9 de maio de 2016

Guia Tático do Brasileirão - Grêmio

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Pegue o surpreendente Grêmio de 2015, adicione Miller Bolaños, um pouco mais de responsabilidade e um sistema defensivo totalmente desequilibrado. Pronto, aí está o Tricolor de Roger Machado versão 2016.

Roger Machado, o comandante tricolor (Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA)

O Brasil foi pego de surpresa por um Grêmio moderno, jovem e ambicioso no último ano. Uma temporada de transformação financeira tornou-se, também, uma jornada para solidificar um time, um elenco, um conceito de jogo e um treinador jovem, mas capaz de (quase) tudo.

O time entendeu as ideias propostas pelo comandante e executou com sucesso. O resultado foi a inesperada classificação para a Libertadores de forma direta, a breve luta pelo título e a terceira colocação final no Brasileirão. Em uma temporada fadada ao marasmo de um meio de tabela, foram grandes feitos e criaram uma enorme expectativa para 2016.

ESTRUTURA TÁTICA 

O Grêmio de Roger Machado é um camaleão. Se adapta a diferentes formas de jogo, mas geralmente gosta de ter a bola. A equipe tem vários conceitos bem definidos: amplitude, saída de bola terrestre, circulação rápida para mexer os jogadores rivais, movimentação e trocas de posição na fase final de construção, pressão na saída de bola adversária, compactação sem a bola, marcação por zona e intensidade. 



Esses conceitos somados à estrutura tática (posicionamento inicial dos jogadores) e características dos atletas formam o que chamamos de modelo de jogo. É a forma como a equipe treina e joga. Quando um titular está indisponível, quem assume a vaga sabe o que fazer, porque foi induzido a entender o modelo de jogo nos treinamentos. Isso é modernidade.

Roger, desde o início de sua caminhada à frente do Grêmio, utiliza dois esquemas: 4-2-3-1 e 4-4-2. O primeiro é utilizado quando a equipe tem a bola, já o segundo é preparado para quando a posse de bola está com o adversário.  


O meia-central da linha de três do 4-2-3-1 se une ao atacante e forma uma dupla, sustentada por duas linhas de quatro bastante compactas. Facilita para pressionar a saída de bola do rival e garante ter dois jogadores próximos em caso de contra-ataque. Geralmente quem joga nessa posição é Douglas. Mas, claro, há muita movimentação com a bola. Os quatro jogadores de frente trocam de posição inúmeras vezes durante a partida.

FASE OFENSIVA 

Jogadores de frente pisando na área e Douglas fazendo o que faz de melhor: passe vertical.

O Grêmio gosta de ter a bola no pé e construir. Quando se coloca no campo adversário, busca circular a bola até encontrar algum espaço. Quem ‘’controla’’ as ações geralmente são os volantes Maicon e Walace (volantes participando da construção, modernidade!). São eles que traçam um rumo aos lances. E em 2016, principalmente, também participam com infiltrações (mais comum por parte do Maicon) e chutes de fora da área. Essa nova postura parte de um pedido do treinador, que vê importância nos jogadores do meio ‘’pisando na área’’.

Outra mudança evidente do Grêmio de 2016 é a adaptação do centroavante Bobô ao conjunto. Isolado em 2015, quando a equipe usava Luan como falso 9, o experiente jogador melhorou suas condições físicas e agora consegue manter o ritmo de movimentação necessário ao ataque gremista. Bobô se tornou um 12º jogador, até pela lesão de Miller Bolaños (o provável titular) e a utilização de Luan como extremo. Ainda busca um lugar fixo no time titular, mas a concorrência é gigantesca.

Miller Bolaños e Luan devem revezar na função de falso 9 com todos os jogadores do elenco à disposição. Ambos são exímios aproveitadores dos espaços entrelinhas. Usam o espaço às costas dos volantes para quebrar a marcação rival.

Os laterais são fatores também na fase ofensiva. Roger utilizava Rafael Galhardo como um lateral bastante ofensivo (inspirado no posicionamento de Daniel Alves no Barcelona, jogava à frente para dar amplitude na zona final do campo), mas após a saída do então titular e os problemas defensivos que o time enfrentou, optou por rever esse conceito no momento. Com Ramiro assumindo a titularidade na direita e jogando bem, talvez vejamos isso voltar no decorrer do ano.

FASE DEFENSIVA

As famosas duas linhas de quatro e bloco médio, esperando o adversário para roubar e sair com velocidade. Detalhe para a troca de posição de Luan e Miller, muito comum durante os jogos.

Sem a bola, o Grêmio fecha os espaços com duas linhas de quatro bem próximas e dois jogadores à frente. Não tem um grande recuperador de bolas, então busca fechar os espaços do rival e interceptar passes. O balanço defensivo é correto, mas a recomposição dos extremos por vezes falha – principalmente quando joga Luan. A marcação é zonal.

E não há como falar das características defensivas do Grêmio sem citar o zagueiro Pedro Geromel. Possui posicionamento e qualidade técnica invejáveis. Em momentos que é inevitável ‘’sofrer’’, ele leva o piano nas costas.

TRANSIÇÃO OFENSIVA

Maicon com a bola na saída, M. Oliveira (destacado em vermelho) dando amplitude, jogadores de frente buscando o jogo (em rosa) e os dois zagueiros fixos como passe de retorno (em amarelo)

A transição ofensiva (quando a equipe recupera a posse e busca entrar no campo rival) é conduzida pelos volantes. Sempre no chão e com passes curtos, a equipe busca se colocar à frente. E sofre muito quando não tem um dos volantes titulares em campo.

Os laterais (em triangulações com os extremos ou conduções pelos flancos) e os zagueiros (como passe de retorno) também participam ativamente. As opções de frente buscam sempre se movimentar para criar linhas de passe.

Roger utilizou em alguns momentos a saída de bola lavolpiana (ou saída de 3) com Walace ou Maicon afundando entre os zagueiros, mas deixou isso de lado, por enquanto.

TRANSIÇÃO DEFENSIVA

Seis jogadores participando da pressão na saída de bola rival contra o Toluca

Quando perde a posse no ataque, o Grêmio busca exercer pressão para recuperar logo. Se o movimento não é bem-sucedido, a equipe se recompõe no 4-4-2 de linhas bem próximas. Varia de marcação-pressão para bloco médio (com os jogadores bem próximos e fazendo muita pressão no homem com a bola a partir da zona central do campo).

A pressão na saída de bola rival deixa alguns buracos normalmente, porque envolve também os dois volantes. Em vários momentos, Maicon avança para pressionar, recebe uma bola às suas costas e não tem velocidade para recompor a tempo, por exemplo. Grande fator para o começo oscilante do conjunto gremista na temporada. Pela presença de Pedro Geromel, isso não fica tão evidente. O zagueiro é excelente nas interceptações e se posiciona muito bem, evitando que essas bolas em buracos causem muito dano.

DESTAQUE TÁTICO 

(Foto: Lucas Uebel/Grêmio FBPA)

Todos os onze jogadores são importantes taticamente, mas sempre existe aquele que chama a atenção por realizar várias funções. No Grêmio há alguns jogadores que se enquadram nessa condição, mas o volante Walace conquistou um grau de importância muito grande. Constrói, faz coberturas, marca, se coloca como opção ofensiva cada vez mais e tem uma leitura de jogo acima da média. Deixou a sina de cartões amarelos em 2015 e faz jus cada vez mais ao apelido de ‘’Novo Pogba’’.

O Grêmio entra no Brasileirão 2016 querendo melhorar seu desempenho de 2015. Trouxe o ótimo Miller Bolaños, mas não repôs tão bem as perdas na defesa – o que explica bastante as inúmeras falhas defensivas. Se o Grêmio era o time que fazia poucos gols e sofria menos ainda, tornou-se o time que faz muitos gols (um dos melhores ataques do Brasil), mas também sofre gols em demasia.

Enquanto esbanja opções ofensivas, o Tricolor dos Pampas sofre com as poucas e nem tão qualificadas peças defensivas. Com contratações pontuais, pode formar um elenco capaz de vencer o Campeonato Brasileiro. E, caro leitor, com Roger Machado tudo fica um pouco mais possível, ainda mais quando se tem Pedro Geromel, Miller Bolaños e Luan Guilherme no elenco.


Nicolas Muller - @_nicolasmuller

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