9 de maio de 2016

Guia Tático do Brasileirão - Botafogo

Compartilhe nas redes sociais

Campeão da Série B em 2015, o Botafogo retorna à primeira divisão do futebol brasileiro em um ano de continuidade no seu processo de reconstrução financeira. O vice-campeonato estadual e o bom nível de atuações da equipe dirigida por Ricardo Gomes não pareciam algo palpável nos primeiros dias de 2016. O clube perdeu jogadores importantes da temporada passada e, na visão de muitos, tem um elenco menos qualificado tecnicamente. O fato é que o treinador conseguiu montar uma equipe organizada e com interessantes variações táticas.

Bom trabalho de Ricardo Gomes faz Botafogo chegar ao Brasileirão em estágio mais avançado que o aguardado por todos no início do ano. Foto: Vitor Silva / SS Press


Por mais que a torcida alvinegra não goste e a gloriosa história do clube não combine com a afirmação, o Botafogo joga a Série A do Brasileirão 2016 pela permanência na elite. O rendimento demonstrado pela equipe até aqui na temporada possibilitam sonhar  um pouco mais. Talvez a metade de cima da classificação, mas o elenco ainda requer valores de mais talento e peças de reposição que mantenham o nível dos titulares.

Gilberto, Carleto, Willian Arão, Lulinha, Tomás, Camacho, Élvis, Daniel Carvalho, Diego Jardel, Marcelo Mattos, Henrique Almeida, Navarro, Ronaldo, Rodrigo Pimpão e Bill. Muitos desses jogadores não deixaram saudade na torcida alvinegra, mas outros tantos seriam úteis nesta temporada. Seja por questões técnicas, disciplinares ou financeiras, o Botafogo dispõe hoje de jogadores menos badalados do que a maioria que integra esta lista.

É bem verdade que a diretoria trouxe alguns nomes que já conquistaram espaço dentro do elenco e são bem utilizados por Ricardo Gomes. Joel Carli, Diogo Barbosa, Juan Salgueiro, Bruno Silva e Rodrigo Lindoso são os melhores exemplos, todos titulares. Gervásio Nuñez, Damian Lizio e o experiente zagueiro Émerson Silva ainda buscam o seu espaço. A base alvinegra, revigorada nos últimos anos, também produziu nomes importantes para a realidade do clube hoje: Ribamar, Luiz Henrique, Émerson Santos e Leandrinho já estão bem integrados. Há ainda reservas com potencial de titular, como Neilton, Sassá e Renan Fonseca.

ESTRUTURA TÁTICA

Ricardo Gomes conseguiu montar o Botafogo atuando de duas formas diferentes. Uma delas deverá ser mais utilizada em jogos dentro de casa ou contra adversários que tenham como proposta de jogo os contra-ataques. A outra é mais baseada em reagir aos estímulos do adversário com rápidos contra-golpes, uma das especialidades desta equipe. Nesta segunda opção há uma interessante alteração tática quando o time recupera a posse de bola.

Sem o volante Airton, Ricardo Gomes monta a equipe num 4-4-2 com Bruno Silva e Rodrigo Lindoso como volantes, Gegê e Leandrinho como meias, e Ribamar e Salgueiro na frente. O uruguaio circula bastante pela intermediária, mas não chega a cumprir a função de meia central.
Sem Airton entre os titulares a equipe se monta num 4-4-2. Leandrinho e Gegê buscam bastante o centro do campo quando o Botafogo tem a bola


Já com Airton em campo o Botafogo se organiza numa espécie de 4-3-2-1 com a bola e um 4-4-2 sem a posse. Bruno Silva abre para a direita e fecha o espaço junto com Luis Ricardo. Do outro lado, Gegê fica à frente de Diogo Barbosa. Com a bola, Gegê vira meia e busca o centro do campo, assim como Bruno Silva, que forma uma trinca de volantes com Airton e Rodrigo Lindoso. Em qualquer um dos desenhos apresentados, o Glorioso busca a amplitude ofensiva com os laterais.

Botafogo com Airton e sem a bola. Montado num 4-4-2
Já com a Bola, Bruno Silva forma uma trinca com Lindoso e Airton. Do outro lado Gegê, que ao lado de Salgueiro busca o espaço entrelinhas do adversário


TRANSIÇÃO OFENSIVA

O Botafogo tem um time que já absorveu bem os princípios de jogo idealizados por Ricardo Gomes. Até por isso consegue utilizar dois modelos em sua transição ofensiva. Quando recupera a bola próximo ao meio-campo, utiliza a velocidade para chegar o quanto antes ao gol adversário. Pela agilidade e força, Ribamar é muito acionado neste tipo de jogada, seja em uma bola curta ou em passe mais longo.
Aqui um contra-ataque rápido na semifinal do Estadual contra o Fluminense. Salgueiro e Ribamar se projetam para receber o passe longo. Tudo feito com muita velocidade.


Já quando rouba a bola perto de sua área, a ordem é sair de forma mais curta e nem tão rápida. O Glorioso agrupa muitos jogadores na região central do campo para gerar superioridade numérica e linhas de passe que possibilitem o avanço. Nas laterais o apoio de Luis Ricardo e Diogo Barbosa para o recebimento de passes é uma constante. Seja qual for o desenho tático,  Gegê, Bruno Silva, Leandrinho e Salgueiro buscam o posicionamento entre as linhas de marcação do adversário, deixando a amplitude a cargo dos laterais.

FASE OFENSIVA

Muda a fase do jogo, mas os princípios não. Segue a preferência pela superioridade na região central e a busca pelos espaços entrelinhas. Claro que há o apoio aos laterais e a aproximação para tabelas e triangulações. O último passe pode até sair de um cruzamento ou jogada pelos flancos, mas a preparação é feita pela região central.

Vejam o frame: Luis Ricardo(círculo vermelho) é quem recebe a bola pela direita e Leandrinho (círculo amarelo) já está entre as linhas do Fluminense
Aqui uma flagra com Airton em campo. Trinca de volantes montada e se aproximando do ataque. Mais à frente, aproximação entre Gegê, Salgueiro e Ribamar, todos por dentro e buscando o espaço entrelinhas do adversário
Mais um exemplo de Gegê entre as linhas e levando perigo na semifinal contra o Fluminense. Ele chutaria essa bola na trave.


O Botafogo é um time que se solta bem no ataque. Além dos laterais, é possível ver Airton se infiltrando na defesa rival, assim como Rodrigo Lindoso e Bruno Silva. Ribamar é o homem mais avançado, mas se movimenta bastante. Uma referência muito móvel que busca os lados e também a intermediária, o que faz com que a equipe padeça de mais profundidade em alguns jogos. Não foram raras as vezes em que o time teve posse no campo do adversário, mas criou poucas chances.

TRANSIÇÃO DEFENSIVA

A proposta é bem clara. Intensidade e rápida mudança de atitude. O Botafogo busca retomar a posse de bola assim que a perde e apresenta uma equipe bem coordenada na execução desse princípio. Bem agrupados, os jogadores tentam fechar as opções de passe, retomar a bola ou forçar o chutão. A equipe sabe que tem um contra-ataque perigoso e o sucesso nesse momento do jogo é muito importante.
Nesta imagem vemos um exemplo da rápida mudança de atitude da equipe. Wellington Silva recupera a bola pelo Fluminense, mas Gegê já tenta retomar, Bruno Silva diminui o espaço e Rodrigo Lindoso se aproxima. Do outro lado Leandrinho fecha para manter o balanço defensivo da linha de meio-campo.


FASE DEFENSIVA

O alvinegro carioca sempre se defende em duas linhas de quatro e deixa Ribamar e Salgueiro à frente delas para o primeiro combate. A postura é muito agressiva e o sistema adotado obedece a marcação por zona, algo que começa a ser implementado no Brasil de forma mais frequente agora.

Uma representação da linha de quatro para defender. Neste caso com Airton entre os titulares. Botafogo mostra boa coordenação na marcação por zona e no balanço das linhas.


Os jogadores dão mostras que entenderam bem os mecanismos, mas ainda há ajustes para serem feitos. Quando enfrenta jogadores que sabem se posicionar bem entre a linha de defesa e a linha de meio o Botafogo tem dificuldade. Nenê do Vasco, por exemplo, conseguiu desequilibrar os confrontos contra o Glorioso neste Estadual atuando ali. A compactação ainda varia bastante, mas é possível perceber avanços neste sentido.

Nenê aproveita o espaço entrelinhas na primeira fase do Campeonato Carioca. Desde então o time evoluiu neste princípio, mas mecanismo ainda não é perfeito.
Mais um exemplo na mesma partida.


DESTAQUE TÁTICO

Muitos podem questionar a escolha, mas Gegê é o destaque tático da equipe. O camisa 7 está bem longe de ser unanimidade até entre os torcedores alvinegros e não possui o mesmo talento que os grandes meias que vestiram a camisa do Botafogo, mas mostra evolução no sentido tático e tem crescido tecnicamente. Gegê é responsável por fechar o lado esquerdo da linha de meio-campo sem a bola. Com a posse sob o comando do Glorioso, busca o espaço entrelinhas do adversário pelo centro do campo e já produziu bons momentos por ali. Tem bom passe e chute potente de média distância. Precisa ser mais regular e ganhar velocidade de raciocínio.

Gegê bate uma falta no Campeonato Estadual. Jogador seria dispensado no início do ano, mas hoje é importante ferramenta nas variações táticas de Ricardo Gomes. Foto: Vitor Silva/SS Press

Rodrigo Coutinho - @RodrigoCout

Deixe um comentário

Todos os comentários postados são de responsabilidade de seus autores. É necessário estar logado no facebook para comentar.

 

Bem-vindo ao Linha Alta. Site com conteúdo futebolístico.

© Linha Alta 2016

Edited by Douglas Menezes