriormente não atacava tanto a área adversária.


TRANSIÇÃO DEFENSIVA

Cuca parece querer que o Palmeiras mantenha a posse de bola e para isso pede que seus jogadores a recuperem o quanto antes. Já ficou claro o princípio de pressionar bem agressivamente a partir do momento em que o adversário rouba a bola. Para executar este mecanismo com eficiência é preciso muito treinamento. Na inter-temporada realizada no interior de São Paulo, o treinador pediu muita agilidade na mudança de atitude. Mudar a ‘’chave’’ para o combate ao adversário imediatamente após perder a bola.

Nos jogos da reta final do Paulistão a equipe variou bastante entre uma execução eficaz e espaços para o adversário. O primeiro gol contra o Santos na semifinal é exemplo claro da irregularidade nesta fase. Matheus Salles é o jogador que parece ter entendido de forma mais rápida esse pedido. A pressão na saída de bola adversária tem funcionado melhor.

Matheus Salles tenta retomar a bola logo depois que Alecsandro desperdiça a posse e obtém sucesso.
No mesmo jogo, porém, Salles tenta desarmar da mesma forma, mas é iludido e não conta com a cobertura dos jogadores mais próximos. Falta mais coordenação na execução desse princípio. Na sequência da jogada Gabriel vai marcar para o Santos na semifinal do Paulistão.
Aqui um flagra da pressão na saída de bola do São Bernardo, nas quartas de final do Paulistão. São sete jogadores no campo de ataque, os seis da imagem e mais Alecsandro, fora do enquadramento.


FASE DEFENSIVA

Grande calcanhar de Aquiles na era Marcelo Oliveira, o sistema de marcação no Palmeiras de Cuca mudou pouco. A diferença é a duração dos encaixes individuais por setor. Com o campeão brasileiro de 2013 e 2014, o Verdão tinha seus atletas acompanhando os adversários em regiões muito distantes de seus setores de origem. O resultado era generosos espaços e muita desorganização defensiva. Com Cuca, os encaixes persistem, mas a duração das perseguições é menor. Há mais trocas e uma preocupação em não se distanciar tanto de sua zona inicial. Essa mudança não é tão simples e o técnico terá bastante trabalho para ajustar algo que deu errado durante pouco mais de um ano, já que  durava desde a passagem de Oswaldo de Oliveira pelo clube.

Aqui os encaixes que muitas vezes prejudicam o Palmeiras. Veja como Matheus Salles está longe de seu setor e Gabriel Jesus começa a fechar para acompanhar Renato, desfigurando completamente a equipe.


TRANSIÇÃO OFENSIVA

Em todos os seus trabalhos, Cuca sempre montou equipes de muita velocidade na transição ofensiva. Seja por construção curta ou longa - esta na maioria das vezes -, seus times buscam pegar o adversário ainda desorganizado. O Palmeiras tem jogadores de muita velocidade e um ótimo ‘’passador’’ no meio-campo, Cleiton Xavier.

O camisa 10 também é opção para cadenciar o jogo, mas não parece ser esta a ideia. Alecsandro como titular ‘’por trás’’ de Gabriel Jesus, possibilita um jogador de boa estatura e eficácia no jogo aéreo. Seja como for, o time palestrino apresentou evolução em sua saída de bola. Teve mais aproximação e movimentação dos atletas de meio para que as linhas de passe fossem geradas.

Exemplo de saída de bola um pouco mais organizada e aproximação pelo centro do campo. Matheus Salles domina a bola e tem duas opções de passe. Hoje existe mais movimentação e a preocupação em sempre aparecer para jogar.


DESTAQUE TÁTICO 

Na base do Palmeiras Gabriel Jesus não era escalado exclusivamente como um jogador que atuasse pelas pontas. Variava entre os flancos e o centro do campo. Cuca parece querer retomar esse caminho na carreira do talentoso atleta e a média de gols dele já aumentou. É um atacante de muita velocidade e capacidade de improviso. Tem evoluído nas finalizações e ajuda no combate na saída de bola rival.

Gabriel Jesus já é um dos principais jogadores da equipe e vem sendo escalado mais perto do gol. Média de bola nas redes dos rivais já aumentou.

Rodrigo Coutinho - @RodrigoCout


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