13 de abril de 2016

A questão tática na polêmica entre Fred, Levir e o Flu

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O desentendimento envolvendo Fred, Levir Culpi e a diretoria do Fluminense vem chamando bastante a atenção no noticiário esportivo dos últimos dias. Crise de vaidade do camisa 9 à parte, o problema tem parcela de origem na impossibilidade do centroavante se enquadrar no sistema de jogo ofensivo idealizado pelo treinador.
Foto: Nélson Perez/FFC

Desde que voltou ao Brasil, Levir Culpi tem armado suas equipes a partir de um 4-2-3-1 de muita rotatividade entre os jogadores mais avançados. Para isso é necessário uma referência móvel, um centroavante que se movimente mais e se integre ao princípio idealizado. Não é o ‘’falso 9’’! Desde Diego Tardelli, passando por André e chegando a Lucas Pratto, o Galo de Levir não teve o homem mais avançado fazendo essa função, mas sim participando das trocas de posições com os meias.

Dos três jogadores dirigidos por Levir no Atlético citados acima há características diferentes, mas Pratto e Tardelli cumpriram muito bem o que o sistema propõe. André, em volta com problemas disciplinares à época, não teve continuidade e uma análise mais profunda não é possível. A questão, porém, é a falta de adaptação de Fred a esse modelo. O ídolo tricolor, além de não mostrar-se fisicamente capaz de desempenhar a função, não parece disposto a abrir mão de seu estilo.
Aqui um exemplo da movimentação de Tardelli na semifinal da Copa do Brasil de 2014, contra o Flamengo. Ele sai da referência, busca o lado do campo e abre espaço para a infiltração de Carlos e Maicosuel. Na sequência, o Galo marcará um dos gols da vitória por 4x1
Na mesma competição, na final contra o Cruzeiro, outro exemplo de Tardelli arrastando a marcação para o lado e abrindo espaços para a infiltração dos meias.


Fred tem um estilo de jogo conhecido por todos e dissecado em números e imagens aqui. É um centroavante nato, adepto da região central do campo e que sempre busca a movimentação em profundidade quando a bola se aproxima da grande área adversária. O sistema que Levir começa a implementar no Fluminense não permite esse tipo de movimentação em todas as jogadas.
Agora o exemplo envolve Lucas Pratto. O argentino busca o lado do campo no mata-mata contra o Internacional na Libertadores de 2015. Na sequência, o Galo vai criar uma boa chance com a penetração de Luan no espaço vazio.


No sistema idealizado por Levir, em muitos lances de ataque, quem dá a profundidade é um dos meias. O centroavante funciona tentando puxar a marcação de um dos zagueiros para longe da última linha defesa ou para os lados do campo e abrir espaço para a infiltração de quem chega de trás. Fred tem inteligência para fazer isso, mas primeiramente precisa melhorar sua forma física e ter gás para mexer-se mais. A vaidade também atrapalha. Se enquadrar nesse sistema significa fazer menos gols e atuar mais coletivamente. É um dos velhos dogmas do futebol brasileiro: não se dá muita importância a movimentação sem a bola, a que abre espaços na defesa rival.
Um flagra do início da jogada do terceiro gol contra o Tombense, na semana passada. Já em campo na vaga de Fred, Magno Alves abdica de buscar a profundidade e recua para atrair a marcação do zagueiro. Percebam como Marcos Junior se infiltra e receberá de Gustavo Scarpa para marcar.
Mapa de calor de Fred: Reparem como as cores mais quentes se concentram na região central do campo. É onde o camisa 9 mais pisa
Agora o mapa de Magno Alves: vejam como não há cores tão quentes quanto no mapa de Fred. Exatamente porque a movimentação é maior, mais adequada ao estilo de jogo que Levir Culpi quer implementar no Fluminense.

Principal opção para a suplência de Fred no elenco tricolor, o veterano Magno Alves, mesmo aos 40 anos de idade, mostra-se mais capaz que o camisa 9 neste momento. Fisicamente mais inteiro e disposto a ‘’sacrificar’’ o seu instinto artilheiro. É claro que a anatomia do Magnata ajuda. Sempre foi um jogador extremamente leve e veloz, mas mostra mais senso coletivo que o centroavante a qual substitui hoje.

Fred é inegavelmente um dos maiores jogadores da história do Fluminense. Bicampeão brasileiro, maior artilheiro do Brasileirão na era dos pontos corridos, campeão carioca, excelente média de gols e uma coleção de atuações memoráveis com a camisa do clube. Mas precisa ser ídolo agora também. Entender que a coletividade é mais importante no futebol atual e respeitar a hierarquia do Fluminense.

Rodrigo Coutinho - @RodrigoCout

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