31 de março de 2016

Fla retoma intensidade nos princípios e joga bem contra o Vasco

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Depois de quase um mês sem apresentar bom futebol, o Flamengo voltou a ter um rendimento mais próximo do esperado no empate com o Vasco ontem em Brasília. O time da Gávea dominou o primeiro tempo e a segunda metade da etapa derradeira, perdendo momentaneamente o controle do jogo nos 20 minutos iniciais do segundo tempo. Conseguiu elevar seu nível de atuação em virtude de uma movimentação mais intensa em seu sistema ofensivo e da volta da agressividade na marcação à saída de bola adversária.

 
Foto: Gilvan de Souza / Flamengo. Time da Gávea voltou a apresentar um bom futebol no empate contra o Vasco

Desde o início do ano Muricy vem buscando implementar novos conceitos de trabalho no Flamengo. O termo ‘’novos’’ refere-se à maneira do Flamengo atuar com relação ao ano passado e também ao histórico tático do treinador. O chamado ‘’Muricybol’’ não é uma realidade do rubro-negro versão 2016. Os princípios escolhidos visam uma construção de jogadas através de passes curtos, aproximação e triangulações pelos lados no 4-1-4-1 do Mais Querido. Mesmo que isso não tenha ocorrido de forma plena em Brasília, já houve uma reaproximação deste estilo.

As coisas vinham funcionando bem e o time evoluindo até a lesão de Mancuello no final do mês de fevereiro. A partir daí, a equipe caiu de rendimento. Não só pela ausência do argentino, peça importante no contexto de jogo do Fla, mas também por uma excessiva valorização do cansaço físico, fruto das muitas viagens que uma temporada ‘’sem casa’’ vem proporcionando. Sem estádio para jogar na cidade do Rio de Janeiro, a equipe vinha sentindo o desgaste dentro de campo, mas o padrão tático também não estava sendo obedecido.

A defasagem física causa dificuldade na execução dos princípios táticos adotados por Muricy, mas é preciso ao menos tentar executá-los. Buscar as ferramentas de jogo que propiciam o funcionamento eficaz idealizado e posto em prática em alguns jogos. O Flamengo deixou de fazer isso e se viu mergulhado em crise após o vexame diante do Confiança pela Copa do Brasil e a eliminação da Primeira Liga contra o Atlético/PR.

A atuação desta quarta-feira, porém, deixa um legado de esperança novamente para a torcida rubro-negra. Principalmente por enfrentar um adversário muito bem organizado por Jorginho e com um dos rendimentos mais eficazes do Brasil nesta temporada. O Flamengo pressionou bastante o Vasco na saída de bola, executando uma pressão bem organizada e compacta. Restou ao cruzmaltino exagerar na ligação direta, o que fez com que o rubro-negro dominasse a posse na maior parte do tempo.

 
Formação inicial do Flamengo. Éderson era a peça-chave na movimentação ofensiva. Gabriel e Sheik buscaram bastante o centro do campo e Arão manteve fluência nas infiltrações.
Exemplo da movimentação ofensiva rubro-negra. Willian Arão aparece na ponta direita para cruzar. Éderson flutua e na sequência da jogada vai pegar o rebote e obrigar Martin Silva a fazer boa defesa. Sheik se junta a Guerrero dentro da área e Gabriel entre em diagonal para buscar o rebote também.

Como recuperava muitas bolas na altura do meio-campo, o Flamengo conseguia colocar em prática novamente a agressividade demonstrada em algumas partidas este ano. Desta vez, porém, com uma novidade. Antes baseado num jogo mais posicional de seus extremos, o time de Muricy teve Gabriel e Émerson Sheik (este mal tecnicamente) variando mais o posicionamento e buscando também o centro do campo, abrindo o corredor para apoio dos laterais.

A movimentação de Éderson também merece destaque. Escalado mais uma vez como meia interior pela esquerda na segunda linha de quatro, o camisa 10 teve liberdade para se juntar a Guerrero e variar a estrutura tática do Flamengo para um 4-4-2 em determinados momentos. Este tipo de movimentação faz com que o futebol de Éderson cresça. É muito mais um finalizador do que articulador de jogadas, precisa estar no terço final do campo para dar o seu melhor.

 
Um flagra da movimentação de Éderson, uma constante durante o primeiro tempo. Percebam como ele adianta e se aproxima de Guerrero. Isto foi feito em muitas pressões na saída de bola vascaína e em determinados momentos da fase ofensiva. Marcio Aráujo percebe a movimentação e se adianta para formar a linha de apoio no meio-campo.

Na segunda etapa, com a entrada de Alan Patrick (em ótima atuação), o rubro-negro voltou a ter um articulador na função e deixou de executar essa variação. Contou também com uma maior amplitude vascaína e qualidade de passe na saída de bola, e viu sua marcação alta não obter tantos resultados, mas retomou o controle do jogo e merecia ter saído vencedor. Pecou demais no aproveitamento das finalizações, principalmente com o seu jogador mais caro e badalado.

 
Flamengo já na parte final do jogo, com Cirino dando mais amplitude no lado lado direito e Alan Patrick resguardando mais a posição de meia esquerda pelo centro.

Paolo Guerrero é importante taticamente, mostrou espírito de luta por atuar 180 minutos em 24 horas (jogou na véspera pela seleção peruana), mas continua sem dar o retorno técnico aguardado. Perdeu uma chance incrível no primeiro tempo e poderia ter sido expulso ao acertar cotovelada fora da disputa da bola em Rodrigo.

Controlar o temperamento de Paolo e fazê-lo render mais é apenas um dos desafios de Muricy, que precisa fazer com que a equipe tenha o mesmo funcionamento tático e intensidade demonstrada diante de seu maior rival nesta quarta-feira.

Rodrigo Coutinho - @RodrigoCout

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