14 de março de 2016

Iguais apenas no placar. Flu, Bota, e o clássico Vovô

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O gol do zagueiro Gum no último minuto de jogo deixou tudo igual no primeiro clássico da Taça Guanabara, segunda fase do Campeonato Carioca, mas o rendimento de Fluminense e Botafogo dentro de campo demonstrou a diferença de estágio nas duas equipes. Enquanto o tricolor deixou claro para Levir Culpi o árduo trabalho que ele terá, o alvinegro parece dar um passo à frente, mostrando que começa a somar um novo princípio de jogo ao sistema comandado por Ricardo Gomes.

(Foto: Vitor Silva/SS Press/Botafogo)

Mais organizado e melhor em maciço período do jogo, o Botafogo teve o uruguaio Salgueiro na vaga de Luis Henrique. Você leu aqui na semana passada como funciona a estrutura tática do alvinegro. O time se defende com duas linhas de quatro e muda sua forma para o 4-3-1-2 quando tem a bola. Com a entrada do experiente jogador, Ricardo deixa claro que quer mais opções entre as linhas do adversário, um jogo de maior posse e trabalhado no campo do oponente.

Botafogo no jogo de ontem. Salgueiro sai mais da área do que Luis Henrique e trabalha ao lado de Gegê entre as linhas do adversário

Flagra com a bola rolando. Salgueiro recebe passe de Airton e tem Gegê bem próximo para trabalhar uma jogada. Ribamar se prepara para infiltrar.

Salgueiro é atacante, mas tem qualidade técnica e características que o possibilitam participar do momento de preparação para a finalização, o famoso ‘’último passe’’. Desta forma, foi visto fazendo companhia a Gegê nesta função enquanto esteve em campo. O Botafogo não criou muitas chances. É um modelo que ainda se aprimorará, principalmente quando o uruguaio estiver melhor fisicamente, mas dominou o rival.

O time teve mais posse no campo do adversário e chegou com mais gente ao ataque. Foi menos vertical e possibilitou tempo para o apoio e infiltração de Bruno Silva, Rodrigo Lindoso e até mesmo Airton, mais uma vez muito bem em campo.

A proposta é manter a construção curta de jogadas e fazer com que os laterais continuem sendo os responsáveis pela amplitude alvinegra no ataque. Com Salgueiro e Gegê, porém, há mais possibilidades de apoio para uma tabela, mas menos presença na área, o que ocorre quando Luis Henrique está em campo.

O Botafogo mostra que pode ser mais proponente e menos reativo em partidas contra times grandes. O princípio, porém, precisa ser mais difundido entre os atletas. Após ter vantagem no placar, a marcação, que era bem ‘’alta’’ e agressiva até então, teve menos intensidade e a pressão final do Fluminense resultou no gol de Gum. Um placar incompatível com a história do jogo.

Linhas de marcação do Botafogo cada vez mais definidas e coordenadas. Esse princípio será importante no Brasileirão.

Fluminense

Já o Tricolor, na estreia de Levir Culpi, mostrou tudo o que acarreta uma mudança de treinador com a temporada em andamento: time sofrendo nas diversas fases do jogo e defasado perante o trabalho mais estruturado do adversário.

Sem Fred, Levir escalou Osvaldo como homem mais avançado. Este revezava com Diego Souza na função, mas a falta de um plano de jogo em evolução fez com que ambos não levassem perigo no primeiro tempo. Na volância, Cícero e Édson. Pelas pontas, Scarpa e Marcos Junior se alternavam, mas sem conseguirem levar vantagem sobre o sólido sistema defensivo do Botafogo.

Disposição tática do Fluminense no início do jogo de ontem. Execução muito ruim. Levir sabe que terá muito trabalho.

A construção das jogadas era tentada da forma mais trabalhada possível. ‘’Saída de três’’ com Cícero participando entre os zagueiros e laterais projetados, mas a execução deixou muito a desejar. Como citado, o Botafogo ‘’subia’’ a sua marcação por zona e facilmente obrigava o Tricolor a sair na base da ligação direta. Os meias não se aproximavam de Édson e o camisa 8 ficava sem opção de passe.

Cícero se alinha aos zagueiros na saída de bola, mas Édson é o único que busca aproximação. Laterais ‘’espetam’’ no campo adversário, mas meias não ‘’descem’’ o campo para criar as linhas de passe necessárias. Resultado = construção deficiente e marcação do Bota funcionando.

Essa dificuldade deveria ser natural. Digo deveria, pois Eduardo Baptista implementava o mesmo conceito, algo que já poderia estar assimilado pelos jogadores do Fluminense, mas na partida de ontem ficou claro que não. Desta forma, o time das Laranjeiras não conseguiu criar, a não ser em jogadas de bola parada, como fez para chegar ao gol. No momento do empate, o Flu ainda tinha jogadores de maior movimentação em campo e contava com um Botafogo sem a mesma organização defensiva. Diante de todo o cenário, deve agradecer pelo ponto conquistado.

Defensivamente foi possível perceber um Fluminense um pouco mais agressivo na marcação. Grande problema da ‘’era Eduardo Baptista’’, a falta de atitude para pressionar quando o adversário tem a bola, não foi uma realidade tão constante ontem. Essa postura, aliás, impediu que o alvinegro tivesse mais chances de abrir o placar ainda no primeiro tempo.

A inércia no ato da perda da bola, porém, permanece. O gol do Botafogo foi construído em um contra-ataque iniciado sem muita pressão dos atletas tricolores, que também demoraram a recompor e possibilitaram superioridade numérica do adversário na jogada.

Outro ponto que Levir terá que trabalhar é o balanço defensivo. A medida que o adversário roda a bola de um lado a outro do campo, os volantes do Fluminense não conseguem ajustar o posicionamento e oferecem generosos espaços, como fica claro no lance abaixo.

Flagra de compactação irregular do Tricolor. Cícero e Édson se distanciam muito. Airton infiltra no espaço vazio e quase marca no primeiro tempo. Soma-se ao espaço, a pouca pressão em Luis Ricardo, que tem a bola nos pés

O clássico deste domingo serviu para reforçar a ideia de que a continuidade é o melhor caminho para jogar bem, seja qual for o modelo de jogo adotado. Apesar do empate, o Botafogo mostra que trilhou um bom pedaço do caminho e o Fluminense terá que correr para alcançar um nível mais competitivo nas fases agudas da temporada.

@RodrigoCout

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