9 de maio de 2016

Guia Tático do Brasileirão - Internacional

Compartilhe nas redes sociais

O Internacional começará o Campeonato Brasileiro de 2016 de uma forma atípica. Acostumado a sempre entrar no torneio nacional como favorito ao título, desta vez, o colorado não terá este status. Com um elenco mais jovem, menos qualificado do que nos outros anos e com desconfiança em volta do técnico Argel Fucks (mesmo com o título gaúcho), ainda não é possível decretar o que o time gaúcho pode almejar na sua principal disputa da temporada.

Argel ainda não convenceu 100% (Foto: Alexandre Lops/ Internacional).

Apesar de só ter disputado o Campeonato Gaúcho e a Primeira Liga no primeiro semestre, Argel ainda não conseguiu usar todo esse tempo para consolidar um conjunto. Algumas evoluções chegam a aparecer, mas não se estabelecem, fazendo com que a irregularidade e a cobrança por parte da torcida sejam constantes pelos lados do Beira-rio.

Mas nem é tudo culpa de Argel. O elenco ainda precisa de complementos. O primeiro reforço, o meia Seijas, tem tudo pra agregar no time que vem jogando. Porém, não pode ser o único. Vitório Píffero e seus aliados da direção prometem a chegada de mais jogadores e precisam cumprir tal afirmação.

Após 37 anos sem conquistar este troféu, é preciso desempenho equilibrado para desejar o título brasileiro. O Inter começa o campeonato buscando afirmação e vitória sobre suas dúvidas e incertezas. Depois de muito tempo, o colorado precisará surpreender.


ESTRUTURA TÁTICA








Argel gosta de desenhar o time de duas formas: Com dois volantes mais combativos alinhados (Bob/Dourado/Fabinho) ou com o meia Anderson partindo da primeira faixa.

Na primeira opção, o time conta com um 4-4-2 “quadrado” que varia para 4-2-3-1. Nesse formato, os homens de frente tem maior liberdade para trocar de posições. Bob fica fixo, Dourado (ou Fabinho) é o volante que apoia mais, Anderson cai pelo meio quando Andrigo cai pelo lado e vice-versa. Na frente, Sasha e Vitinho partem dos flancos e revezam a posição de “falso 9”. É um time mais pragmático e que tem rendido menos.

Na outra forma, com Anderson na abertura do meio-campo, o time desenha um 4-2-3-1 mais evidente. As posições se tornam mais "fixas”. Com Anderson vindo de trás, Andrigo ocupa mais a faixa central (local de preferência do jovem meia) e com Aylon na referência, Vitinho e Sasha se tornam pontas mais definidos, mas não sendo raro ver os dois aparecendo na área. Eventualmente, Marquinhos pode aparecer no time titular no lugar de Aylon. O time ganha em velocidade e agressividade pela extrema e Vitinho e Sasha voltam a se revezar na frente. Porém, a grande vantagem desse esquema é o posicionamento de Anderson. De “segundo volante”, ele passa a jogar “de frente para o gol” aumentando a criação do time, já que esse jogador conta com excelente passe e visão de jogo, além de ser capaz de unir os setores na transição. O seu desempenho cresce e a equipe se torna bem mais dinâmica. O Inter rende mais nessa ideia.

FASE OFENSIVA

Com Anderson de meia, o jogo colorado se dá inteiramente pelos lados. Argel libera os laterais para ir à frente a todo momento. Os dois ao mesmo tempo, inclusive. E quando esses jogadores recebem a bola, partem para o cruzamento mesmo sem um centroavante característico na área. São poucas as vezes que o time procura jogadas pelo centro ou tenta combinações para executar infiltrações. O jogo se baseia em acionar os alas ou quem estiver com liberdade no lado para, em seguida, procurar colegas de time na área. Não é à toa que o colorado é a equipe, entre os 12 grandes do futebol brasileiro, que mais faz cruzamentos por jogo. São, em média, 25,4.

Nesse exemplo, Inter busca o afunilamento, porém, não é para combinar e sim para abrir espaço para Artur participar do jogo lá na esquerda.

Laterais buscando profundidade são cenas comuns em jogos do Inter.

Na outra opção de time, com Anderson de volante transicional, a situação se repete: laterais espetados e grande procura pelo jogo pelos flancos. Só que desta vez, o esquema é mais definido em suas posições, fazendo os alas sempre terem companhia, não precisando mandar a bola para a área a todo o custo. Há a opção de tabela e retenção. Sem contar que, com Anderson tendo toda a amplitude e campo de visão livre à sua frente, o time começa a desenvolver algumas infiltrações e ocupação de espaços pelo meio, acabando com a previsibilidade do coletivo.

Com Anderson vindo de trás, Andrigo deu opção diferente de criatividade pelo meio. Jogada resultou em gol com assistência do ex-Manchester United.

FASE DEFENSIVA

Esquema defensivo de Argel é o 4-2-4.

O Inter se defende no esquema 4-2-4. A primeira linha de marcação não tem posição fixa. Os quatro homens de frente que forem escalados se posicionam aleatoriamente, dois pelos lados e dois internamente, com a intenção de bloquear precocemente as ações de transição do adversário, tanto lateralmente como pela parte central. Contudo, não é exercida marcação pressão. Essa linha se posiciona na faixa divisória no meio-campo. Não é comum ver a equipe adiantar as suas linhas. Se o adversário quebrar esse primeiro bloqueio, os extremos recuam e formam as clássicas duas linhas de 4. Na imagem acima, isso é mostrado. O Novo Hamburgo consegue avançar no lado direito de defesa do Inter, fazendo com que Marquinhos e Paulo Cézar Magalhães se aproximem e pressionem para evitar o prosseguimento da jogada.

TRANSIÇÃO

Transição colorada é baseada na “saída de três”.

A transição do Inter tem uma peça importantíssima: Fernando Bob. O “primeiro passe” é dele e o mesmo tem sido muito efetivo nessa função. Bob, se posiciona pelo meio como um terceiro zagueiro, encostando em Paulão e Ernando. Com isso, ele logo recebe a bola para começar a construir o jogo com sua ótima qualidade no passe. Essa ação permite, também, que não aconteça a ligação direta quase sempre inútil, já que a dupla de defensores centrais não possuem qualidade para reproduzir essa ideia. Os laterais e Dourado (ou Fabinho) também são ativos nessa parte da partida. Como percebe-se na imagem, Artur a Fabinho já vão se posicionado para participar da saída de bola.

A transição também muda quando Anderson joga primeira faixa do campo. Bob continua com seu posicionamento, mas tem a companhia do ex-gremista, que recua bastante para ter espaço para avançar com bola dominada e fazer seu jogo. Isso cria uma boa quantidade numérica naquele espaço, povoando bem o setor, como mostra o flagrante abaixo.

Anderson faz bem o preenchimento de espaço no primeiro setor.

DESTAQUE TÁTICO

O destaque tático colorado tem sido o volante Fernando Bob. O jogador que veio da Ponte Preta no começo da temporada, resolveu o problema de “transição quebrada” que o Inter tinha na temporada passada. Somados a sua qualidade na saída de bola, aparecem seus ótimos números:  média de 2,9 desarmes certos por jogo no Gauchão, apenas 3 cartões amarelos e nenhum vermelho em 10 jogos comprovando sua importância e eficiência dentro do coletivo do Internacional.

Inter foi cirúrgico na contratação de Fernando Bob (Foto: Ricardo Duarte/Divulgação Inter)


Deixe um comentário

Todos os comentários postados são de responsabilidade de seus autores. É necessário estar logado no facebook para comentar.

 

Bem-vindo ao Linha Alta. Site com conteúdo futebolístico.

© Linha Alta 2016

Edited by Douglas Menezes