26 de março de 2016

Inter e Quintero: um precisa do outro

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O Internacional acertou a contratação do colombiano Juan Fernando Quintero Paniagua. O jogador que pertence ao Porto e estava emprestado ao Rennais da França, chega ao colorado por empréstimo até dezembro deste ano. O atleta de 23 anos e 1m69cm vem para ser o substituto do ídolo Andrés D’Alessandro que rumou para o River Plate da Argentina no início da temporada.

Quintero em ação pelo Rennes (Foto: AFP)

O princípio de carreira de Quintero no seu país natal foi no Envigado e, posteriormente, no Atlético Nacional. Suas boas demonstrações no futebol colombiano o levaram rapidamente ao futebol europeu. Foi contratado para disputar a Série A italiana de 2012/2013 pelo Pescara. O jogador conseguiu conciliar boas atuações pela equipe italiana com duas participações destacáveis na seleção de base colombiana, uma no Sul-Americano sub-20 de 2013 (9 jogos; 5 gols) e outra na Copa do Mundo sub-20 também de 2013 (4 jogos; 3 gols). Tudo isso, fez com o que ele se tornasse um dos mais promissores jogadores jovens da época. Tais referências, o levaram ao Porto, que contratou Juan Fernando para substituir o seu compatriota James Rodríguez que havia sido vendido ao Monaco da França por cifras astronômicas. Em Portugal, Quintero teve altos e baixos, mas nunca conseguiu demonstrar uma regularidade que o fizesse se firmar no clube. Mesmo assim, esteve na Copa de 2014 no Brasil e demonstrou bom nível. Participou de 4 jogos e marcou 1 gol. Voltando ao Porto, a situação continuou a mesma: nada de deslanchar. Então, um empréstimo ao Rennais surgiu como opção. Na França, foram as lesões e discussões com o técnico que impediram o jogador de manter um equilíbrio na carreira. Por lá, foram apenas 15 jogos e 1 gol marcado. Agora, a chance de retomada de carreira é no futebol brasileiro.

Para render, Quintero deve flutuar, mas com a noção de que seu posicionamento "mais fixo" é no setor central.

Quintero é um meia muito dinâmico. Consegue fundir muito bem velocidade e técnica. Tem a capacidade de acelerar ou desacelerar o jogo, podendo "correr" ou fazer "a bola correr". Eventualmente, pode ser extremo ou até mesmo atuar na primeira faixa do campo. Porém, é na meia-central o seu habitat preferido. Como Argel gosta de desenhar um 4-2-3-1 movediço, onde os homens de frente trocam posição a todo o momento, o colombiano pode dar muito certo atuando centralizado na linha de 3, já que tem essa capacidade de intensa movimentação. Contudo, não pode ser privado de desempenhar ações importantes como impor ritmo no centro de ataque e unir os setores na transição. Cair pelos lados pode ser opção, mas deve-ser entender que o jogo de Quintero deve fluir sempre a partir do meio.
Em uma outra ideia, se o técnico colorado optar por pelo 4-4-2 losango, é “enganche” a posição certa para a nova contratação colorada.

Quintero se movimenta muito (Wyscout).

Seu mapa de calor expõe bem sua maior capacidade: a construção. A sua movimentação impressiona. O jogador consegue se colocar em várias partes do campo, como um meia moderno deve fazer. Busca o jogo no princípio, cai pelo lado para auxiliar o “homem com a bola” e aparece na área para impor superioridade numérica sobre o adversário, sempre com a intenção de criar espaços e chances de gol. Durante o jogo, esse jogador dá, pelo menos, 2 “passes decisivos”, ou seja, 2 passes verticais e agudos por partida. Sua média de  acerto de passe é de 89%, que é muito boa para um atleta de tal posição que, geralmente, toca muito na bola e precisa arriscar passes mais difíceis de serem executados. Outra estatística que chama muito a atenção é sua capacidade no 1x1. O jogador parte pro confronto individual, ao menos, 8 vezes por jogo e tem aproveitamento positivo em 88% das vezes. Portanto, o drible também é um ferramenta do colombiano.

Em questões defensivas, Quintero não é um exímio marcador. Sua média de desarmes por jogo é de 1.3. Em combatividade, o jogador deixa a desejar. Porém, sua capacidade de intensificação e leitura do jogo faz esse atleta ser útil pressionando a defesa adversária em um 4-4-2 defensivo ou fechando um dos flancos em um 4-1-4-1, por exemplo. Como Argel gosta de posicionar o Inter em um 4-2-4 na fase de defesa, o jogador não teve ter problemas de conter espaços na linha de 4, tanto pelo meio como pelo lado, de acordo com o que o treinador preferir.


Inter e Quintero podem “casar” muito bem. Ambos vivem momento de insegurança e instabilidade. O time colorado, após perder seu principal símbolo técnico, ainda carece de novas referências dentro da sua concepção coletiva. Já o jogador colombiano busca recolocar sua promissora jornada dentro do futebol nos trilhos e o futebol brasileiro pode ser perfeito para isso. Os dois lados saem beneficiados com essa transferência.


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Edited by Douglas Menezes