29 de fevereiro de 2016

Liga de Quito: altitude e tradição

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A decacampeã equatoriana Liga de Quito vai para sua décima sexta participação na Copa Libertadores. Com mudança de treinador e vários nomes diferentes no elenco, os liguistas querem, ao menos, fazer uma boa campanha no torneio continental, onde não participam da fase de grupos desde o longínquo 2011. A estreia, na Casa Blanca, não poderia ser melhor: vitória fácil por 2-0 contra o San Lorenzo e dois golaços de Diego Morales.

Diego Morales foi o principal destaque contra o San Lorenzo (Foto: Rodrigo Buendia/AFP)


A Liga, campeã da Libertadores em 2008, passou por um processo de mudanças que começaram no final de 2015. A começar pela troca no comando técnico: o então treinador Luis Zubeldía se transferiu ao Santos Laguna e para seu lugar foi contratado Claudio Borghi. O argentino, com passagem pela Seleção Chilena, vem de um trabalho ruim com o Argentinos Juniors, mas respaldado por outros bons trabalhos. 

O elenco também sofreu mudanças. As chegadas de Brahian Alemán, Edson Puch e Exequiel Benavídez elevam a qualidade do grupo, mas a perda do atacante e artilheiro Jonatan Álvez (saiu por problemas com Borghi) pode ser sentida, já que as opções para a posição são bem questionáveis (o atual titular é Carlos Tenorio).

Modelo de Jogo

Borghi deixou de lado o 5-2-2-1 de Luis Zubeldía e implementou o 4-2-3-1 nesse começo de temporada. Diferente do normal, os meias laterais (Alemán e Cevallos) não são wingers. É recorrente vê-los trocando de lado ou se aproximando, junto de Diego Morales (enganche) e usando, preferencialmente, a zona central do campo. O trio é o fator de desequilíbrio da equipe (junto com a altitude de Quito).

LDU - Football tactics and formations
XI da estreia contra o San Lorenzo


A dupla de volantes tem funções e posicionamento diferentes. Enquanto Benavídez permanece no seu campo quando a equipe ataca, Hidalgo avança. Benavídez se posiciona um pouco à frente dos dois zagueiros e auxilia na saída de bola, além de permanecer atrás para que a equipe possa ter mais gente no campo defensivo caso haja uma perda de posse na transição defesa-ataque e acobertar as subidas dos laterais (principalmente o direito, José Quinteros). O argentino foi um pedido de Claudio Borghi e deve ser peça-chave para o futuro do treinador à frente dos universitários.

Los albos se defendem, como a imensa maioria dos usuários do 4-2-3-1, com duas linhas de quatro. A compactação, solidez e estilo que variam de caso a caso. Alemán e Cevallos recompõem pelos lados, enquanto Morales fica ao lado do centroavante. Embora utilize o esquema mais usado para defender, a LDU cede muito espaço e não tem agressividade no combate (a não ser pelos volantes). A marcação é por zona. 

4-4-2 em linha sem a bola utilizado por Claudio Borghi

A saída de bola é terrestre, com os jogadores de frente buscando criar linhas de passe com a movimentação. Benavidez e os dois zagueiros ficam responsáveis por acioná-los em boas condições para a progressão no campo.

Cevallos e Alemán se movimentam para criar linhas de passe, enquanto Benavídez tem a posse e procura opções

A equipe não faz pressão na saída adversária, mas acumula alguns jogadores na faixa central do campo para gerar superioridade e tentar retomar a posse. Quando ocorre, há sempre 3 ou 4 jogadores para contra-atacar. 

Destaques Individuais

Alexander Domínguez: titular da meta desde a aposentadoria do lendário José Cevallos, Domínguez é um goleiro de topo. Arrojado, com ótimo posicionamento e reflexo. Características que o levam a ser o titular da posição na Seleção Equatoriana e cotado por muitos como um dos melhores goleiros em atuação no continente. 

José Francisco Cevallos Jr.: não, o nome não é apenas coincidência. Cevallos Jr. é filho do ex-goleiro José Cevallos, campeão da Libertadores em 2008. Meia alto, com boa visão de jogo e bastante inteligente. Destaque do Equador Sub-20 no último Sul-Americano da categoria. Apenas 21 anos e joga em todas as posições do meio-campo.

Diego Morales: o camisa 10 foi um dos destaques da primeira rodada da fase de grupos. Com dois golaços, resolveu a partida contra os argentinos do San Lorenzo e chamou a atenção de muita gente. É rápido nas ações, muito ágil e finaliza bem. Jogou no Náutico, em 2013, mas sequer marcou. 

Brahian Alemán: fez o caminho inverso de Jonatan Álvez. Saiu do Barcelona de Guayaquil (onde fez uma temporada ótima) para juntar-se aos liguistas na disputa da Libertadores. Meia inteligente, forte fisicamente e com boa técnica, o uruguaio chegou como titular e deve ser importante.

Retrospecto

A LDU fez apenas dois jogos no campeonato local e saiu derrotada em ambas as partidas, contra Delfin e Fuerza Amarilla. Na Libertadores, porém, a equipe estreou vencendo o San Lorenzo por 2-0, com dois gols de Diego Morales. 

A equipe equatoriana ainda conta com o fator altitude e um estádio com capacidade para 55 mil pessoas. Em casa, é um adversário duríssimo. Comprovadamente. Mas a falta de equilíbrio de atuações fora de Quito podem ser exploradas pelos adversários do grupo.


@_nicolasmuller

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