9 de maio de 2016

Guia Tático do Brasileirão - América Mineiro

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Após quatro anos longe da elite do futebol brasileiro, o América/MG está de volta a Série A. E o primeiro semestre reservou um grande estímulo para todos no clube. O Coelho venceu o Campeonato Mineiro, título que não vinha desde 2001, e revigorou as esperanças de se manter na primeira divisão.
Título mineiro dá esperanças de manutenção na Série A ao organizado time treinado por Givanildo de Oliveira


Mesmo com a conquista estadual não dá para negar que o principal objetivo do clube na temporada é estar acima da 17ª colocação na última rodada do Brasileirão 2016. Para isso conta com um técnico experiente. Givanildo de Oliveira mostra que mesmo aos 67 anos de idade não está defasado taticamente. Enfrentando adversários mais poderosos técnica e financeiramente, derrubou o primeiro obstáculo de 2016 com uma equipe que busca atuar de forma bem intensa nas diferentes fases do jogo.

O Coelho foi campeão em cima do poderoso Atlético/MG com certa autoridade, mas não é provável que busque as primeiras colocações no Campeonato Brasileiro. O elenco tem bons valores técnicos, mas nenhum jogador que faça a diferença. As peças de reposição não estão à altura. Mas o que tem feito de fato a diferença para o América é a adaptação da equipe a cada jogo. É possível perceber muitas mudanças nas escalações.


ESTRUTURA TÁTICA


É difícil definir uma equipe titular para o time treinado por Givanildo. O treinador ‘’roda’’ bastante o seu elenco e busca sempre escalar jogadores que tenham características próximas ao que precisa para as funções necessárias. O desenho tático também varia do 4-1-4-1 para o 4-2-3-1.

Borges e Vitor Rangel se revezam no comando do ataque. Enquanto que Danilo Barcelos pede passagem na briga por uma vaga no meio-campo. Lateral de origem, o camisa 14 fez três gols nos dois jogos finais contra o Galo. Quando ele é escalado como titular, Tiago Luis vai para o banco e Rafael Bastos é escalado como meia central.

É uma equipe muito mais reativa. Forte nos contra-ataques e que mostra muita aplicação quando precisa defender.

Aqui o América no 4-1-4-1, com Tiago Luis como meia interior ao lado de Claudinei e Rafael Bastos pela esquerda. Um time mais ofensivo
E aqui o Coelho no 4-2-3-1. Claudinei ao lado de Leandro Guerreiro e Danilo Barcelos como extremo pela esquerda. Rafael Bastos vira meia central. Vitor Rangel também pode ser titular na referência. Um time mais combativo.


FASE OFENSIVA

O time busca construir suas jogadas através da aproximação e de forma curta, mas com muita velocidade. A principal via para progredir no campo é o jogo pelas laterais do campo. Tanto Pablo e Osman pela direita, quanto Bryan, seja com Rafael Bastos ou Danilo Barcelos, pela esquerda, apostam muito nas ultrapassagens e na velocidade. Claudinei e Tiago Luis também encostam para a formação de mais uma linha de passe e a possível triangulação.

Um flagra das muitas ultrapassagens feitas por Bryan ao longo do jogo. Princípio é muito utilizado pelo América nos dois lados do campo.


Claudinei e Tiago Luis infiltram bastante na última linha defesa do adversário e é bem comum vê-los ao lado de Borges, que fica mais na referência. Boa opção para as jogadas de pivô. Quando o centroavante escalado é Vitor Rangel, há mais movimentação e trocas no comando do ataque.

Muitas vezes a qualidade na troca de passes não é a ideal e o time acaba errando muito. O problema é minimizado quando Rafael Bastos ou Tiago Luis encostam nos volantes ainda perto do círculo central. Rafael Bastos não dá tanta amplitude e profundidade quando escalado à esquerda. Busca mais o centro do campo e abre o corredor para Bryan passar. Do outro lado Osman já busca mais as jogadas de lado de campo. Não há muita troca de posição entre os extremos.

Rafael Bastos(circulado em vermelho) buscando mais o centro do campo e deixando o corredor para Bryan apoiar. Até por ter características de articulação, camisa 16 não dá tanta amplitude e profundidade.


TRANSIÇÃO DEFENSIVA

O time tem o espírito muito ‘’operário’’. Sabe que se não se dedicar nesta fase do jogo dificilmente terá bons resultados. Então é possível perceber muita velocidade e uma abordagem de marcação bem agressiva feita pelo homem que está mais próximo da bola. O restante da equipe busca retomar o posicionamento em seu setor o mais rápido que puder. O time toma poucos gols de contra-ataque.

FASE DEFENSIVA

O sistema de marcação adotado é por encaixe no setor. Cada jogador acompanha o oponente que cai em sua região do campo por determinado tempo. Esta perseguição ainda precisa de ajustes mais bem definidos. É comum ver Leandro Guerreiro se afastando demais da cabeça da área, seja para os lados ou ‘’afundando’’ dentro da linha defensiva. O fato gera espaços entre as linhas de marcação e a equipe já sofreu com isso.

Time do América defendendo no 4-1-4-1. Esquema é mais utilizado nas partidas dentro do Independência. Neste frame não vemos espaço, mas equipe se complica em alguns momentos em virtude da marcação por encaixes.


Quando Tiago Luis atua como meia-interior também há certa demora na recomposição e tendência a um espaço maior no meio-campo. Claudinei tem bastante consciência tática e costuma tentar equilibrar o cenário, mas nem sempre é possível. Quando consegue se compactar, o América é organizado na subida de marcação e atua com a última linha de defesa bem adiantada. Os zagueiros Alisson e Sueliton vem mostrando entrosamento.

TRANSIÇÃO OFENSIVA

Moldado para ter o contra-ataque como principal arma, o time americano imprime muita velocidade neste tipo de jogada. Tiago Luis e Rafael Bastos possuem bom passe de média distância e são os responsáveis por começar a construção. Se apresentam e buscam sempre a ultrapassagem dos laterais ou a projeção de Osman pelo flanco direito.

Uma outra forma de construção de jogadas é a bola longa para Osman, que possui 1,81m e bom aproveitamento no jogo aéreo. Ele raspa de cabeça e o centroavante sai da referência para buscar as costas do lateral-esquerdo adversário.

Quando as opções de jogo curto são escassas, a ordem é buscar Osman pela direita. Ele raspa e o atacante entra em diagonal nas costas do lateral-esquerdo adversário


DESTAQUE TÁTICO 

O time tem valores individuais que podem chamar a atenção neste campeonato. O goleiro João Ricardo, o meia reserva Matheusinho, o atacante Vitor Rangel e o meia Osman são alguns deles. Mas o atleta mais importante da equipe neste 2016 tem sido o lateral-esquerdo Bryan. Como o América utiliza quase que exclusivamente os lados do campo para a criação das jogadas, o jogador vem se destacando por aliar velocidade, força física e habilidade. Inclusive não se tem certeza da permanência de Bryan no elenco ao longo do campeonato. O Cruzeiro está interessado no jogador.

Lateral-Esquerdo Bryan é ótima opção de jogo pela esquerda no Coelho

Rodrigo Coutinho - @RodrigoCout

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