21 de março de 2016

Fluminense de Levir começa a mostrar princípios de jogo

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O jogo decepcionou e o resultado não foi bom, mas o torcedor tricolor acordou um pouco menos preocupado nesta segunda-feira. Depois do empate em 0x0 com o Flamengo na tarde ensolarada de domingo no Pacaembu, o Fluminense somou o seu segundo ponto na Taça Guanabara e está fora da zona de classificação para as semifinais. O rendimento da equipe, porém, mostrou que a ‘’semana cheia’’ de trabalho com o técnico Levir Culpi propiciou evolução nos princípios de jogo adotados.

 
Levir Culpi começou a ajustar o Fluminense e o time já rendeu mais no clássico em São Paulo

Você leu aqui na semana passada que o time das Laranjeiras foi dominado pelo Botafogo no clássico ocorrido em Volta Redonda. O recuo excessivo do adversário e a eficiência de Gustavo Scarpa e Gum na bola parada salvaram o Flu de uma derrota, mas na tarde deste domingo a história foi bem diferente. Mesmo em um estágio muito mais precoce de trabalho que o rubro-negro, o tricolor dominou o primeiro tempo e o começo da segunda etapa.

No período citado, o Fluminense foi mais agressivo na marcação, um dos itens que mais faltaram durante o trabalho de Eduardo Baptista. É bem verdade que a marcação por encaixes de curta perseguição ajuda nesta abordagem. A marcação estritamente por zona requer consciência tática e atitude que os atletas desabituados costumam demorar a entender. Mas o importante foi ter funcionado durante a maior parte da partida. É preciso levar em consideração também o desgaste físico do adversário, que vem em sequência de partidas mais pesada que o tricolor. A realidade do ponto de vista tático é que o time das Laranjeiras foi mais efetivo que o Flamengo. Na parte final do jogo, principalmente após a saída de Fred e a queda física de Gérson e Diego Souza, não conseguiu manter a bola no campo de ataque e foi pressionado pelo rival.

Comandante de um Atlético extremamente intenso e vertical, Levir não dispõe de jogadores em nível de titularidade com tanta velocidade. Da equipe que entrou em campo ontem, Gérson, Gustavo Scarpa, Diego Souza e Fred formaram o quarteto ofensivo do 4-2-3-1. Apenas Scarpa pode ser considerado um jogador veloz, mas tem na capacidade de organização e na qualidade do passe suas principais características. O treinador parece ter entendido o cenário e dá mostras de querer montar uma equipe com construção de jogadas mais cadenciada.
Fluminense no 4-2-3-1 de ontem. Independente da ''saída de 3'', Scarpa e Gérson buscaram bastante o centro do campo e as costas dos volantes rubro-negros.

Na execução dos princípios de jogo o Fluminense mostrou evolução se comparado o rendimento da partida contra o Botafogo. A ‘’saída de 3’’, com Cícero se infiltrando entre os zagueiros, se repetiu e foi mais bem executada a partir da movimentação de Gustavo Scarpa e Gérson. Como esse modelo de saída de jogo projeta os laterais para o campo do adversário, visando dar amplitude nas opções de passe, é necessário que os meias que jogam abertos busquem o centro do campo e o jogo entrelinhas, desta forma aumentam as opções de passe pelo meio. Os dois jovens revelados em Xerém cumpriram bem essa função e ajudaram o Flu a ter o controle da posse de bola e das ações.
Executando a saída de 3, Fluminense fica disposto desta forma dentro de campo. Cícero recua para qualificar primeiro passe e criar superioridade numérica.

Além da execução correta da ‘’saída de 3’’ foi possível perceber também uma coordenação melhor na movimentação ofensiva. Em dois lances criados pelo Fluminense no primeiro gol este princípio ficou claro. Logo aos dois minutos, Gérson puxou a marcação de Jorge para junto da linha de meio-campo e Diego Souza entrou em diagonal no espaço entre o jovem lateral e o zagueiro Juan. Se estivesse em melhor forma física, talvez o camisa 10 tivesse mais sucesso na jogada.
Gérson puxa a marcação de Jorge e Diego Souza infiltra no espaço vazio. Movimentação simples, mas executada no tempo certo e aproveitando 'espaçamento' entre atletas rubro-negros

O outro exemplo aconteceu 20 minutos depois e demonstra o prosseguimento da jogada após a ‘’saída de 3’’. Scarpa parte do centro para o fundo, em movimento idêntico ao de Diego Souza, mas do lado esquerdo. Na sequência da jogada, Jorge salva na hora derradeira. É preciso considerar também o início de jogo confuso do Flamengo na parte da defensiva, muito espaçado e executando longas perseguições individuais, mas o princípio de jogo tricolor estava presente e funcionou.
Neste flagra vemos a sequencia da jogada após uma saída de 3 bem executada. Scarpa sai do meio e busca as costas de Rodinei criando uma ótima chance para o Fluminense.

A transição e a fase defensiva ainda precisam melhorar. O tempo de reação assim que se perde a bola e a velocidade da recomposição está longe de ser a ideal. A compactação entre os volantes voltou a ser deficiente ontem. Mesmo com a entrada de Pierre, um volante de mais marcação, a distância entre ele e Cícero foi grande em alguns momentos e possibilitou espaços ao Flamengo.
Este flagra já é do clássico contra o Botafogo, mas aconteceu novamente neste domingo em algumas jogadas. Muita distância entre os volantes gera espaços para o adversário.


Trocar o pneu com o carro em movimento não é o ideal, mas infelizmente uma realidade do futebol brasileiro ainda carente em planejamento e entendimento tático do jogo. O Fluminense de Levir começa a ganhar um jeito de jogar. A ordem agora é evoluir e chegar ao Brasileirão com o time mais ajustado.


Rodrigo Coutinho - @RodrigoCout

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