11 de março de 2016

Vasco de Nenê e Jorginho pode brigar por algo maior que o acesso nesta temporada

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Rebaixado para a segunda divisão na última temporada, o Vasco inicia o ano de 2016 de uma forma bem diferente da imaginada. Ao invés da depressão natural agravada pelo terceiro rebaixamento em menos de dez anos, o time mostra-se forte, dando continuidade ao processo evolutivo já iniciado na reta final da Série A de 2015. O prejuízo institucional e a mancha na história são inegáveis, mas dentro de campo o torcedor cruzmaltino tem motivos para sorrir e vislumbrar um ano de 2016 com retorno tranquilo para a Série A, possibilidade de título no Estadual e até mesmo na Copa do Brasil.

Por essas situações que somente o futebol pode proporcionar, o time de São Januário, mesmo rebaixado, já havia terminado o ano de 2015 jogando melhor que algumas equipes que obtiveram resultados esportivos muito mais satisfatórios, como o Palmeiras, campeão da Copa do Brasil por exemplo. Duas figuras aparecem como grandes responsáveis por isso. O técnico Jorginho e o meia Nenê, apostas que chegaram sob desconfiança, mas com muita capacidade conseguiram superar as expectativas do mais otimista dos vascaínos.

O treinador assumiu a equipe em agosto do ano passado, dez meses depois de deixar o comando do Al Wasl dos Emirados Arabes. Antes havia passado por América/RJ, Ponte Preta, Figueirense, Kashima Antlers, Flamengo e Goiás. Apenas na Macaca e no Diabo conseguiu fazer trabalhos com alto grau de aprovação. Portanto, para recuperar uma equipe virtualmente rebaixada não parecia a melhor opção. Mas Jorginho mostrou que evoluiu nos métodos de trabalho e na ideologia de futebol. 

Após um início desanimador, com direito a goleada de 6x0 contra o Internacional, afastou alguns jogadores da equipe titular e passou a escalar um time mais afeito ao bom trato com a bola no meio-campo, optando por meias de origem na função de volante. Além disso, conseguiu recuperar a confiança da equipe. Em 31 jogos no comando do Vasco, são 14 vitórias e apenas seis derrotas.

Já Nenê, cérebro do time e um dos atletas mais inteligentes taticamente em atividade no Brasil, chegou ao Vasco após alguns meses sem conseguir se firmar no West Ham e duas temporadas de sucesso no Catar. Antes disso, já havia tido boa passagem pelo futebol europeu vestindo as camisas de PSG, Monaco, Espanyol, Celta, Alavés e Mallorca. Não se tinha dúvidas sobre sua capacidade técnica, mas sim sobre a condição física e readaptação ao futebol brasileiro. Quando o clube o contratou, Nenê vinha de uma temporada de apenas oito jogos, todos como reserva, e quase três meses de inatividade.

Após algumas partidas, o camisa 10 da Colina foi respondendo positivamente e já são 14 gols vestindo a tradicional cruz de malta. De atacante de muita movimentação no início da carreira, Nenê foi apurando sua técnica na já qualificada perna esquerda e transformou-se num autêntico meia de muita criatividade e chegada forte na área. O ‘’número 1’’ ideal do 4-3-1-2 montado por Jorginho quando o Vasco tem a bola.

Com a bola, Vasco forma no 4-3-1-2 com Julio dos Santos e Andrezinho iniciando as jogadas, além de muitas ultrapassagens de Madson e Julio César pelas laterais.

Visão de jogo, habilidade, qualidade técnica e ótima finalização. Além das características, Nenê possui uma percepção tática acima da média da esmagadora maioria que atua na posição no Brasil. Os anos de Europa fizeram com que o jogador aprendesse a se posicionar e buscar espaços entre as linhas de marcação do adversário. Conceito recente no Brasil, isto já é uma realidade no Velho Continente há alguns anos.

No jogo contra o Botafogo, já no segundo tempo com Éder Luis em campo e a equipe no 4-2-3-1. Vejam como Nenê volta e se posiciona entre as linhas de marcação alvinegras. A movimentação confunde o quarto-zagueiro do Glorioso, que não consegue chegar a tempo na cobertura. Luan lança Éder Luis, que ganha do lateral-esquerdo e cruza para Riascos marcar

Também contra o Botafogo, mas no primeiro tempo ainda. Vasco atuava no 4-3-1-2 neste momento, mas a inteligência da movimentação é parecida. Na sequência da jogada criou ótima chance para Riascos.

No caso do Vasco, a necessidade do ‘’número 1’’ saber exatamente onde se posicionar e que lado do campo buscar de acordo com a jogada é ainda mais importante. Jorge Henrique, que faz dupla de ataque com Riascos, fica muito restrito ao lado esquerdo. Primeiro porque é o flanco onde consegue render mais e segundo porque precisa estar posicionado no setor para a transição defensiva. Portanto, o comportamento do camisa 10 vai ajudar a ditar em que lado a jogada começará a ser definida.

Já quando começa a defender, o Vasco monta duas linhas de quatro com Jorge Henrique à esquerda e Julio dos Santos dando o primeiro combate no flanco direito. Andrezinho alinha com Marcelo Mattos na cabeça da área e Nenê apenas preenche a região central ao lado de Riascos. Não é raro ver o colombiano participando mais ativamente do combate aos volantes e zagueiros adversários, seja numa marcação mais ‘’alta’’ ou em uma pressão mais ‘’baixa’’. Tudo para o camisa 10 ter gás suficiente na transição ofensiva e colocar em prática aquilo que pode oferecer de melhor, um grande acerto de Jorginho.

No clássico contra o Flamengo, linha de quatro no meio montada quando o arquirrival tinha a bola. No flagra, Andrezinho sobe e faz pressão em sua área de influência. Foi assim também contra o Botafogo. Sistema defensivo funcionou muito bem.

Jorge Henrique é questionado na parte técnica, mas na parte tática consegue cumprir exatamente o que Jorginho pede na fase defensiva e dá amplitude pela esquerda na ofensiva.

Nos dois clássicos que fez até agora na temporada, o Vasco dominou os seus oponentes. Venceu de forma convincente o Flamengo e sofreu um empate do Botafogo nos minutos finais. Defensivamente tem apresentado poucos problemas e os gols que tem sofrido são ocasionados em sua grande maioria por falhas técnicas individuais que desequilibram o sólido sistema defensivo.


Diante dos desafios que o ano apresenta, caso não aconteça algo catastrófico no clube, é bem provável prever uma Série B muito tranquila, boas possibilidades na Copa do Brasil e ótimas no Campeonato Estadual.

@RodrigoCout

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