11 de março de 2016

Lesão de Dátolo impediu possibilidade de triunfo do Galo no jogão de Santiago

Compartilhe nas redes sociais

Tem certeza que todo jogo que termina 0x0 é mesmo ruim? Os partidários do velho chavão do futebol tiveram uma boa oportunidade para reconsiderar a opinião na noite desta quinta-feira. Atlético Mineiro e Colo Colo fizeram um grande jogo, uma verdadeira batalha tática, onde as armas foram estratégias coletivas inteligentes, qualidade técnica e intensidade a todo momento. O empate mantém o Galo na liderança com dois pontos de vantagem para os chilenos, mas a partida deixou a certeza de que ambos podem ir muito longe nesta Libertadores.

O grande pecado dos 90 minutos para o time mineiro foi a lesão muscular de Dátolo ocorrida aos 15 minutos do segundo tempo. O argentino não iniciou entre os titulares, mas o técnico Diego Aguirre teve a percepção após analisar o primeiro tempo de que a peça-chave para o Atlético ganhar o jogo seria ele. Entrou no intervalo e no pouco tempo que esteve em campo funcionou exatamente como deveria. O Galo criou três boas chances, duas finalizadas por ele mesmo, mas sofreu bastante até o apito final.

Aguirre escalou mais uma vez a equipe no 4-2-3-1. Sem Robinho, fora em virtude de uma febre, formou a linha de meias com Luan pela direita, Cazares pelo meio e Patric à esquerda. O time alternou momentos de domínio e de dominado na primeira etapa. Conseguiu se sobressair quando agrupou bem suas linhas e impediu que o Colo Colo tivesse profundidade com uma marcação bem ‘’alta’’ em vários momentos. Nos 45 minutos iniciais viu o adversário chegar com perigo real em apenas uma oportunidade.


Galo do primeiro tempo. Muita velocidade e combatividade na linha de meias, mas pouca manutenção da posse de bola

O Atlético marcou por zona e apresentou pequenas perseguições individuais ao longo do primeiro tempo, nada que atrapalhasse o funcionamento do seu sistema defensivo nesta etapa. A ordem era recuperar a bola no campo de ataque e impedir que o bom toque de bola chileno fosse colocado em prática. Em alguns momentos os mineiros conseguiram isso e chegaram a assustar a meta rival.

Mas faltava mais presença e trabalho de bola na faixa central na fase ofensiva. Pelas pontas a equipe levava vantagem por vezes com o apoio dos laterais a Luan e Patric, mas a aceleração constante do jogo fazia com que o Galo tivesse menos do que deveria a bola. Faltava Dátolo, um meia de fato, articulador de jogadas e capaz de infiltrar um passe decisivo no último terço do campo. Cazares é muito mais um jogador de definição, dribles em velocidade e tabelas curtas, mas não do passe cerebral que o Atlético necessitava.

Com Dátolo, equipe criou três chances de gol em 15 minutos.


Reparem o posicionamento de Dátolo se colocando no corredor entre dois jogadores da linha de meio do Colo Colo para receber a bola

Na sequência, ele conta também com a inteligência de Hyuri (seta azul), que ‘fecha’ e ‘abre’ o corredor para Douglas Santos receber o passe diferenciado que ‘quebra’ a linha de marcação chilena

Outra solução poderia ser uma presença maior de Rafael Carioca e Leandro Donizete nesse terço final, mas a preocupação com o ótimo meio-campo do Colo Colo falou mais alto e eles pouco infiltraram na defesa adversária.

Com a saída de Dátolo, sem meias e atacantes no banco, o técnico uruguaio pôs em campo o volante Junior Urso e fechou sua equipe no 4-1-4-1. Urso, Donizete e Carioca no miolo de campo. Luan e o bom Hyuri abertos. O Galo foi sufocado e não conseguiu mais construir sequer uma jogada de ataque.
Exibindo segundo tempo pressão colo colo.jpg
Exibindo segundo tempo pressão colo colo.jpg

Nos últimos 30 minutos o Atlético foi muito pressionado e contou com a sorte para sair de Santiago com um ponto na bagagem. Equipe no 4-1-4-1, com Junior Urso na vaga de Dátolo

Um detalhe que Diego Aguirre deve corrigir junto a seus jogadores é o limite da perseguição individual e a devida compactação a partir do momento em que o jogo fica mais aberto. No princípio da segunda etapa, ainda com Dátolo em campo e o Colo Colo buscando o gol com mais ímpeto, o Atlético perdeu a compactação necessária entre as duas últimas linhas. Isso fez com que os zagueiros e laterais se desgarrassem mais do que necessário dos espaços que devem defender. Repare na imagem abaixo como Leonardo Silva sai para ‘’caçar’’ Paredes e deixa um buraco ás suas costas.

Vejam o espaço deixado por Léo Silva. É justamente ali que a bola vai passar para Delgado quase marcar. A falha, porém, é coletiva. Paredes se desloca para receber o passe no largo espaço (seta azul) entre as duas linhas defensivas atleticanas.

Mesmo com o sufoco do final do jogo, o Galo mostra que no momento é o melhor time brasileiro em atividade e consequentemente com mais chances de ir longe na Libertadores. Semana que vem deveremos ter mais um jogaço em Belo Horizonte.

@RodrigoCout

Deixe um comentário

Todos os comentários postados são de responsabilidade de seus autores. É necessário estar logado no facebook para comentar.

 

Bem-vindo ao Linha Alta. Site com conteúdo futebolístico.

© Linha Alta 2016

Edited by Douglas Menezes