9 de maio de 2016

Guia Tático do Brasileirão - Corinthians

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Em 2016, assim como em 2015, o Corinthians entra no Campeonato Brasileiro lutando pelo título. O atual campeão brasileiro perdeu para a temporada nomes como Renato Augusto, Jadson, Ralf, Gil, Malcom e Vagner Love. Repôs com jogadores que, de fato, já demonstraram bom nível como André, Giovanni Augusto, Guilherme e Marlone. E apesar de duas eliminações embaraçosas em casa para Audax e Nacional por Paulistão e Libertadores, respectivamente, não se pode desmerecer o Timão. Afinal a marca do time é a regularidade – qualidade que faz a equipe ser totalmente propícia a competições de pontos corridos.

Tite é, para muitos, o melhor treinador do futebol brasileiro. (Foto: Ricardo Flaitt)

E para obter o bicampeonato, a equipe conta com seu grande craque que, curiosamente, “joga” fora de campo. Tite é o nome em potencial. O treinador é o maestro dessa orquestra, o principal responsável pelo futebol pragmático, mas muito eficiente do time de São Paulo.

ESTRUTURA TÁTICA





O esquema tático do time é o 4-2-3-1 que, por vezes, pode se tornar 4-1-4-1 ou 4-3-3. Dois laterais participativos, com Fagner em grande fase Uma dupla de zaga com o ascendente Felipe junto com o jovem Yago. À frente dos defensores, Bruno Henrique é o responsável pela segurança. Ao lado dele, aparece uma das peças-chave do time: Elias. Com ótima capacidade de ser “box-to-box”, o jogador é fundamental em várias dinâmicas do time. Na linha de 3, temos Guilherme transitando, um extremo mais criativo (Giovanni Augusto) e um mais incisivo (Lucca). Na referência, há a figura de André que executa a função de um “9” bastante móvel. No conjunto geral, se torna um modelo com ações bem definitivas.

FASE OFENSIVA

Flagra do 4-2-3-1 corintiano bem definido.

Deve-se destacar uma coisa na parte ofensiva do Corinthians: a capacidade de compactação. Quando o time ataca, é raro ver o “homem da bola” sozinho. Sempre há a presença de um ou mais atletas para combinar jogadas. Também não há preferência para um tipo exclusivo de jogo. As ações se revezam entre internas e laterais. Os alas, aliás, são bem participativos, sendo para buscar profundidade e amplitude ou para inverter e aparecer na infiltração por dentro. Esse tipo de jogada acontece principalmente com Fagner. O lateral-direito é o líder do time em assistências e desarmes. Com os apoios de Giovanni Augusto e Elias, o seu flanco é o mais forte do conjunto.

Elias é outra peça importante na filosofia de jogo. Como a equipe se vale de muita aproximação, ele é o homem que “une” muito o time com sua capacidade de ocupar diversos espaços com muita intensidade. Marca bem, é ativo na transição e é um ótimo “elemento surpresa” com seu poder de leitura para aparecer na área ou tabelar. Sem contar, que é muito importante em “confundir” o oponente já que, mudando seu posicionamento mesmo sendo minimamente, o esquema já se altera.

Muitos consideram o Corinthians uma equipe reativa que aposta muito nos contra-ataques. De fato, sempre se destacou a coesão defensiva do time, além de seus contra-ataques serem reproduzidos com muita velocidade e com uma boa quantidade de jogadores aparecendo para participar. Porém, a média de posse de bola do coletivo é de 53 % e a de acerto de passe é de 83% por jogo. Isso prova que o time de Tite pode se adaptar a diferentes fases do jogo, já que passa a maior parte do tempo com a bola.

Exemplo de compactação: Corinthians coloca 7 jogadores em um pequeno espaço do campo para ter eficiência nas suas jogadas ofensivas.

FASE DEFENSIVA

O esquema defensivo do Corinthians é o 4-1-4-1, se revezando entre marcação com pressão alta e marcação mais recuada. Quando a ideia é pressionar a defesa, Guilherme avança e alinha com André para combater a defesa adversária com os extremos também subindo (segunda figura abaixo). Quando a ideia for “esperar mais”, o 4-1-4-1 fica bastante evidente como podemos observar no primeiro flagrante abaixo. O formato de sistema defensivo continua o mesmo do ano passado.

4-1-4-1 do time de Tite na fase de defesa.

Flagra da marcação pressão corintiana.

Outra observação relevante do sistema defensivo corintiano são as perseguições executadas. O adversário que estiver controlando a bola não tem sossego. Ele é pressionado, por vezes, por até três jogadores da equipe paulista, não importando a parte do campo (imagem abaixo). Mais uma vez, o fato dos jogadores sempre estarem juntos facilita essa reação de sempre pressionar para recuperar a bola assim que ela é perdida ou se ela estiver em uma faixa de perigo para o adversário.

E no geral, todo essa ideia tática de defesa tem dado certo. Foram apenas 8 gols sofridos (15 jogos) na primeira fase do Paulistão e 4 (6 jogos) na fase de grupos da Libertadores, por exemplo. Continua muito difícil para os oponentes atingirem a meta do goleiro Cássio, mesmo com a recente queda de produção do time.

Três jogadores do timão pressionam jogador do Red Bull Brasil, que não consegue seguir a jogada. É típico ver tal pressão triangular em jogos do Corinthians.

TRANSIÇÃO OFENSIVA

A transição do time paulista é por conta de Elias e Bruno Henrique. Os dois se alinham, se aproximam dos zagueiros para e receber e, em seguida, já procuram os jogadores de ataque - que sempre estão próximos dos dois - para prosseguir a articulação. É muito comum ver Giovanni Augusto e Guilherme recuando para povoar e auxiliar no começo das jogadas. Os laterais, geralmente, também participam na saída, quando o adversário congestiona a parte central. Ás vezes avançam ao ataque para exercer superioridade numérica, tendo assim, liberdade para receber bola longa vertical de Bruno Henrique que tem qualidade para executar essa ação.


Por terem qualidade no passe, Elias e Bruno Henrique são os responsáveis pela saída de jogo.

No exemplo abaixo, podemos ver que a equipe do Red Bull Brasil avançou as suas linhas para ameaçar uma reprodução de marcação pressão. Para quebrar a ação do adversário, o time alvinegro colocou 8 jogadores no seu campo defensivo para realizar e manter ideia de uma transição com toques e para não precisar rifar a bola e entregá-la ao adversário, como o mesmo desejava que ocorresse. Resultado: o Corinthians saiu para o jogo.

Corinthians povoa muito a transição para evitar ser pressionado pelo adversário.

DESTAQUE TÁTICO

Elias, o “motorzinho” do atual campeão brasileiro. (Foto: portaldenoticias.net)

O destaque tático do Corinthians não poderia ser outro senão Elias. Uma das “estrelas” remanescentes do ano passado, o jogador com várias passagens pela seleção brasileira parece estar em todos os lugares do campo. Capaz de executar com potencialidade todas essas funções citadas durante o texto, Elias é, sem dúvidas, indispensável nos mecanismos do jogo corintiano.


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