30 de março de 2016

O futuro da Seleção pode ser trágico

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Que o empate arrancado na base da vontade e do recuo excessivo do Paraguai não sirva de cortina de fumaça. A seleção brasileira fez um jogo muito fraco no 2x2 da noite desta terça-feira no Defensores Del Chaco. Com muita dificuldade para fazer a leitura correta da partida, o Brasil foi dominado durante a maior parte do tempo por uma seleção sem muito repertório ofensivo, mas que soube usar aquilo que tem de melhor para abrir a vantagem no placar.

 
Dani Alves e Hulk comemoram o gol de empate. Rendimento tático da Seleção foi pífio mais uma vez - Foto: Rafael Ribeiro / CBF

Mais uma vez Dunga teve enorme dificuldade em colocar em campo uma estratégia condizente com as características do adversário. Quem assiste a seleção paraguaia jogar, sabe que a construção das jogadas é feita na base da bola aérea e da ligação direta, com pouquíssimas saídas de bola baseadas em passes curtos, tabelas e triangulações. A proposta guarani é ganhar as ‘’segundas bolas’’. Era prudente ao Brasil evitar o espaçamento dos jogadores na faixa central do campo de defesa, mas não foi isso aconteceu.
Paraguai que sufocou o Brasil na primeira etapa na base da ligação direta e da imposição física. Time guarani soube aproveitar espaço entre a trinca de meio do Brasil, por ali ganhou todas as ''segundas bolas''. Recuou na segunda etapa, não teve o contra-ataque e foi penalizado. Paulo da Silva atuou como lateral-direito no ortodoxo e burocrático 4-4-2 paraguaio.

Com a marcação baseada em encaixes individuais que apresentaram perseguições acima do indicado, o Brasil viu Luiz Gustavo, Renato Augusto e Fernandinho se distanciarem demais. O camisa 17 ‘’afundava’’ no miolo de zaga para que houvesse uma sobra dos zagueiros brasileiros. Os outros dois buscavam os volantes paraguaios e um grande espaço foi aberto. Por ali, o Paraguai ganhava as jogadas e ia se impondo fisicamente, ganhando profundidade através de passes nas costas dos laterais brasileiros. Sem um modelo eficiente de marcação, as coberturas também foram inexistentes.
Brasil mais uma vez no 4-1-4-1, mas desta vez com execução ofensiva bem distante do aceitável. Time pouco conseguiu ter fase ofensiva. Defensivamente, muito espaço proporcionado pelos encaixes de longa perseguição. Time extremamente descompactado no miolo de campo.

Com a bola, o Brasil não conseguia repetir a movimentação executada pelos volantes na partida contra o Uruguai. Faltava então opções de passe para a saída de bola, que sucumbia diante do organizado balanço defensivo dos paraguaios e as subidas bem coordenadas, pressionando a construção ofensiva brasileira. Em raras ocasiões o time brasileiro conseguia trocar passes e ter aproximação no campo de ataque. Não havia a movimentação de Neymar entre as linhas e a profundidade proporcionada por Ricardo Oliveira também não era aproveitada no primeiro tempo.

O sufoco proposto pela seleção da casa durou até a vantagem numérica se tornar confortável e aí veio o recuo excessivo paraguaio. Dunga demorou a colocar Lucas Lima em campo, mas felizmente ainda havia tempo para uma melhor articulação de jogadas pelo meio quando o fez. Já com Renato Augusto como primeiro volante, o Brasil pressionou o Paraguai e conseguiu o empate na base da superioridade numérica e da vontade.

 
Aqui o flagra da origem do segundo gol paraguaio. Percebam o quanto Luiz Gustavo se afasta de sua área de influência (retângulo vermelho). O camisa 17 faz isso porque foi perseguir Santacruz, atacante paraguaio. Esta foi a tônica do jogo. Como o Paraguai atua com dois atacantes, o primeiro volante brasileiro recuava ou abria muito para os lados para que a zaga brasileira não ficasse no 'mano a mano'. Resultado = espaço de sobra em seu setor para Ortiz dominar e servir Edgar Benitez

Ponto positivo para o psicológico do time, que demonstrou poder de recuperação e uma atitude bem diferente do jogo contra o Uruguai. Ponto negativo para a completa falta de leitura tática da comissão técnica brasileira. O empate deve ser comemorado por representar mais um ponto na disputada tábua de classificação, mas a atuação deixa a certeza que, caso não haja mudança no comando técnico, o Brasil corre sérios riscos de ficar de fora de uma Copa do Mundo pela primeira vez na sua história.

Rodrigo Coutinho - @RodrigoCout

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