8 de março de 2016

Ricardo Gomes começa a preparar bem o Botafogo no ‘ano da permanência’

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Em sua temporada de retorno à elite do futebol brasileiro, o Botafogo conta com alguns velhos problemas de ordem estrutural para montar uma equipe a altura de suas tradições. Sem um patrocinador master já há algum tempo e contando com baixíssimas rendas, além de receita escassa do sócio-torcedor, o alvinegro de General Severiano tem muitas dificuldades para fazer contratações de impacto e elevar o nível de seu elenco. O plantel não é dos mais destacados, mas o técnico Ricardo Gomes vem dando mostras de saber muito bem como deverá armar sua equipe para encarar o ano de 2016.


Ricardo Gomes terá trabalho árduo na temporada 2016 (Foto: Vitor Silva/SS Press)

Não adianta se iludir, o ano do Botafogo é de buscar estabilidade na elite. O clube sobrou na Série B do ano passado, mas há um abismo em todas as frentes entre as duas principais divisões do futebol brasileiro. Soma-se a isso a saída de alguns jogadores que foram titulares em período considerável no ano passado e um elenco repleto de apostas neste ano. Para fazer uma temporada digna é de suma importância um plano tático condizente com o principais objetivos do ano: ficar na Série A, fazer boa campanha na Copa do Brasil e tentar beliscar o título estadual.

Fase Defensiva

Baseado naquilo que tem em mãos, Ricardo Gomes monta o Botafogo com uma variação interessante e que busca surpreender os adversários. Na fase defensiva, a equipe forma duas linhas de quatro e a proposta é compactar, marcar por zona e ser agressivo na pressão ao homem da bola adversário. Ainda em início de temporada, é possível perceber algumas falhas na execução dos conceitos, mas nada que não seja aceitável nesse estágio do trabalho.

Time forma duas linhas de quatro e busca compactação

A ideia é se defender com agressividade, variando momentos de pressão e posicionamento mais atrás. Para isso escala no ataque dois jovens jogadores. Luis Henrique  e principalmente Ribamar possuem boa dinâmica para executar pressão na saída de bola adversária, recompor com qualidade e servirem como opções assim que a bola é retomada.

Linha disposta contra o Fluminense. Perceba que a distância entre os jogadores ainda não é a ideal

Não são craques e muito menos unanimidade. Ainda estão em processo de amadurecimento e subiram aos profissionais recentemente. Luis Henrique é mais técnico e goleador. Ribamar mais rápido e forte. Ao longo do ano contarão com a concorrência de nomes mais badalados, como Neilton e Salgueiro, atletas experientes e bons tecnicamente, mas a jovem dupla possui as características defensivas listadas acima como trunfo.

Mesmo sendo um clube gigante e muito tradicional, é preciso aceitar o momento. E a tendência é um Botafogo muito mais reativo do que proponente na temporada de 2016. Isso ficou claro nas duas partidas contra grandes disputadas até aqui. Contra o Fluminense e principalmente contra o Vasco a realidade foi esta. Até aqui a equipe saiu ilesa. É o único clube da Série A ainda invicto na temporada. São sete vitórias e um empate. Apenas três gols sofridos.

Aqui as linhas contra o Vasco. Compactação e agressividade ainda não são as ideais e Nenê recebe a bola com certo espaço para criar.

Fase Ofensiva

Já na fase ofensiva, um jogador é o ponto-chave para conseguir romper as linhas de marcação adversárias. Como busca construir as jogadas com calma, saindo na base de passes curtos e na aproximação, Ricardo Gomes escala Gegê para se deslocar ao centro e formar um 4-3-1-2 assim que sua equipe recupera a bola. Gegê não é uma sumidade, está longe de ter o mesmo talento de tantos outros meias que vestiram a 10 do Glorioso, mas no elenco atual é o jogador mais indicado para servir de ‘’ponta de lança’’ no meio-campo alvinegro.

No detalhe, Gegê busca as costas do volante e o Botafogo se arma no 4-3-1-2. Bruno Silva tem mais liberdade que Rodrigo Lindoso.

A ideia é que Gegê busque as costas dos volantes adversários e ajude a municiar a dupla de ataque. Outro ponto em que o meia canhoto vem se destacando nesse início de temporada e na chegada na área. Tem entrado bastante e já marcou até um gol desta maneira contra o Fluminense. Sua presença ajuda a confundir a marcação adversária e criar superioridade númerica em algumas ocasiões.

Movimentação de Gegê no primeiro gol contra o Fluminense. Entrando na área e recebendo cruzamento no segundo pau, entre zagueiro e lateral do Tricolor

Interessante observar também que dificilmente os atacantes do Botafogo buscam amplitude no ataque, isto é, abrem para as pontas. Se Neilton virar titular em breve, isso deve mudar, vide as caraterísticas do habilidoso atacante, mas momentâneamente não é a realidade. Há muitas trocas entre Ribamar/Luis Henrique e o próprio Gegê, mas pouca movimentação para os flancos do campo.

No Botafogo até agora, a amplitude ofensiva é responsabilidade dos laterais. A construção das jogadas, portanto, se concentra no meio do campo e o penultimo passe busca encontrar os laterais já no campo de ataque. Dentro desse contexto, o treinador tem contado com um bom início de temporada de Airton. O camisa 8 mostra-se mais concentrado em jogar bola e recuperar o nível demonstrado no Flamengo de 2009.

Mais um exemplo de amplitude com os laterais e Gegê chegando na área. Neste caso, Luis Ricardo cruza e Ribamar marca o segundo contra o Fluminense.

Ao seu lado, Rodrigo Lindoso, dono de bom passe, qualifica a saída de bola. Bruno Silva, contratado para ser titular na ‘’volância’’, ganhou mais liberdade em virtude da sua força física e boa técnica. É peça importante também na agressividade citada na transição defensiva.

A temporada não vai ser fácil, mas Ricardo Gomes começa a dar a organização necessária para que a torcida alvinegra tenha um ano tranquilo e o clube possa respirar em busca de um futuro próximo com o elenco mais qualificado e competitivo.

@RodrigoCout

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