9 de maio de 2016

Guia Tático do Brasileirão - Atlético Paranaense

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O Atlético Paranaense se coloca como um dos postulantes à ‘’surpresa’’ da temporada, como de praxe. Terceiro colocado em 2013, o Furacão busca repetir a campanha que o colocou na Libertadores do ano seguinte.

(Foto: Gustavo Oliveira/Atlético/PR)

O rubro-negro conta com um dos elencos mais promissores do Brasil. Trabalhando muito bem com as categorias de base e buscando contratações pontuais, os atleticanos formaram uma espinha sólida e ainda contam com boas peças de reposição para a maioria das funções.

Mas, cuidado, um bom elenco nem sempre se traduz em bom futebol e resultados significativos. Por isso, Cristóvão Borges já deu lugar a Paulo Autuori na casamata da Arena da Baixada. A direção atleticana deixou de lado seu antigo padrão de treinadores jovens e buscou Autuori, com mais currículo, no Japão.

Quando cito isso, apresento-lhe vos a precocidade do trabalho de Paulo Autuori à frente do Atlético. Pouco mais de um mês para reanimar e construir algo em torno do que foi feito nos três primeiros meses do ano.  Paciência segue não sendo uma das características das diretorias do clube paranaense.

ESTRUTURA TÁTICA

Paulo Autuori, assim como Cristóvão Borges, utiliza o esquema tático 4-2-3-1. Sem a bola, formam-se duas linhas de quatro, com o meia central da linha de 3 se unindo ou ficando atrás do centroavante.



O Atlético tem dois volantes participativos com a bola (Otávio e Jádson) e dois laterais que apoiam muito (Eduardo, na direita e Sidcley, na esquerda), então sempre tem muita gente no setor ofensivo.   Se juntam ao quarteto final (formado, normalmente, por Nikão, Vinicius, Marcos Guilherme e Walter). Nikão é um extremo-armador bem moderno (é quem mais dá assistências no elenco, seja para gol ou para finalização). Contrastando com isso, temos Marcos Guilherme no outro lado. Mais driblador e rompedor de linhas, o jovem, ainda oscilante, é uma das esperanças da torcida dentro de campo.

Pelo centro da linha de três, há Vinícius. O meia ex-Fluminense é outro dos bons jogadores ofensivos do Atlético. Pisa na área, tem boa visão de jogo e drible. Ás vezes dá lugar a outro atacante - geralmente Pablo Felipe.

Walter, o centroavante titular, é um personagem do futebol brasileiro. Possui muito talento, mas compensa negativamente com temperamento e problemas físicos recorrentes. Em forma, sem lesões e focado, agrega muito ao conjunto de Paulo Autuori. Tem técnica para ''buscar'' a bola na entrelinha e bom físico para ser um centroavante de referência. O desafio aqui parece mesmo colocá-lo nos trilhos e não deixar desencarrilhar. 

FASE OFENSIVA

O Atlético de Autuori não joga prioritariamente pela posse de bola. É um time bastante vertical e que possui uma larga dificuldade em abrir o jogo quando precisa propor. A dupla de volantes é quem rege as ações ofensivas, principalmente Otávio. Mas não há fluência. Há pouca movimentação e isso dificulta muito quando o time precisa encontrar/criar espaços.

O uso do centroavante como pivô é um aspecto recorrente nos jogos do time. Walter, André Lima e Pablo fazem essa função muitas vezes. Pela presença dos meias dentro da zona de ação do centroavante, é uma boa alternativa. 

TRANSIÇÃO OFENSIVA

Por ter sempre Walter ou André Lima (e às vezes os dois juntos), o Furacão não tem vergonha de fazer a ligação direta da defesa ao ataque. Possui bons receptores e reduz riscos na saída de bola. Quando necessário, utiliza sim o famigerado lançamento direto, mas normalmente faz a saída terrestre com os laterais combinando com os extremos pelas pontas eou com a dupla de volantes participando. Sempre acelerando o jogo, diga-se.



Acima, exemplo de contra-ataque do Atlético Paranaense. Quarteto final buscando atacar o espaço vazio e com as posições de origem pouco importantes. Movimentação e verticalidade são a cara deste Atlético.

FASE DEFENSIVA



Sem a posse, o Atlético se posiciona no 4-4-1-1 em linha. Com ambas as linhas compactas e bastante corretas em termos de posicionamento. A marcação utilizada é zonal.



A destacar, também, a qualidade do volante Otávio nas recuperações de bola, líder no quesito no último Campeonato Brasileiro. O volante teve uma ascensão colossal no último ano e continua com o bom desempenho na temporada atual.

TRANSIÇÃO DEFENSIVA

A pressão na saída de bola não é tão forte, a equipe prefere agrupar homens próximos à linha que divide o campo. 

DESTAQUE TÁTICO

O maior roubador de bolas do Brasil (Foto: Gustavo Oliveira/ Site Oficial do Atlético Paranaense)

Surpresa em 2015, Otávio se consolidou como um dos bons e jovens volantes do futebol brasileiro. Um exímio recuperador de bolas, o cabeludo também contribui muito quando tem a bola nos pés. Ajuda na saída de bola quando necessário e, com a equipe postada no campo rival, centraliza as ações, ainda que deva participar mais. Com 21 anos, ainda busca uma vaga no grupo brasileiro para os Jogos Olímpicos – ainda que bem distante.

Com pouco tempo de trabalho de Paulo Autuori, é provável que vejamos algumas mutações ao longo do Campeonato Brasileiro para os atleticanos. O elenco não deixa a desejar, mas precisa ser bem manuseado para gerar resultados significativos. E isso só saberemos quando a bola rolar de vez.

Nicolas Muller - @_nicolasmuller

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