9 de março de 2016

Atlético Nacional tem o melhor futebol da Libertadores e vê sonho do bi palpável

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O título desse texto é bem previsível quando se está falando do líder absoluto do Grupo 4 da Libertadores da América com 100% de aproveitamento, sete gols marcados e nenhum sofrido nos três jogos realizados até o momento, mas não se trata somente de avaliar o resultado. Nas linhas abaixo vamos dissecar a forma de jogar do maior clube colombiano e muito candidato à conquista desta Libertadotres. O Atlético Nacional de Reinaldo Rueda mostra muita capacidade técnica e uma variação grande de jogadas, diversas formas de chegar ao gol adversário.

Com duas Copas do Mundo no currículo treinando Honduras e Equador, Rueda montou sua equipe num 4-2-3-1 pra lá de móvel. No quarteto mais avançado formado por Guerra, Copete, Ibarbo e a joia Marlos Moreno, há muita movimentação. Trocas que confundem a marcação adversária e criam superioridade numérica em algumas jogadas da fase ofensiva. Na partida desta terça-feira, na vitória contra o Peñarol por 2x0 no inflamado Atanasio Girardot, a intensa movimentação dos quatro citados ficou muito clara em diversos momentos.

4-2-3-1 de muita mobilidade, velocidade e técnica

Como em toda equipe bem montada, eles contam com todo um sistema pré-estabelecido de conceito de jogo e movimentação de toda equipe para resultar num terço final de campo cada vez mais perigoso e criativo. O time de Medellin utiliza a ‘’saída de 3’’. Isto é, um dos volantes, neste caso Mejía, recua na linha dos zagueiros e causa superioridade numérica na primeira linha de marcação adversária, além de qualificar mais o início da transição ofensiva

Em paralelo, os laterais se projetam e criam a amplitude necessária para que as linhas de passe sejam formadas. Os meias que atuam abertos fecham um pouco para criar superioridade entre as linhas de marcação e aproximação para triangulações e tabelas.

Mejia se ‘infiltra’ entre os zagueiros, laterais se projetam e extremos buscam centro do campo para criar superioridade numérica entre as linhas de marcação do adversário.

No caso do Atlético, há inclusive uma jogada forte e que busca acelerar essa transição através de um passe longo. Marlos Moreno arrasta a marcação para dentro do campo e ótimo lateral Bocanegra recebe em profundidade um lançamento do zagueiro Henríquez ou do talentoso volante Mejía.

Uma das jogadas descrita acima. Lançamento em diagonal buscando a chegada forte do lateral Bocanegra. Marlos Moreno tem função importante de iludir a marcação do setor esquerdo do adversário.

Como citado anteriormente, esta é apenas uma das opções. Esqueça a previsibilidade, o time colombiano usa tanto a saída curta quanto a longa e já mostrou conseguir sucesso em ambas. No caso de uma construção mais baseada nos passes curtos, o volante Perez e o meia venezuelano Guerra ditam o ritmo pelo centro do campo. No terço final, o jovem Marlos Moreno e o experiente Ibarbo e o extremo esquerdo Copete aceleram a jogada. Tudo usando sempre as trocas de posição.

Essas trocas são ainda mais claras quando observamos o comportamento de Ibarbo. Mesmo tendo porte físico de centroavante, o camisa 14 atuou a maior parte de sua carreira aberto em uma das pontas. No Atlético ele parte da posição de referência no ataque, mas inverte bastante com Marlos Moreno e até mesmo com Guerra, que também é visto algumas vezes como o homem mais avançado do time.

Outra arma importante é o contra-ataque. Como os homens de frente são extremamente velozes e três deles – Moreno, Guerra e Copete – muito habilidosos, é uma estratégia de muito risco dar campo ao Atlético assim que se perde a bola. Dos sete gols da campanha na Libertadores, três foram construídos desta forma, fora outras muitas chances criadas. A estratégia mais uma vez é a velocidade e movimentação inteligente. Geralmente um dos jogadores apoia o homem da bola e os outros dois ‘’abrem o campo’’, correm para o lado contrário do campo para ‘’espaçar’’ a defesa do oponente.


Início do contra-ataque que resulta no segundo gol contra o Peñarol e demonstra exatamente a movimentação citada. Marlos Moreno sai da referência e Ibarbo, aberto pela ponta, faz ultrapassagem para receber na frente. Do outro lado, Guerra e Copete ‘abrem a defesa

Na sequência da jogada, Guerra e Copete ‘afundam’ dentro da área e Marlos Moreno ‘atrasa’ a corrida para receber e marcar após linda jogada de Ibarbo

Nesta imagem o momento do último passe para o segundo gol diante do Sporting Cristal. Marlos Moreno e Guerra trocam de posição. Parece simples, mas a coordenação é perfeita.

Fase defensiva

Defensivamente o Atlético marca por zona e conta com muita pegada e qualidade na abordagem de marcação dos volantes Mejia e Perez. A linha de defesa tem se mostrado segura e bem coordenada pelo capitão Henríquez, mesmo com dois laterais bem ofensivos. O jovem Sanchez também tem sido grata surpresa e opção de perigo nas bolas aéreas ofensivas. A compactação entre a linha de defesa e a de volantes é praticamente perfeita.

A partir da linha de meias, porém, ainda há o que evoluir. Copete, Marlos Moreno e Guerra costumam demorar a recompor e influenciam um pouco na qualidade de transição defensiva. A pressão assim que se perde a bola também não é tão bem executada quando os volantes estão distantes da jogada. Contra adversários mais qualificados e organizados a tendência é o time sofrer um pouco justamente por esses detalhes, mas algo que pode ser aperfeiçoado para a sequência da competição.

A metade da primeira fase ainda se completará para todas as equipes, mas já dá pra ter exata noção do que o time colombiano pode fazer na Libertadores. Campeã em 1989, vice em 1995, o torcedor verdolaga pode se encher de esperança, possui uma equipe talentosa e muito organizada para torcer.

@RodrigoCout

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