9 de maio de 2016

Guia Tático do Brasileirão - Fluminense

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Com histórico recente de muitas trocas de treinador, o Fluminense entrou 2016 fazendo jus a esta fama. Dispensou Eduardo Baptista após início de ano com rendimento fraco e contratou Levir Culpi. O experiente treinador conseguiu solucionar alguns equívocos da equipe e melhorou o nível de atuação. O resultado foi o título da Copa da Primeira Liga e uma sequência de nove partidas sem perder. A eliminação na semifinal do Estadual, porém, e o tropeço contra a Ferroviária pela Copa do Brasil, demonstraram que o Tricolor das Laranjeiras ainda tem um bom percurso para percorrer até ter uma equipe confiável e pronta para brigar pelo título brasileiro.

Fred é observado por Levir Culpi durante treinamento do Tricolor. Os dois entraram em rota de colisão recentemente. Foto: Nélson Perez/FFC


Diante do cenário atual do futebol brasileiro pode-se prever que o Fluminense luta ao menos por uma vaga na Libertadores. O elenco, se não é do mesmo nível dos anos de patrocínio da Unimed, é bom, e possui carências que não o deixam muito atrás de nenhum outro no Campeonato Brasileiro. A questão principal parece ser recuperar Fred e fazê-lo atuar dentro do estilo de jogo proposto por Levir. O atacante soma apenas sete gols em 15 jogos na temporada, média muito abaixo da que costuma apresentar.

Cícero e Gustavo Scarpa vivem ótima fase, Magno Alves e Osvaldo pedem passagem no ataque, Jonathan ganhou seu espaço na lateral direita, Henrique e Gum parecem donos da posição na zaga e Pierre recuperou espaço no meio. Estas foram as principais transformações após a chegada de Levir. O elenco ainda tem bons valores como os zagueiros Marlon e Renato Chaves, os volantes Édson e Douglas, os meias Felipe Amorim, Marcos Junior e Danielzinho, e o atacante Richarlison.

Cerca de 30% do elenco tricolor é formado no ótimo trabalho feito nas divisões de base do clube. Há uma boa mescla entre juventude e experiência. Será necessário muito gás e sabedoria para não se desgastar desnecessariamente. Assim como o Flamengo, o Fluminense tem muitos jogos e viagens na temporada. Fruto da Copa da Primeira Liga e também do fato de o Maracanã estar fechado para as reformas necessárias para as Olimpíadas. A diretoria tricolor já acenou que mandará alguns jogos no Estádio Giulite Coutinho, que pertence ao América, mas partidas com mando de campo fora do Rio de Janeiro não estão descartadas.

ESTRUTURA TÁTICA

Levir mais uma vez arma a sua equipe em um 4-2-3-1. A execução do sistema de jogo é um pouco diferente no Flu. Não poderia ser diferente, são apenas dois meses de trabalho, mas a velocidade na transição ofensiva já pode ser notada. Scarpa, Osvaldo e Gérson trocam muito de posição na linha de meias. Cícero é o responsável pela saída de bola e Wellintgon Silva foi improvisado na lateral-esquerda. Jonathan ganhou espaço pela direita.

Time atua no 4-2-3-1 com muita troca de posições entre Osvaldo, Gustavo Scarpa e Gérson


TRANSIÇÃO OFENSIVA

Desde que Levir assumiu o tricolor, a equipe passou a acelerar sua transição ofensiva. Seja curta ou longa, o Fluminense tem como premissa tentar pegar o adversário desprevenido e executa alguns movimentos neste sentido. Welintgon Silva é muito acionado pela esquerda, assim como Osvaldo, sempre aberto em um dos dois lados. Gustavo Scarpa, ao contrário de Osvaldo, busca o centro do campo pela qualidade que tem no passe e característica de articulação com ótima visão de jogo.

Gustavo Scarpa saindo da ponta para o meio e vindo participar da articulação tricolor, uma constante no plano de jogo da equipe


Nesta fase reside um dos problemas que Levir precisa justar. Fred tem muita dificuldade em buscar a movimentação necessária para o funcionamento do esquema. Levir, desde que voltou ao Brasil, utilizou referências mais móveis no ataque. Atletas que não ficam restritos somente à região central do campo. A movimentação inclui a saída de Fred da referência para a entrada em diagonal de um atacante ou a infiltração de um meia. O ídolo tricolor tem encontrado dificuldades e quase deixou o clube em meados de abril após desentendimento público com Levir Culpi. Quando escalado, Magno Alves se adapta melhor, mesmo aos 40 anos de idade.

Outro jogador chave na transição ofensiva tricolor é o volante Cícero. Dono de bom passe, o camisa 7 se infiltra entre os zagueiros para fazer a ‘’saída de 3’’. Os laterais se projetam e Scarpa, Gérson e Pierre se movimentam para gerar as linhas de passe necessárias para progredir no campo de jogo. Esse mecanismo não é utilizado sempre, mas quando enfrenta adversários mais fechados e marcando mais atrás o Fluminense utiliza esse princípio.

Cícero entre os zagueiros em um dos momento que a equipe executa a 'saída de 3'
Aqui a representação geral de como a equipe fica com o recuo de Cícero para a saída de bola


FASE OFENSIVA

O Fluminense é um time insinuante. Consegue aliar bem velocidade e técnica, além de opções com os dois laterais apoiando muitas vezes de forma simultânea. Scarpa é o ponto-chave para permitir isso. O camisa 40 continua buscando o meio e abre o corredor para a passagem de um deles. Do outro lado, Osvaldo busca diagonais para possibilitar as linhas de passe. Há muita troca de lados da parte de Osvaldo e inversões no posicionamento de Gérson e Gustavo Scarpa.

Flagra do Fluminense chegando ao ataque com os dois laterais simultaneamente
Scarpa buscando o centro e Osvaldo do outro lado dando amplitude. Gérson se aproxima também pelo meio. Meias se mexem muito.

Cícero chega como apoio e retorno para os passes, e Pierre praticamente não participa desta ação. Já no terço final do campo, Scarpa ou Gérson encostam no flanco oposto ao que Osvaldo está para fazer as citadas diagonais que dão profundidade à equipe.

Gustavo Scarpa participa da articulação pelo meio, mas na hora da definição da jogada também busca as diagonais pelos flancos, sempre do lado oposto a que Osvaldo está. Neste lance ele recebe de Wellington Silva após uma bem sucedida 'saída de 3'


TRANSIÇÃO DEFENSIVA

É um ponto em que o Fluminense precisa se organizar. Na semifinal do Campeonato Carioca contra o Botafogo, ficou clara a dificuldade da equipe quando o adversário é forte nos contra-ataques. Há muita irregularidade nesta fase do jogo tricolor. A proposta é recompor a equipe rapidamente de modo com que cada jogador feche o seu setor, mas a execução está longe de ser a ideal. Não há tanta pressão no homem da bola adversário.

Time no 4-2-3-1 em transição defensiva, mas abordagem de marcação não é a ideal


FASE DEFENSIVA

O time marca em encaixes por setor. Cada atleta ‘’pega’’ o adversário que cai em seu setor e o acompanha até determinado ponto do campo. O problema é que nem sempre isso é bem executado e aí os espaços acabam aparecendo. Não é tão difícil perceber isso acontecer nos jogos do tricolor.

Aqui um flagra de como o encaixe por setor pode ser prejudicial e gerar espaços. Basta que um jogador se afaste demais de seu setor. Neste lance é o zagueiro Gum que sai muito da linha de defesa para acompanhar Walter e abre um buraco(círculo azul) ás suas costas. Vinícius entra em diagonal e arrasta Henrique. Lance levou perigo ao gol de Cavalieri


A marcação é feita em bloco médio e não é adiantada com tanta frequência. Quando faz isso, Gérson se adianta e junta-se ao centroavante no primeiro combate. Atrás deles duas linhas de quatro que oscilam bastante entre a compactação correta e espaços gerados justamente pelos encaixes citados no parágrafo anterior. O espaço entre os volantes nem sempre é o ideal e o Fluminense já levou gols por esse tipo de erro. A bola aérea também foi algo muito frágil até aqui. O time marca individualmente neste tipo de jogada e não tem tido a atenção devida.

Veja a distância entre os volantes nesta jogada. Na ocasião, Édson e Cícero estavam atuando. Airton do Botafogo percebe, se infiltra, e cria uma boa chance. Compactação e balanço defensivo precisam ser aprimorados


DESTAQUE TÁTICO 

Um talento! Gustavo Scarpa possui as principais características que um meia moderno deve possuir. É rápido, tem bom passe, chute eficaz, visão de jogo e ajuda na marcação. Um jogador que certamente pode estar entre os convocados para as Olimpíadas e infelizmente não deve ficar muito tempo em solo brasileiro. Parte de um posicionamento mais aberto, mas busca o meio do campo e ao lado de Cícero é o principal articulador de jogadas da equipe. Muito útil também nas cobranças de falta e nos escanteios.

Gustavo Scarpa é alvo de clubes europeus e a permanência dele nas Laranjeiras é de suma importância para uma boa campanha no Brasileirão. Foto: Nelson Perez/FFC

Rodrigo Coutinho - @RodrigoCout


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